Collin Blackwood
Sophie havia mudado tudo. Desde o momento em que a vi pela primeira vez, havia algo nela que me deixava desconcertado. Ela não era como as outras mulheres que cruzaram meu caminho ao longo dos anos. Sophie era diferente. Ela não tentava disfarçar sua vulnerabilidade ou a força que vinha dela. Cada gesto, cada sorriso, me fazia questionar todas as escolhas que fiz até aquele momento.
Quando sugeri visitarmos as estufas, não sabia ao certo por que o fiz. Talvez fosse o desejo de compartilhar com ela um lugar que me trouxe conforto em momentos de angústia. Talvez fosse simplesmente o desejo de prolongar nosso tempo juntos. O que eu não esperava era que aquele momento mudasse tudo.
A estufa estava banhada por uma luz dourada do fim da tarde, e o cheiro de terra e flores frescas preenchia o ar. Sophie caminhava à minha frente, parando ocasionalmente para admirar as plantas. Havia algo encantador na maneira como ela tocava as folhas com cuidado, como se cada uma fosse preciosa.
– Este lugar é lindo – disse ela, virando-se para mim com um sorriso que iluminou tudo ao redor.
– É um refúgio – respondi, observando-a. – Algo que eu precisava desesperadamente quando voltei da guerra.
Ela assentiu, seus olhos brilhando com compreensão.
– Acho que todos precisamos de um refúgio – disse ela suavemente.
Parou diante de uma planta com flores vermelhas vibrantes, e sem pensar muito, colhi uma das flores e a ofereci a ela.
– Para você.
Ela pegou a flor, segurando-a como se fosse algo valioso.
– Obrigada – disse, sua voz quase um sussurro.
Havia algo no jeito como ela olhou para mim naquele momento, algo que me fez querer mais. Dei um passo à frente, fechando a distância entre nós.
– Sophie...
Ela ergueu os olhos para mim, sua expressão um misto de curiosidade e algo mais profundo, algo que me fez perder o fôlego.
– Sim?
Minha mão se moveu por conta própria, afastando uma mecha de cabelo que havia escapado de seu penteado. Sua pele era suave sob meus dedos, e seu olhar era tão intenso que parecia capaz de ver através de mim.
– Há algo em você... algo que me deixa inquieto – confessei, minha voz mais baixa do que eu pretendia.
– Inquieto? – perguntou ela, com um sorriso tímido.
– Sim – respondi, inclinando-me um pouco mais. – No melhor sentido possível.
Eu sabia que estava cruzando uma linha, mas naquele momento, não me importava. Quando finalmente tomei coragem para inclinar-me mais, senti seu suspiro, suave como uma brisa, antes de nossos lábios se encontrarem.
O toque foi hesitante no início, como se nenhum de nós soubesse ao certo como proceder. Mas então, algo mudou. Sophie inclinou-se para mim, seus lábios se moldando aos meus com uma urgência que correspondia à minha.
Meu braço envolveu sua cintura, puxando-a para mais perto, enquanto minha outra mão subiu para segurar seu rosto. Havia algo indescritível naquele momento, algo que ia além de desejo ou atração. Era uma conexão profunda, algo que parecia antigo, como se estivéssemos destinados a estar ali, juntos, sob a luz dourada e o perfume das flores.
Quando finalmente nos afastamos, os olhos de Sophie estavam brilhando, e seu rosto estava corado de uma forma que me deixou ainda mais fascinado.
– Collin... eu...
Ela parecia perdida por palavras, e isso me fez sorrir.
– Não diga nada – pedi, minha voz rouca. – Apenas... fique aqui comigo.
Ela assentiu, e ficamos ali, em silêncio, por alguns momentos.
A caminhada de volta para a casa foi tranquila, mas o silêncio entre nós estava longe de ser desconfortável. Pelo contrário, parecia cheio de promessas não ditas, como se o que aconteceu na estufa fosse apenas o começo.
No entanto, à medida que a noite caía, comecei a me questionar. E se tivesse me precipitado? E se Sophie não estivesse pronta para algo mais entre nós? Essas dúvidas corroíam minha mente, mas eu sabia que não poderia deixá-las dominar-me.
Quando chegamos ao salão, Sophie parecia cansada, mas feliz.
– Eu deveria me retirar – disse ela, com um sorriso.
– Boa noite, Sophie – respondi, minha voz mais suave do que pretendia.
Ela hesitou por um momento, como se quisesse dizer algo mais, mas acabou apenas assentindo antes de se virar para subir as escadas.
Fiquei ali por um longo tempo, olhando para a escada vazia e tentando decifrar o que aquilo significava.
Na manhã seguinte, acordei cedo com um plano em mente. Queria fazer algo especial para Sophie, algo que mostrasse o quanto ela significava para mim. E para isso, eu precisaria da ajuda de suas irmãs.
– Elas ainda estão hospedadas na aldeia? – perguntei a meu mordomo, enquanto ele servia meu chá matinal.
– Sim, milorde. Posso enviar uma mensagem, se desejar.
– Por favor, faça isso. Peça-lhes que venham aqui no início da tarde.
Passaram-se algumas horas antes que as irmãs de Sophie chegassem, todas curiosas para saber o que eu planejava.
– Collin, qual é o motivo desse mistério? – perguntou Samira, a mais velha depois de Sophie.
– Quero fazer algo especial para Sophie – respondi, olhando para cada uma delas. – Ela trouxe algo para minha vida que eu não consigo descrever, e quero mostrar a ela o quanto isso significa para mim.
As irmãs trocaram olhares antes de sorrirem.
– Estamos à sua disposição – disse Amina. – O que você tem em mente?
Expliquei meu plano, e todas pareciam animadas para ajudar. Passamos a tarde nos preparando, certificando-nos de que tudo estivesse perfeito.
Quando o sol começou a se pôr, levei Sophie para o jardim. Ela parecia intrigada, mas não fez perguntas, confiando em mim de uma forma que me fez sentir algo profundo em meu peito.
Quando chegamos ao local preparado, os olhos dela se arregalaram. Havia luzes penduradas nos galhos das árvores, criando um brilho suave e acolhedor. No centro do jardim, suas irmãs estavam reunidas ao redor de uma mesa cheia de flores e pequenos pratos com seus doces favoritos.
– Collin, o que é isso? – perguntou ela, virando-se para mim com uma expressão de pura surpresa.
– É para você – respondi, segurando suas mãos. – Queria que soubesse o quanto você significa para mim.
Ela olhou para mim por um longo momento antes de sorrir, um sorriso tão radiante que parecia iluminar tudo ao nosso redor.
– Não sei o que dizer...
– Então, não diga nada – repliquei, inclinando-me para roçar seus lábios com os meus.
Passamos o restante da noite sob as estrelas, rindo e conversando. Era como se o mundo ao nosso redor não existisse, e naquele momento, tudo parecia possível.
Sophie e eu ainda tínhamos um longo caminho pela frente, mas pela primeira vez, senti que estávamos exatamente onde deveríamos estar.
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Atualizado até capítulo 37
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