O Jogo Começa.

A manhã seguinte trouxe uma nova onda de ansiedade para Isadora. A notícia de que Henrique havia registrado um boletim de ocorrência sobre seu desaparecimento a deixou em estado de alerta. Ela sabia que ele não iria parar por nada para encontrá-la, e a ideia de ser localizada a deixava inquieta.

Clara, percebendo a tensão crescente, decidiu que era hora de agir.

— Precisamos pensar em um plano — disse ela, enquanto as duas se sentavam à mesa da cozinha. — Você não pode ficar aqui por muito tempo. Se Henrique descobrir onde você está, ele não hesitará em vir atrás de você.

Isadora assentiu, sentindo o peso da realidade sobre seus ombros.

— O que você sugere? — perguntou, sua voz tremendo levemente.

Clara pensou por um momento antes de responder.

— Podemos considerar algumas opções. Primeiro, você pode ficar com uma amiga em outra cidade por alguns dias até que a situação se acalme. Ou talvez seja melhor procurar um abrigo temporário para mulheres em situação de risco — sugeriu Clara, sua expressão séria.

Isadora sentiu um nó na garganta ao ouvir a palavra "abrigo". Era um lembrete doloroso da gravidade da situação em que se encontrava.

— Eu não quero me sentir como uma fugitiva — disse ela, sua voz baixa. — Mas também não posso voltar para a mansão.

Clara pegou a mão dela e apertou-a suavemente.

— Você não está fugindo; você está se protegendo. E isso é válido — disse Clara, sua voz cheia de empatia. — Vamos encontrar uma solução que funcione para você.

Após mais algumas discussões, Isadora decidiu que precisaria se afastar temporariamente e encontrar um lugar seguro onde pudesse pensar com clareza. Clara ajudou-a a entrar em contato com uma amiga que morava em uma cidade próxima e estava disposta a oferecer abrigo.

Com o plano em andamento, Isadora começou a arrumar uma segunda mala com roupas e itens essenciais. Enquanto organizava suas coisas, sua mente estava agitada com pensamentos sobre Henrique e o que ele poderia estar fazendo naquele momento.

— Você acha que ele já sabe onde estou? — perguntou Isadora, preocupada.

— Não sei, mas precisamos agir rápido — respondeu Clara. — Ele pode ter pessoas procurando por você ou até mesmo ter acionado amigos para ajudar na busca.

A ideia de Henrique tendo aliados na busca por ela era aterrorizante. Isadora sentiu um frio na barriga ao imaginar as possibilidades. Mas ao mesmo tempo, havia uma determinação crescente dentro dela; ela não iria deixar que o medo dominasse sua vida novamente.

Após arrumar tudo, Clara ajudou Isadora a sair da casa discretamente. Elas foram até o carro e seguiram rapidamente para a casa da amiga de Isadora. O trajeto foi silencioso, mas cada quilômetro percorrido parecia afastá-la mais do controle opressivo de Henrique.

Ao chegarem à casa de Ana, a amiga de Isadora, foram recebidas calorosamente. Ana era uma mulher forte e independente que havia passado por suas próprias lutas e entendia perfeitamente a situação de Isadora.

— Você está segura aqui — disse Ana assim que entrou na casa. — Ninguém vai te encontrar enquanto estiver sob meu teto.

Isadora se sentiu aliviada ao ouvir aquelas palavras. Era reconfortante saber que tinha um lugar seguro para ficar enquanto planejava seus próximos passos.

Nos dias seguintes, Isadora tentou se adaptar à nova rotina na casa de Ana. Elas conversavam sobre tudo: sonhos, medos e planos para o futuro. Ana foi uma fonte constante de apoio e encorajamento, ajudando Isadora a ver que havia vida além das correntes do casamento arranjado.

Mas mesmo com o apoio de Ana, Isadora não conseguia afastar completamente os pensamentos sobre Henrique. À noite, quando estava sozinha em seu quarto, os medos voltavam como sombras ameaçadoras. O que ele estaria fazendo? Estaria realmente preocupado com ela ou apenas furioso por ter perdido o controle?

Certa noite, enquanto tentava dormir, seu celular vibrou ao lado da cama. Era uma mensagem de Clara:

*“Isadora! Acabo de receber notícias preocupantes sobre Henrique. Ele está determinado a encontrá-la e já começou a fazer perguntas sobre você.”*

O coração de Isadora disparou ao ler aquelas palavras. A sensação de estar sendo caçada era aterrorizante. Ela sabia que precisava tomar decisões rápidas e estratégicas para garantir sua segurança.

Na manhã seguinte, decidiu conversar com Ana sobre o que havia aprendido com Clara.

— Preciso ser proativa — disse Isadora enquanto tomavam café juntas. — Não posso simplesmente esperar que Henrique venha até mim.

Ana assentiu com compreensão.

— O que você tem em mente? — perguntou ela curiosa.

Isadora pensou por um momento antes de responder.

— Quero entrar em contato com um advogado especializado em casos como o meu. Preciso entender quais são meus direitos e como posso me proteger legalmente — disse ela com determinação renovada.

Ana sorriu encorajando-a.

— Isso é uma ótima ideia! Vamos fazer isso juntas — afirmou Ana.

Assim que terminaram o café da manhã, as duas começaram a pesquisar advogados na área e entraram em contato com alguns deles para agendar consultas. Cada passo dado parecia trazer mais clareza e controle à vida de Isadora.

Enquanto isso, no fundo da mente dela, ainda pairava a preocupação constante sobre Henrique e suas possíveis reações às novas decisões dela. Mas agora havia algo diferente: uma chama de esperança começava a brilhar dentro dela à medida que se preparava para enfrentar os desafios à frente.

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