Collin Blackwood
O amanhecer trouxe consigo uma leve neblina, cobrindo os jardins de Blackwood Hall com um manto suave que desaparecia à medida que o sol subia. A casa estava estranhamente silenciosa, o tipo de silêncio que só se encontra nas primeiras horas do dia. Eu já estava acordado há algum tempo, meus pensamentos girando incessantemente sobre a noite anterior.
O beijo que compartilhei com Sophie parecia mais um sonho do que realidade, mas a sensação de seus lábios ainda estava gravada em minha mente. A coragem que ela demonstrou ao se entregar àquele momento foi algo que me cativou profundamente. Ela não era apenas diferente de todas as mulheres que eu conhecera, mas também única em maneiras que eu ainda estava descobrindo.
Eu precisava fazer algo por ela, algo que mostrasse o quanto ela estava começando a significar para mim. E foi aí que uma ideia começou a se formar. Sophie falava frequentemente de suas irmãs, de como sentia falta delas, e eu sabia que trazê-las para perto dela seria um gesto que ela jamais esperaria.
Depois de vestir-me com simplicidade, fui até o escritório e escrevi algumas cartas. Blackwood Hall era relativamente próxima da casa de seus pais, e eu sabia que conseguir reunir suas irmãs aqui seria uma tarefa complicada, mas não impossível.
Enviei os bilhetes com urgência para a propriedade dos Al-Hamid e pedi aos meus criados para preparar um quarto extra para cada uma delas. Também ordenei que uma pequena recepção fosse organizada no jardim. Queria que Sophie se sentisse amada e conectada novamente às pessoas que eram seu alicerce.
Enquanto esperava uma resposta das irmãs, a ansiedade começou a tomar conta de mim. O que Sophie pensaria disso? Ela ficaria emocionada? Ou será que interpretaria meu gesto como intrometido?
Depois de organizar os detalhes, desci para o café da manhã. Sophie já estava à mesa, vestindo um vestido azul claro que destacava o tom dourado de sua pele. Ela parecia mais radiante do que nunca, embora um pouco desconfiada da minha presença tão cedo.
– Bom dia, Collin – cumprimentou, os olhos fixos em mim com uma mistura de curiosidade e suavidade.
– Bom dia, Sophie – respondi, tentando parecer casual.
Enquanto tomávamos o café da manhã, sua conversa era animada, mas algo nela parecia mais aberto, mais próximo. Era como se o beijo da noite anterior tivesse quebrado uma barreira invisível entre nós.
– Você parece... distraído hoje – observou ela, arqueando uma sobrancelha.
– Talvez eu tenha algo em mente – confessei, sorrindo levemente.
– Algo que eu deva saber?
– Ainda não – respondi, levantando-me. – Mas espero que seja uma surpresa agradável quando o momento certo chegar.
Ela riu suavemente, mas não pressionou mais, e isso apenas aumentou minha admiração por sua paciência.
Algumas horas depois, os criados começaram a trazer baús e malas para a casa. Eu mesmo fui ao encontro das irmãs de Sophie na entrada. As cinco eram diferentes umas das outras em aparência e personalidade, mas o vínculo entre elas era evidente.
A mais velha, Leila, me cumprimentou com um sorriso respeitoso, mas seus olhos analisavam tudo ao redor com curiosidade. Samira e Yasmin, as gêmeas do meio, pareciam mais animadas, conversando animadamente enquanto observavam a grandiosidade de Blackwood Hall. Noor, a mais nova, parecia tímida, mas seus olhos brilhavam de excitação.
– Lorde Blackwood, é uma honra estar aqui – disse Leila, inclinando levemente a cabeça.
– Por favor, me chamem de Collin – respondi. – Esta é uma visita especial, e quero que se sintam à vontade.
Expliquei-lhes rapidamente meu plano e como queria que a chegada delas fosse uma surpresa para Sophie. As irmãs estavam claramente emocionadas, e todas concordaram em se esconder nos aposentos preparados até que eu desse o sinal para a surpresa.
O jardim estava transformado em um cenário de conto de fadas. Lanternas coloridas estavam penduradas entre as árvores, mesas foram decoradas com flores frescas e comidas tradicionais que Sophie adorava estavam sendo preparadas na cozinha.
Enquanto verificava os detalhes, percebi que estava mais nervoso do que o normal. Havia algo em querer agradar Sophie que me deixava mais ansioso do que enfrentar batalhas na guerra.
Quando tudo estava pronto, pedi que Sophie me encontrasse no jardim. Ao chegar, ela parou, seus olhos se arregalando enquanto observava a decoração.
– Collin, o que é tudo isso? – perguntou, parecendo genuinamente surpresa.
– Apenas algo que achei que você gostaria – respondi, oferecendo-lhe meu braço.
Conduzi-a até o centro do jardim, onde as mesas estavam dispostas, e então fiz um sinal para que suas irmãs saíssem de seus esconderijos.
Quando Sophie viu as figuras familiares, seus olhos se encheram de lágrimas.
– Leila? Samira? Yasmin? Noor? – ela exclamou, correndo para abraçá-las.
O reencontro foi emocionante, e eu fiquei de lado, observando enquanto ela ria e chorava ao mesmo tempo, cercada por suas irmãs.
Mais tarde naquela noite, depois que todos já estavam acomodados e as irmãs de Sophie foram para seus quartos, eu a encontrei novamente no jardim. Ela estava sentada em um banco, olhando para o lago sob a luz das estrelas.
– Você sabia que esta era a coisa que mais me faria feliz, não sabia? – perguntou ela, sem se virar para me olhar.
– Suspeitei que poderia ser – confessei, sentando-me ao seu lado.
– Foi mais do que eu poderia imaginar. Collin... você é mais do que esperava encontrar em um marido.
Fiquei em silêncio por um momento, absorvendo suas palavras.
– E você, Sophie, é mais do que eu jamais sonhei merecer – admiti, minha voz mais baixa do que pretendia.
Ela virou-se para mim, seus olhos brilhando à luz da lua. Havia algo em seu olhar que me fez sentir como se todo o mundo desaparecesse, como se estivéssemos apenas nós dois ali.
– Acho que posso estar começando a me apaixonar por você – disse ela suavemente, quase como se estivesse com medo de admitir.
Meu coração deu um salto, e antes que pudesse pensar, segurei sua mão.
– Sophie, eu já me apaixonei por você – respondi, e dessa vez, não houve hesitação em minha voz.
O sorriso que ela me deu naquele momento era o mais puro que já tinha visto, e percebi que faria qualquer coisa para vê-lo novamente.
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Atualizado até capítulo 37
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