Diandra
O sol atravessava a pequena janela do quarto simples, iluminando pequenos detalhes que eu havia esquecido de arrumar. Aquele era o grande dia da minha entrevista como babá para uma família muito rica. O meu coração batia acelerado, misturando nervosismo e expectativa. Olhei para o espelho, tentando organizar meus pensamentos e escolher um vestido que me fizesse parecer confiante, mas não excessivamente chamativa. Era apenas uma entrevista.
Arrumada vou até a cozinha, a casa era pequena e só havia três cômodos, a cozinha, meu quarto e o quarto da minha mãe. Sei que ela já havia levantado, pois o cheiro de café fresco exalava pela casa.
-Bom dia mamãe -Digo dando um beijo no seu rosto.
-Bom dia querida, como você está linda.
-Que isso mamãe, coloquei apenas um vestido simples, hoje tenho a entrevista de emprego que havia mencionado ontem -Digo me sentando a mesa para tomar o café da manhã.
-Querida espero que consiga esse emprego, vai nos ajudar muito. - Ela fala olhando para as constas que estão em cima da mesa.
-Mamãe não se preocupe com isso -Respondo retirando as contas da mesa e às guardando na minha bolsa. -Preciso ir.
Dou-lhe um beijo carinhoso, ela me deseja boa sorte e saio a caminho da grande entrevista. Com a bolsa a tiracolo e uma pasta cuidadosamente preparada, saí de casa com a determinação de que esta era a oportunidade que poderia mudar a minha vida, já que Nina dizia que a família pagava acima do valor que geralmente ofereciam no mercado.
O ponto do ônibus estava cheio como sempre, a vida do pobre não era nada fácil, nina havia me passado a rota para chegar até o local, a viagem era um pouco longa, por isso dormia no trabalho e só voltava nos fins de semana. O alvoroço para entrar do ônibus havia começado, um empurra de um lado o outro do outro e me pergunto por que tenho que passar por isso? Claramente todo pobre também faz essa mesma pergunta.
O trânsito lento me dá tempo para observar a paisagem que passa, prédios, pessoas indo e vindo por toda parte. O condomínio fechado era em um bairro muito nobre e longe do centro, o ônibus me deixou em um ponto vazio, estava claro que naquela região não passava ônibus, ou seja, tinha que subir uma rua longa e bem iluminada a pé. A rua era bem cuidada, pois havia flores de ambos os lados, a grama era bem verde e emanava aquele cheiro de mato Verde que eu gostava tanto.
Continuei andando apressada, maravilhada com a paisagem, talvez por azar ou por falta de atenção, pisei em falso e a merda do salto do sapato havia quebrado. Maravilha eu havia quebrado o salto, e agora? Como eu iria chegar na entrevista daquela maneira. Paro no meio fio da calçada e tiro o sapato, minha bolsa está jogado no chão, a fúria tinha me tomado naquele momento.
-Eu não acredito nisso -Digo tirando o salto do pé, enquanto estou apoiada num poste de luz, distraída não percebo um carro preto luxuoso parando do outro lado da rua.
-Você está bem?
Ouço uma voz grossa masculina ecoando ao meu lado, olho para ver quem poderia ser. O rapaz era alto, cabelos negros, uma pele bronzeada, olhos castanhos escuros, eu nunca havia tanta beleza numa única pessoa.
-Moca, está tudo bem? -Volta a repetir, já que eu estava paralisada por sua beleza. Ele dá um sorriso de canto.
-Estou sim, obrigada -Falo colocando o sapato de volta no pé.
-Vejo que você quebrou o sapato -Diz olhando para os meus pés, fico envergonhada com toda aquela situação.
-Para o meu azar sim, estou indo para uma entrevista de emprego e agora acontece isso, quanto azar da minha parte -Digo apanhando a bolsa do chão.
-Você calça 36 não é mesmo?! -Fala olhando para os meus pés novamente.
-Sim.
Ele vai até o carro no banco de trás pega uma sacola e nela tem uma caixa, a caixa era preta e parecia ser luxuosa, ele se aproxima de mim e se abaixa, tira dois lindos saltos vermelhos de bico fino e põe nos meus pés.
-Senhor, não posso aceitar -Digo arregalando os olhos
-Se você não aceitar, poderá perder o seu futuro emprego.
Paro para pensar e ele estava certo, eu não poderia aparecer na entrevista com o sapato quebrado.
-Por favor me passa o seu telefone para que assim eu possa te devolver -pego o celular da bolsa, mas ele hesita, diz que não será necessário, entra dentro do carro e sai deixando apenas o seu cheiro.
"Que homem lindo era aquele".
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Atualizado até capítulo 117
Comments
Alessandra Almeida
Pela descrição é bem provável que seja o Arturo😊
2025-01-08
2
Anonymous
Arthuro🥰
2025-01-01
0
Fatima Gonçalves
É O IRMÃO DELE
2024-12-26
0