Sophie Blackwood
Os últimos dias trouxeram uma calmaria inesperada para minha vida, uma pausa que eu não sabia que precisava. Meu casamento com Collin começou com uma incerteza quase palpável, mas agora, algo diferente estava se formando. Cada momento que passávamos juntos parecia trazer uma nova camada de compreensão entre nós. Ainda assim, uma dúvida constante permanecia: seria possível construir algo verdadeiro a partir de uma união tão inesperada?
Era uma manhã fresca, com o aroma das flores do jardim preenchendo o ar. Eu estava cuidando das rosas, tentando esquecer os pensamentos tumultuados que ocupavam minha mente. Collin aparecia frequentemente em minhas reflexões, o que era desconcertante. Talvez fosse a maneira como ele começara a me olhar, ou as palavras que ele dizia, tão repletas de uma honestidade que me desconcertava.
O som de passos no cascalho me tirou de meus devaneios. Ao me virar, encontrei Collin observando-me com os braços cruzados e um meio sorriso no rosto.
– Você parece perdida em pensamentos, Sophie – disse ele, aproximando-se.
– Estava apenas admirando as flores – respondi, ajustando o chapéu para esconder meu rubor.
Ele se abaixou ao meu lado, os olhos fixos nas rosas.
– São impressionantes, mas parecem exigir muito cuidado.
– Assim como qualquer coisa que valha a pena – repliquei, olhando para ele.
Nossos olhares se encontraram, e um silêncio confortável se instalou. Havia algo na proximidade dele, uma segurança que eu não sabia que poderia encontrar.
– Estava pensando... – ele começou, sua voz mais baixa do que o normal.
– Sim?
– Temos sido uma boa equipe ultimamente. Talvez seja hora de celebrarmos.
– Celebrar o quê? – perguntei, confusa.
– O fato de que, apesar de tudo, estamos fazendo isso funcionar.
Fiquei surpresa com a sinceridade dele, mas antes que pudesse responder, ele levantou-se e estendeu a mão para mim.
– Vamos dar uma caminhada. Quero lhe mostrar algo.
Sem hesitar, aceitei sua mão, e ele me guiou em direção à parte mais distante da propriedade.
---
Collin Blackwood
A decisão de levar Sophie até o lago foi impulsiva, mas parecia certa. Ela estava começando a ocupar um espaço que eu nunca imaginei ceder a alguém. Seu jeito curioso e resiliente, combinado com a delicadeza que demonstrava em cada gesto, estava quebrando as barreiras que eu erguera ao longo dos anos.
– Este é o lugar onde venho pensar – expliquei, ao chegarmos ao lago escondido pela floresta.
Sophie olhou ao redor, seus olhos explorando cada detalhe.
– É lindo, Collin. Por que nunca me trouxe aqui antes?
– Talvez porque nunca senti que alguém pudesse entender o que este lugar significa para mim – admiti, minha voz mais suave do que pretendia.
Ela se aproximou da água, a luz do sol refletindo nas ondas enquanto ela observava o horizonte.
– Acho que entendo – disse ela, depois de um momento. – Às vezes, precisamos de um lugar onde possamos simplesmente ser nós mesmos.
Suas palavras ecoaram em minha mente. Ela era tão perspicaz, tão diferente de qualquer pessoa que eu já conhecera.
– Sophie – comecei, hesitante. – Quero que saiba que, apesar das circunstâncias, você tem sido uma surpresa inesperada.
Ela se virou para mim, surpresa.
– Surpresa boa ou ruim?
Sorri, balançando a cabeça.
– Definitivamente boa.
Um rubor subiu às suas bochechas, e ela desviou o olhar.
– Você também tem sido uma surpresa, Collin – disse ela, quase sussurrando.
Por um momento, fiquei imóvel, absorvendo suas palavras. Algo dentro de mim queria se aproximar, romper a distância que ainda existia entre nós.
– Sophie, há algo que quero lhe perguntar.
– O que é?
– Você acredita que podemos fazer isso funcionar? Não apenas como um acordo, mas como algo... real?
Ela me olhou, sua expressão vulnerável, mas determinada.
– Acho que depende de nós dois, Collin. Mas estou disposta a tentar.
Suas palavras acenderam algo dentro de mim, uma esperança que eu não sentia há anos.
---
Sophie Blackwood
Os dias que se seguiram ao nosso passeio foram diferentes. Collin estava mais aberto, mais presente. Ele começou a me procurar para pequenas coisas: opiniões sobre a propriedade, sugestões para os eventos que planejávamos para os inquilinos. Cada momento compartilhado era um tijolo na construção de algo que parecia sólido, mas ainda frágil.
Uma tarde, enquanto revisávamos os preparativos para um baile de primavera que seria realizado na propriedade, percebi o quanto ele confiava em mim.
– Você tem um dom para isso – comentou, ao revisar as flores que eu escolhera.
– Um dom para flores?
– Para criar harmonia.
Seus elogios sempre vinham de forma inesperada, pegando-me de surpresa.
– Acho que isso vem de anos tentando mediar conflitos entre minhas irmãs – brinquei.
Ele riu, um som tão raro e precioso que fazia meu coração acelerar.
– Espero que não seja muito difícil mediar os meus conflitos também.
– Você é mais fácil de lidar do que pensa, Collin – respondi, sorrindo.
Enquanto organizávamos os últimos detalhes, percebi que ele me observava, seus olhos fixos em mim.
– O que foi? – perguntei, sentindo-me autoconsciente.
– Nada... Só estava pensando em como você se encaixa aqui.
Suas palavras me pegaram de surpresa, e por um momento, não soube o que responder.
---
Collin Blackwood
O baile de primavera foi um sucesso. Ver Sophie interagindo com os convidados, sua graça e inteligência brilhando em cada conversa, foi uma das experiências mais gratificantes que já tive.
Enquanto a música tocava, observei-a do outro lado do salão, meu peito se enchendo de algo que eu relutava em admitir.
– Collin, por que está escondido aí? – A voz de Sophie me tirou de meus pensamentos.
– Só estava admirando o trabalho que você fez aqui.
– Você poderia ter feito isso enquanto dançava comigo – provocou ela.
Ofereci meu braço, e ela aceitou sem hesitar. Conduzi-a até o centro da pista, onde nos misturamos aos outros casais.
Enquanto dançávamos, percebi o quanto ela confiava em mim. Sua mão repousava na minha com delicadeza, e seus passos hesitantes mostravam que ela se entregava completamente ao momento.
– Sophie, você sabe o quanto é incrível? – perguntei, minha voz baixa o suficiente para que apenas ela ouvisse.
Ela ergueu os olhos, surpresa.
– Acho que nunca ninguém me disse isso antes.
– Então é hora de começar a ouvir.
Por um momento, o mundo ao nosso redor desapareceu. Não era apenas uma dança; era um começo, um novo capítulo que estávamos escrevendo juntos.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 37
Comments