Osgur
-Di, você acha que todos os meus amiguinhos vão vir? -pergunta levando a melancia até a boca.
-Claro! Por que não viriam.
-Eu quero muito que todos venham, principalmente a Eloísa, ela é minha melhor amiga.
-Tenho certeza que todos que te amam estarão aqui.
-Meu tio Arthuro vai vir também com a namorada dele. Ele é muito bonito, tanto quanto papai.
-Que bom -
Diandra sorri parecendo não dá muita importância.
-Meu vovo chegará hoje do Havaí com a esposa dele, ela uma modelo, sabia?
-Serio, ela deve ser linda.
-Ela é, e você também é muito linda.
Fico de trás da porta ouvido a conversa das duas, Felicia estava certa Diandra era uma moça muito bonita, com um sorriso radiante e olhos azuis que contrastam com sua cabeleira negra, que se apresenta com uma calma e profissionalismo que me surpreende, pois nunca havia trabalhado com crianças antes e isso de certo modo poderia ser algo preocupante.
Ela aceitou o emprego de babá para Felicia com uma desenvoltura que me deixa ligeiramente desconcertado. Sua presença, porém, já ameniza a atmosfera opressiva da casa, trazendo consigo um leve aroma de jasmim e uma aura de serenidade que começa a dissolver a reserva daquela mansão.
A sombra da minha dor ainda é presente, volta e meia me pegou pensando nela, na mulher que havia destruído o meu coração. Sempre quando chego do trabalho me sento na brinquedoteca da mansão, Felicia conta tudo sobre o seu dia e parece tão feliz com a chegada da Diandra, pela primeira vez em muito tempo, sinto um leve alívio.
Como era dia do aniversário da Felicia, decidi que não cuidaria de trabalho, até por que na manhã seguinte teria que viajar à trabalho. Subi para o quarto para tomar banho, precisava me arrumar para a grande festa, pedi para que Nina ficasse atenta, pois hoje a minha secretária Lucia traria as passagens para Lisboa.
A minha roupa estava sobre a cama passada e engomada, entrei para o banho para que pudesse-me aprontar, já que em meia hora chegaria os convidados.
A água caía sobre a minha cabeça e escorria sobre o meu corpo, a dor me traz novamente as suas últimas palavras de despedida, palavras essas que fazem eco na minha alma, as lágrimas correm com a água do chuveiro, sinto-me frágil e vulnerável.
Saio do chuveiro e sento-me na poltrona ao lado da cama, olho para o seu retrato que ainda insisto em deixar no criado mudo. Não havia notado que a porta havia ficado entreaberta, ela empurra levemente e entra.
Ela parece um tanto inesperada e envergonhada, já que continuo sentado em minha poltrona, enrolado em uma toalha branca, o cabelo molhado escorrendo por meu pescoço.
Fico surpreso com a sua presença, mas talvez por conta da dor continuo intacto no mesmo lugar. A luz fraca e amarela ilumina o ambiente, revelando a musculatura definida do meu corpo, algo que com certeza os ternos escondem. O aroma do seu perfume floral invade o meu quarto, contrastando com a fragrância do meu sabonete. O ar está carregado de uma eletricidade latente, um silêncio eloquente que quebra a formalidade do ambiente.
A dor, angústia e tristeza que estava sentindo parece muito distante agora; o foco se estreita na tensão palpável entre nós dois.
-Sr. Osgur, me desculpas não foi minha intenção entrar dessa maneira -Fala com a voz trêmula, quebrando o silêncio tenso que se instalou entre nós dois.
-Não se preocupe, eu devia ter ouvido você bater na porta. -Respondo analisando o seu rosto.
-Trouxe os documentos e as passagens que a sua secretária trouxe, Dona Nina está um tanto ocupada e não pôde vir entregar. -Ela sorri levemente, um gesto quase imperceptível que não chega a disfarçar a tensão em seu olhar.
O contraste entre a sua preocupação genuína e sua aparente indiferença a torna ainda fofa. A toalha branca, ainda úmida, adere ao meu corpo, salientando a definição muscular. A visão é ao mesmo tempo perturbadora e atraente. Noto um leve tremor em suas mãos, que ela tenta esconder, segurando os documentos. Um breve momento de hesitação, e então ele se move, colocando os papéis com um gesto cuidadoso sobre a cama, sorrio por um momento e ela sai, deixando apenas o seu aroma.
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Atualizado até capítulo 117
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