Roney saiu da casa de sua tia Rosalinda, a raiva e a decepção ainda o consumindo. No turbilhão de emoções, ele pegou o celular de Rosalinda na mesa, confundindo-o com o seu próprio. Ele não percebeu o erro até já estar na rua.
Enquanto isso, dentro da casa, Helena desabava em lágrimas diante de Rosalinda. O choro era convulsivo, carregado de arrependimento e desespero.
"Eu sou uma péssima mãe, Rosalinda," ela soluçava, entre soluços. "Eu o abandonei… e agora ele me odeia. Eu mereço isso… eu mereço toda a dor que estou sentindo."
Rosalinda se aproximou, colocando uma mão em seu ombro. Ela entendia a dor de Helena, mas também sentia a profunda ferida que ela havia causado em Roney.
"Helena," Rosalinda disse, sua voz suave e compassiva. "Eu sei que você se arrepende. E eu sei que a dor que você sente é imensa. Mas dar tempo ao tempo é importante. Roney precisa processar tudo o que aconteceu. Ele precisa lidar com a dor da sua ausência, com a decepção que você causou."
Ela continuou, com firmeza e carinho: "Não espere que ele te perdoe imediatamente. Talvez ele nunca te perdoe. Mas se você realmente se arrepende, mostre isso com ações. Dê tempo a ele, dê tempo a si mesma. Trabalhe em si mesma, procure ajuda se precisar. Mostre a ele, com o tempo, que você mudou, que você se tornou uma pessoa melhor."
Rosalinda serviu um copo de água para Helena, que o bebeu em grandes goles, tentando acalmar a garganta seca e a alma ferida. O silêncio pairou entre elas por um momento, quebrado apenas pelo som das lágrimas de Helena. Rosalinda a abraçou, oferecendo-lhe o conforto que ela tanto precisava, enquanto o peso do passado e a incerteza do futuro se misturavam no ar. A jornada de reconciliação seria longa e difícil, mas a semente da esperança havia sido plantada. O tempo, agora, seria o grande juiz.
Ao chegar em seu restaurante, a realidade atingiu Roney em cheio. Ele percebeu que o celular que carregava não era o seu, mas sim o de sua tia Rosalinda. A culpa o atingiu como um soco no estômago. No entanto, antes de devolver o aparelho, sua curiosidade falou mais alto. Ele vasculhou os contatos, seus olhos parando em um nome: Sarah. A foto anexada ao contato mostrava uma mulher sorridente, com olhos brilhantes e um ar misterioso que o atraiu instantaneamente. Algo nele se sentiu conectado a essa desconhecida. Sem pensar muito, Roney enviou o número para seu celular.
Depois do trabalho, Roney voltou para a casa de sua tia, o celular de Rosalinda na mão. Ele entregou o aparelho, sentindo-se envergonhado pela sua indiscrição.
"Tia, me desculpe. Eu peguei seu celular sem querer," ele disse, a cabeça baixa.
Rosalinda sorriu, aliviada por ter o celular de volta. "Está tudo bem, meu bem. O importante é que você trouxe de voltar." Ela então mudou de tom, sua voz se tornando mais séria. "Roney, eu preciso que você me ouça. Sua mãe está sofrendo. Ela está arrependida. Todo mundo merece uma segunda chance."
Roney a interrompeu, a voz firme e dolorida. "Tia, eu não tenho mãe. Ela me abandonou. Ela não merece meu perdão."
Rosalinda o olhou com compaixão, mas sem perder a firmeza em seu olhar. "Roney, eu sei que a dor é grande. Mas o ódio só te machuca. Perdoar não é esquecer, não é minimizar o que aconteceu. Perdoar é libertar a si mesmo do peso da raiva, é permitir que a cura comece. Sua mãe errou, sim, mas ela está sofrendo. Dar uma segunda chance não significa que você precisa voltar a ter um relacionamento com ela, mas que você se liberta do peso da amargura."
Ela continuou, sua voz suave mas insistente: "Pense bem, Roney. O perdão não é para ela, é para você. É para você poder seguir em frente, livre do peso do passado. Dê a si mesmo essa chance, essa libertação." Rosalinda o abraçou, transmitindo-lhe a força e o apoio que ele tanto precisava, enquanto a imagem de Sarah, aquela desconhecida que o havia atraído de forma tão inesperada, pairava em sua mente, um vislumbre de um futuro ainda incerto, mas cheio de possibilidades.
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Atualizado até capítulo 99
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