"Entre Amigos" - Parte III
Clara respirou fundo antes de voltar para a sala. Não podia passar o resto da noite se escondendo no quarto, mesmo que sua cabeça estivesse uma bagunça. Quando entrou novamente, encontrou Lucas jogado no sofá, com as pernas esticadas e uma taça de vinho na mão.
O sorriso que ele deu ao vê-la foi descontraído, quase travesso, um contraste total com o homem sério e tenso de antes.
— Achei que você tinha fugido — brincou ele, erguendo a taça.
Clara arqueou a sobrancelha, surpresa pela mudança de atitude.
— Pensei nisso. Mas resolvi ser corajosa.
— Boa escolha. — Ele bateu no espaço ao lado dele. — Vem, senta aqui.
Ela hesitou, mas acabou obedecendo, sentando-se a uma distância segura. Lucas inclinou-se um pouco para ela, o sorriso ainda no rosto.
— Você está bem? — perguntou ele, mas o tom era mais leve, como se quisesse deixá-la à vontade.
— Estou tentando entender o que aconteceu hoje — admitiu Clara, cruzando as pernas e pegando a taça de vinho que ele oferecia.
Lucas riu, um som baixo e confortável.
— É, foi uma noite meio... intensa.
Ela olhou para ele, desconfiada.
— Você parece tranquilo demais para alguém que acabou de fazer uma declaração.
Ele deu de ombros, recostando-se.
— Talvez porque eu percebi que me preocupar tanto não vai mudar nada. Não posso controlar o que você sente, Clara. Só posso ser honesto sobre o que eu sinto.
Clara ficou surpresa com a simplicidade da resposta. Estava tão acostumada a vê-lo controlado e cauteloso que essa versão mais relaxada parecia quase outra pessoa.
— E se eu não souber o que sinto? — perguntou ela, quase sussurrando.
Lucas virou-se para ela, o olhar cheio de uma calma inesperada.
— Então você não precisa decidir agora. Eu só quero que você saiba que, seja qual for sua escolha, eu vou estar aqui. Sempre estive, de um jeito ou de outro.
As palavras eram tão sinceras que Clara sentiu o peso no peito aliviar um pouco. Antes que pudesse responder, Rafael entrou na sala novamente, trazendo um ar despreocupado que parecia combinar com o de Lucas.
— Nossa, vocês dois parecem muito sérios. Que tal um jogo? — propôs ele, segurando uma garrafa de tequila.
Clara riu, balançando a cabeça.
— Você quer transformar isso numa festa de verdade, Rafael?
— Sempre. — Ele piscou para ela e colocou a garrafa na mesa de centro. — Que tal algo simples? Verdade ou desafio.
Lucas revirou os olhos, mas o sorriso no rosto mostrava que ele estava no clima.
— Isso é tão clichê, Rafael.
— Mas funciona. E depois dessa noite, aposto que vocês dois têm algumas verdades interessantes para compartilhar.
Clara olhou de um para o outro, percebendo que ambos estavam realmente mais descontraídos. Talvez o vinho tivesse ajudado, ou talvez fossem apenas as camadas de tensão sendo retiradas. De qualquer forma, ela se sentiu curiosa.
— Tudo bem — disse ela, pegando a garrafa e servindo um shot para cada um. — Mas sem perguntas invasivas.
Rafael abriu um sorriso travesso.
— Veremos.
O jogo começou leve, com perguntas bobas e desafios simples. Mas, como era de se esperar, as coisas logo ficaram mais intensas. Quando foi a vez de Lucas perguntar, ele olhou diretamente para Clara, os olhos brilhando de malícia.
— Verdade ou desafio?
Ela hesitou, mas escolheu:
— Verdade.
Lucas inclinou-se para frente, apoiando os cotovelos nos joelhos.
— Se você tivesse que escolher alguém nesta sala para beijar agora, quem seria?
Clara arregalou os olhos, sentindo o rosto esquentar.
— Você não disse que as perguntas seriam leves?
— Isso é leve. — Ele sorriu, relaxado.
Rafael, do outro lado, fingiu estar ofendido.
— Ei, isso não é justo! Você está se aproveitando da situação.
Clara respirou fundo, tentando se controlar.
— Eu acho que escolheria... nenhum de vocês.
Ambos fingiram indignação, mas Lucas apenas riu, erguendo a taça em um brinde.
— Tática segura. Mas isso não vai funcionar pra sempre, Clara.
Ela tentou ignorar o tom provocador na voz dele, mas algo naquela brincadeira a deixava cada vez mais à vontade. Rafael também parecia menos competitivo do que antes, como se o clima de rivalidade tivesse dado lugar a algo mais leve.
Quando o relógio marcou meia-noite, Clara percebeu que havia se soltado mais do que esperava. Eles riram, beberam, e por um momento parecia que nada além da amizade importava. Mas, no fundo, ela sabia que as coisas tinham mudado para sempre.
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Atualizado até capítulo 70
Comments
💕Sonia Sapelli
amando
2024-11-27
2
Anonymous
🥵🔥🥵🔥🥵🔥
2024-11-26
2
Anonymous
Amandooo
2024-11-26
2