O sol estava alto no céu quando Isadora finalmente decidiu que era hora de deixar a mansão dos Alencar. Com a mala em mãos, seu coração pulsava com uma mistura de medo e expectativa. Cada passo em direção à liberdade era um passo em direção a um futuro incerto, mas ela sabia que não poderia mais viver sob o domínio de Henrique.
Ela se esgueirou pela casa, tentando ser o mais silenciosa possível. O jantar que Henrique organizara com os investidores estava programado para começar em algumas horas, e ela sabia que ele estaria ocupado se preparando para impressionar seus convidados. Essa era sua única chance.
Ao chegar à porta da frente, Isadora hesitou por um momento, olhando para trás. A mansão era imponente e cheia de memórias, mas também era um símbolo do controle que Henrique tinha sobre sua vida. Com um último suspiro profundo, ela abriu a porta e saiu.
O ar fresco do lado de fora a envolveu como um abraço acolhedor. Isadora caminhou rapidamente até o carro que havia deixado estacionado na entrada da propriedade. Com as mãos trêmulas, ela colocou a mala no porta-malas e entrou no veículo. A sensação de estar dirigindo para longe da mansão era libertadora.
Enquanto dirigia pelas ruas familiares, Isadora sentiu uma onda de emoções a invadir. A liberdade estava ao seu alcance, mas também havia uma dor profunda ao deixar uma parte de sua vida para trás. O que ela havia construído com Henrique parecia tão distante agora.
Após alguns minutos, chegou à casa de Clara. A amiga a recebeu com um abraço caloroso e acolhedor, como se soubesse exatamente o que Isadora havia enfrentado.
— Você está segura agora — disse Clara, olhando nos olhos de Isadora com compreensão. — Vamos fazer isso juntas.
Isadora sorriu, sentindo-se aliviada por ter alguém ao seu lado. Elas subiram para o quarto de Clara, onde Isadora começou a desfazer suas malas. Enquanto organizava suas coisas, Clara fez questão de preparar um lanche e colocar música suave para tocar.
— O que você vai fazer agora? — perguntou Clara enquanto servia chá.
Isadora hesitou antes de responder. Embora estivesse longe da mansão, as incertezas ainda pairavam sobre ela.
— Eu preciso encontrar um emprego e começar a reconstruir minha vida — disse Isadora, sua voz carregada de determinação. — Não posso depender mais de Henrique ou do dinheiro dele.
Clara assentiu com aprovação.
— Isso é ótimo! Você tem todo o potencial do mundo. Vamos atualizar seu currículo e começar a procurar oportunidades — sugeriu Clara animadamente.
As duas passaram a tarde juntas, trabalhando no currículo e fazendo listas de possíveis empregos. A cada nova ideia compartilhada e cada risada trocada, Isadora sentia sua confiança crescer. Ela estava finalmente começando a se sentir como a mulher que sempre quis ser.
No entanto, enquanto se concentrava nas novas possibilidades, uma sombra pairava sobre seus pensamentos: Henrique. O que ele faria quando descobrisse que ela havia partido? E se ele tentasse encontrá-la?
Naquela noite, enquanto se preparavam para dormir, Isadora não conseguia afastar esses pensamentos inquietantes da mente. Clara percebeu sua inquietação.
— Está tudo bem? Você parece preocupada — disse ela suavemente.
Isadora suspirou e olhou pela janela para as estrelas brilhando no céu noturno.
— Eu só... não consigo parar de pensar em Henrique. Ele não vai aceitar isso facilmente — confessou Isadora.
Clara se aproximou dela e segurou sua mão.
— Você tomou uma decisão corajosa! E lembre-se: você não está sozinha nessa — disse Clara com firmeza. — Se ele tentar algo, eu estarei aqui para te apoiar.
Isadora sorriu agradecida pela amizade inabalável de Clara. Naquela noite, adormeceu com um misto de esperança e ansiedade pelo futuro que estava começando a construir.
No dia seguinte, enquanto tomavam café da manhã juntas, o telefone de Clara tocou abruptamente. Ela atendeu e logo sua expressão mudou para uma mistura de preocupação e surpresa.
— É a polícia! Eles estão procurando por você! — disse Clara após desligar o telefone.
O coração de Isadora disparou instantaneamente.
— O que? Por quê? — perguntou ela em pânico.
— Eles disseram que Henrique registrou um boletim de ocorrência sobre seu desaparecimento! Ele está preocupado com você! — respondeu Clara, seu tom grave refletindo a seriedade da situação.
Isadora sentiu um frio na barriga ao ouvir aquelas palavras. Ela sabia que Henrique não iria aceitar sua partida sem lutar por ela. As consequências daquela decisão estavam começando a se manifestar de forma alarmante.
— O que eu faço agora? — perguntou Isadora desesperadamente.
Clara respirou fundo e tentou acalmá-la.
— Primeiro precisamos manter a calma. Não podemos deixar o medo nos controlar — disse ela com firmeza. — Vamos pensar em um plano para lidar com isso.
Isadora assentiu lentamente, mas o pânico ainda corria em suas veias. Ela sabia que precisava ser cuidadosa; Henrique não era apenas um marido controlador; ele também tinha influência e recursos à sua disposição.
Enquanto as duas amigas discutiam estratégias sobre como lidar com a situação, Isadora percebeu que sua luta pela liberdade estava apenas começando. Mas agora tinha alguém ao seu lado disposto a ajudá-la a enfrentar os desafios à frente.
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Atualizado até capítulo 27
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