Revelações E Dilemas

Sophie Blackwood

O dia começou como qualquer outro, mas algo em mim estava diferente. Desde que minha relação com Collin se aprofundou, cada manhã parecia mais brilhante, mais cheia de promessas. No entanto, naquela manhã, enquanto me vestia, senti uma leve tontura. Nada alarmante, mas algo que não era comum para mim.

Decidi ignorar. Talvez fosse apenas o calor, ou quem sabe a ansiedade sobre as responsabilidades que vinham com ser a esposa de um conde. No entanto, à medida que a manhã avançava, outros sinais começaram a aparecer: um enjoo leve quando tomei o chá, uma sensibilidade ao perfume das flores do jardim... e algo mais, algo difícil de explicar, mas profundamente instintivo.

Quando sentei-me no sofá da sala de estar, Samira apareceu.

– Você está pálida – disse ela, preocupada. – Está se sentindo bem?

– Estou bem, apenas um pouco indisposta.

Mas ela não parecia convencida.

– Sophie, você deveria chamar o médico. Não quero alarmá-la, mas...

Seu olhar hesitante me fez perceber. Ela sabia. Ou, pelo menos, suspeitava. E em um instante, tudo fez sentido.

– Não pode ser – murmurei, minha mão indo automaticamente para meu ventre.

– Só há uma maneira de saber – disse ela com um sorriso encorajador.

O médico foi chamado, e enquanto esperava por ele, meu coração disparava. A ideia de estar grávida era ao mesmo tempo assustadora e emocionante. Meu relacionamento com Collin estava longe de ser perfeito, mas nos últimos meses, ele havia se tornado o centro do meu mundo. A possibilidade de termos um filho juntos era... incompreensível.

O médico confirmou minha suspeita.

– Meus parabéns, Lady Blackwell – disse ele, com um sorriso. – Você está esperando um filho.

Eu deveria ter me sentido radiante, mas o que senti foi uma mistura de emoções: felicidade, medo e algo mais profundo que não consegui nomear.

Quando contei a Collin, sua reação foi tudo o que eu poderia esperar.

– Um filho? – Ele parecia atordoado, mas logo um sorriso genuíno se espalhou por seu rosto. – Sophie, isso é maravilhoso!

Ele me puxou para seus braços, segurando-me com tanta força que quase fiquei sem ar. Pela primeira vez, senti que tudo estava no lugar certo.

– Prometo a você – disse ele, olhando profundamente em meus olhos – que serei o melhor pai que nosso filho poderia ter.

Seu entusiasmo era contagiante, e por algumas horas, vivi em uma bolha de felicidade pura. No entanto, aquela alegria durou pouco.

Mais tarde, enquanto organizava alguns papéis no escritório de Collin, encontrei algo que me fez congelar. Era uma carta, parcialmente escondida entre livros e documentos antigos. Não era o tipo de coisa que eu deveria ler, mas algo no tom do texto me chamou a atenção.

..."Collin,...

...Espero que esta carta encontre você bem. Não sei se pode me perdoar, mas preciso que saiba a verdade sobre aquela noite. Meu coração ainda dói pelo que aconteceu, e lamento profundamente ter arruinado tudo entre nós. Se puder, por favor, responda. Eu ainda..."...

A carta estava inacabada, mas era suficiente para deixar meu coração pesado. A caligrafia era feminina, elegante, e as palavras carregavam um tom de intimidade que não consegui ignorar.

Quem era essa mulher? O que ela significava para Collin? E, mais importante, por que ele guardava essa carta?

Senti uma mistura de emoções: raiva, insegurança e medo. Não era justo julgar Collin por algo do passado, mas as palavras daquela carta me perseguiam.

Quando ele entrou no escritório, percebeu imediatamente que algo estava errado.

– Sophie?

– Quem é ela? – perguntei, segurando a carta para que ele visse.

Seu rosto mudou instantaneamente. Ele não tentou negar, mas também não parecia disposto a explicar.

– Não é o que você pensa – disse ele, sua voz tensa.

– Então, o que é? Porque, para mim, parece uma mulher lamentando algo que aconteceu entre vocês.

– É complicado.

– Complicado? – Minha voz subiu um tom. – Collin, estou carregando seu filho e você acha que "complicado" é uma resposta suficiente?

Ele passou a mão pelo cabelo, claramente frustrado.

– Foi alguém do meu passado, Sophie. Antes de você. Não tem importância agora.

Mas para mim, tinha.

– Por que guardou a carta, então?

Ele não respondeu de imediato, e aquele silêncio foi a pior coisa que ele poderia ter feito.

– Sophie, eu...

– Não quero ouvir desculpas, Collin. Quero a verdade.

– A verdade é que ela foi alguém que eu amei. Mas isso foi antes de tudo, antes da guerra, antes de você.

Aquelas palavras deveriam ter me tranquilizado, mas só alimentaram minha insegurança.

– E agora? Você ainda sente algo por ela?

– Não – disse ele, firme. – Você é minha esposa, Sophie. Você é tudo o que importa para mim agora.

Mas algo em seu tom não me convenceu completamente.

Passei o resto do dia tentando processar tudo. A gravidez, a carta, a reação de Collin... era muita coisa para lidar. Tentei conversar com Samira, mas suas palavras de consolo não foram suficientes para apagar as dúvidas em meu coração.

Naquela noite, Collin tentou se aproximar de mim, mas eu mantive uma distância.

– Sophie, por favor, não deixe que isso nos afaste.

– Preciso de tempo, Collin.

Ele suspirou, mas respeitou minha decisão.

Enquanto ele dormia, fiquei acordada, olhando para o teto e tentando imaginar o que o futuro reservava para nós. Eu o amava, disso não havia dúvida. Mas amar alguém era suficiente quando o passado daquela pessoa ameaçava seu presente?

No dia seguinte, Collin tentou fazer algo para suavizar a tensão entre nós. Ele me levou até o jardim, onde organizou um pequeno piquenique. Era seu jeito de pedir desculpas, de tentar reparar o dano causado pela descoberta daquela carta.

– Sophie, quero que saiba que você e nosso filho são tudo para mim.

Olhei para ele, meu coração dividido entre o amor que sentia e a dor da dúvida.

– Collin, eu quero acreditar em você. Quero confiar que o que temos é forte o suficiente para superar isso.

– Então confie – pediu ele, segurando minhas mãos. – Deixe-me provar que meu passado não tem poder sobre o nosso futuro.

Eu queria acreditar nele, mas sabia que seria um caminho difícil. Ainda assim, enquanto olhava para o homem que amava, decidi dar uma chance. Não apenas por mim, mas pelo filho que carregava e pelo futuro que queria construir ao lado de Collin.

A tensão entre nós não desapareceu imediatamente, mas aquele momento no jardim foi um começo. O amor que compartilhávamos ainda estava lá, e enquanto houvesse amor, havia esperança.

Collin parecia determinado a provar que suas palavras eram verdadeiras, e eu estava disposta a dar a ele essa chance. Afinal, o que tínhamos era precioso demais para ser destruído por fantasmas do passado.

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