Sai do quarto deixando ela sozinha, andando pelo corredor fui até o quarto de felicia, abri apenas uma brecha da porta e fiquei olhando para aquele pequeno anjo, como eu iria explicar e dizer que sua mãe tinha desistido de nós, que ela um dia decidiu ir embora, pois não era feliz ao meu lado mais.
Desci e me deitei no enorme sofá que ficava na sala do andar de baixo, na mesa de centro o whisky me convidava para que eu pudesse me afogar em seu gosto. Ainda deitado avisto Salomé descendo as escadas com em mala de rodinhas em mãos, seu olhar era uma mistura de tristeza e determinação, ela já tinha tomado sua decisão
Ela pediu para que eu entendesse. Sinto-me como se estivesse afundando em um mar de tristezas, tentei argumentar, fazer com que relembrasse os momentos felizes e oferecer novas promessas, mas Salomé estava determinada.
-Não é você, sou eu -Diz com lágrimas nos olhos.
Acordei pela manhã com o coração estilhado, já que Salomé havia me deixado para sempre. A luz do sol se filtrava pelas cortinas, mas não conseguia iluminar a escuridão dentro de mim. O eco da sua risada ainda ressoava em minha mente, mas o silêncio que restava só fazia aumentar a dor da sua ausência.
Durante a noite fui ao canto da casa onde costumávamos nos sentar, aquele sofá grande e luxuoso ainda guardava o cheiro do nosso amor. Em vez do perfume doce dela, uma brisa morna trazia a lembrança das longas noites que passamos juntos, compartilhando sonhos e segredos. Agora, tudo o que me restava era uma garrafa de whisky que Salomé detestava, mas que para mim era meu novo e único refúgio.
O líquido âmbar parecia brilhar de forma sedutora, prometendo uma fuga das memórias que me assombravam. Cada gole que tomava era como uma facada no coração, mais uma lembrança dilacerante de risos, abraços e promessas sussurradas ao luar. Eu sabia que não iria encontrar Salomé naquela garrafa, mas, naquele momento, cada trago era uma tentativa de anestesiar a dor.
Ouço a porta da entrada do apartamento se abrindo, era Arthuro meu irmão mais novo, ele me encontrou brincando no sofá, cercado por copos vazios. O cheiro de álcool pairava no ar, enquanto eu tentava fundar em pensamentos que só faziam sentido com um trago a mais.
-Você está bem? -Arthuro disse, com a preocupação estampada no rosto.
Ele era sempre o responsável, o mais sensato de nós dois, e agora estava ali, me olhando como se eu fosse um cristal frágil prestes a quebrar.
-Estou ótimo -respondi com um sorriso bobo, tentando esconder a verdade.
A verdade é que eu estava fugindo. Fugindo dos meus sentimentos por Salomé, a mulher que me fazia sentir que todos os meus sonhos eram possíveis. Mas depois daquela última conversa, onde ela disse que precisava de espaço, eu não sabia como lidar com a dor. Então, optei por me perder em garrafas que são mais compreensivas do que as palavras que nunca consegui dizer.
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Atualizado até capítulo 117
Comments
Anonymous
😁
2025-01-01
0
Layane Amorym
😁
2025-01-01
0
Fatima Gonçalves
eita que coisa
2024-12-26
1