A Crise

A noite na mansão dos Alencar parecia mais pesada do que o normal. Isadora se sentia como se estivesse vivendo em uma bolha de tensão, onde cada palavra e cada olhar de Henrique a deixavam mais ansiosa. Após a reunião, a atmosfera entre eles estava carregada, e ela sabia que algo estava prestes a estourar.

Na manhã seguinte, Isadora acordou com um nó no estômago. O sonho que tivera a deixara inquieta: sonhara que estava correndo em um campo aberto, livre e feliz, mas sempre que tentava alcançar a liberdade, uma sombra a seguia. Ao abrir os olhos, percebeu que essa sombra era a realidade de seu casamento.

Decidida a não deixar Henrique controlar seu dia, Isadora decidiu sair para o jardim novamente. O ar fresco da manhã era revigorante, e ela precisava de um momento para clarear a mente. Enquanto caminhava entre as flores, pensou em Rafael e em como ele havia trazido um pouco de luz para sua vida sombria.

No entanto, ao voltar para dentro da casa, encontrou Henrique na sala de estar, olhando para seu celular com uma expressão tensa. O clima mudou instantaneamente.

— Onde você esteve? — perguntou ele sem olhar para cima.

— Apenas... dando uma volta no jardim — respondeu Isadora cautelosamente.

Henrique finalmente levantou os olhos e encarou-a com desconfiança.

— Você sabe que não pode simplesmente sair assim. As pessoas estão falando sobre você — disse ele, seu tom acusatório deixando claro que não estava disposto a discutir.

Isadora sentiu-se sufocar sob o peso das palavras dele. Era como se cada movimento dela fosse monitorado e julgado.

— Eu só precisava de um pouco de ar fresco — respondeu ela, tentando manter a calma.

— Não é assim que funciona! Você precisa entender o seu papel aqui — Henrique disse com firmeza. — As aparências são tudo.

A discussão rapidamente escalou. Isadora sentiu sua frustração crescer enquanto tentava explicar que não era apenas uma esposa decorativa; ela tinha seus próprios desejos e sonhos.

— Henrique, eu não sou um objeto! Eu sou uma pessoa! — gritou ela, sua voz ecoando pela sala.

Ele pareceu surpreso com a explosão dela, mas logo recuperou a compostura.

— Você precisa aprender a se comportar — disse ele friamente. — Se continuar assim, vai acabar nos envergonhando diante dos nossos amigos e investidores.

Aquelas palavras cortaram Isadora como uma lâmina afiada. Ela se sentia tão pequena diante dele, tão insignificante. Em um impulso de rebeldia, decidiu que não iria mais se deixar abater por suas exigências.

— Eu não posso viver assim! Eu quero ser eu mesma! — declarou ela com determinação.

Henrique avançou em sua direção, sua expressão agora carregada de raiva.

— Você acha que pode simplesmente fazer o que quiser? Está enganada! — gritou ele. — Se você não mudar sua atitude, vai se arrepender!

Isadora sentiu o coração disparar com as palavras dele. O medo começou a tomar conta dela, mas ao mesmo tempo havia uma chama de coragem crescendo dentro dela. Ela não podia mais permitir que Henrique controlasse sua vida.

— Se você acha que pode me ameaçar e me controlar assim, está muito enganado! — respondeu ela com firmeza.

Nesse momento tenso, Rafael entrou na sala sem saber do conflito que estava se desenrolando. Ele imediatamente percebeu a atmosfera pesada e olhou entre os dois com preocupação.

— O que está acontecendo aqui? — perguntou ele, tentando entender a situação.

Henrique virou-se para Rafael com desprezo.

— Isso não é da sua conta! — respondeu ele ríspido.

Isadora viu Rafael hesitar por um instante antes de se aproximar dela. Havia algo reconfortante em sua presença; ele parecia ser o único que realmente se importava com o que ela estava passando.

— Isadora, você está bem? — perguntou Rafael suavemente.

Ela olhou nos olhos dele e sentiu um misto de alívio e gratidão por ter alguém ao seu lado naquele momento difícil.

— Eu... estou tentando lidar com isso — disse ela, sua voz tremendo levemente.

Henrique observou a interação entre os dois com crescente irritação. Ele não gostava da ideia de Rafael se intrometendo em seus assuntos pessoais.

— Você precisa ficar longe dela! — Henrique ordenou a Rafael. — Isso é uma questão familiar!

Rafael manteve-se firme diante da hostilidade do irmão.

— Isadora é minha amiga e eu me preocupo com ela — respondeu ele calmamente.

Isadora sentiu seu coração aquecer ao ouvir aquelas palavras. Era reconfortante saber que alguém estava disposto a defendê-la. Mas ao mesmo tempo, a tensão entre os irmãos estava prestes a explodir em algo muito maior do que apenas palavras trocadas.

O clima na sala tornou-se insuportável enquanto os três permaneciam parados ali: Isadora entre dois mundos opostos, Rafael representando a liberdade e Henrique simbolizando o controle opressivo. A tempestade emocional estava prestes a atingir seu ápice.

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Comments

Yuki Nagato

Yuki Nagato

Não consigo parar de pensar nas personagens. Lança mais logo o próximo capítulo!

2025-01-03

1

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