A noite de núpcias passou em um turbilhão de emoções. Daniel, carinhoso e atencioso, a envolveu em seus braços, sussurrando palavras doces em seu ouvido. Silvia correspondeu aos seus beijos, mas um vazio persistiu em seu coração. Um vazio que ela tentava ignorar, mas que insistia em se manifestar em pensamentos intrusivos.
Guido.
O nome ecoou em sua mente como um fantasma. A imagem de seu sorriso travesso, de seus olhos castanhos intensos, invadiu seus sonhos. Ela o amava. Amava o Guido que conheceu na juventude, o Guido que a fez sentir viva, o Guido que a fez sonhar com um futuro juntos.
Daniel, com sua presença constante, com seu amor paciente e incondicional, a ajudou a seguir em frente. Ela o amava, sim. Mas o amor por Guido, um amor que nasceu na juventude, que floresceu em sonhos e promessas, jamais se apagou.
Era como se seu coração estivesse dividido em dois. Um lado pulsava por Daniel, o seu primeiro amor o homem que a acolheu, que a fez feliz, que a amava com a mesma intensidade que ela o amava. O outro lado, porém, guardava uma lembrança sagrada, um amor que jamais se esqueceria.
Silvia se perguntava como Guido estava. Se ele se lembrava dela, se ele ainda a amava. Se ele tinha encontrado a felicidade que ela não conseguiu lhe dar. Eram perguntas sem respostas, que a assombravam como um espectro.
Ela se sentia culpada por amar dois homens ao mesmo tempo. Era como se estivesse traindo Daniel, mesmo que ele nunca soubesse de seus pensamentos. Mas o amor, ela sabia, era um sentimento complexo, cheio de nuances e contradições.
Silvia tentava se concentrar em sua vida com Daniel, em construir um futuro juntos. Mas a sombra de Guido pairava sobre ela, um lembrete constante de um amor perdido, de um passado que jamais se apagou.
O sol da tarde banhava a rua, pintando de dourado as folhas das árvores. Silvia caminhava apressada, seus pensamentos presos aos afazeres do dia a dia. De repente, uma voz familiar a fez parar.
"Silvia? É você mesma?"
Ela se virou, seus olhos encontrando os de Laura, uma antiga colega de faculdade. O tempo havia passado, mas Laura ainda carregava o mesmo sorriso acolhedor.
"Laura! Que surpresa! Como você está?" Silvia abraçou a amiga, sentindo uma onda de nostalgia.
"Estou bem, e você? Como está a vida de casada?" Laura perguntou, seus olhos brilhando de curiosidade.
Silvia hesitou por um instante, antes de responder: "Estou feliz, sim. Mas... e você? Como está a vida?"
Laura suspirou, um tom de tristeza em sua voz. "Sabe, Silvia, eu queria tanto te contar... Mas não sabia como."
Silvia sentiu um aperto no coração. "O que foi, Laura? Conte-me."
"Guido... ele teve um AVC. Morreu há alguns meses."
O mundo de Silvia parou. A notícia caiu sobre ela como um raio, deixando-a atônita. Guido, morto? Mas como? Ela não conseguia acreditar.
Silvia se sentiu tonta. As lágrimas brotaram em seus olhos, quentes e salgadas. Guido, o homem que ela tanto amou, estava morto. E ela, sem saber, havia vivido todos esses anos sem saber de sua existência, sem saber de sua dor, sem saber de seu fim.
"Onde ele foi enterrado?" Silvia perguntou, sua voz tremendo.
Laura lhe deu o endereço do cemitério. Silvia agradeceu, ainda em choque, e se despediu da amiga, sentindo-se perdida e vazia.
No dia seguinte, Silvia foi ao cemitério. Encontrou o túmulo de Guido, simples e discreto. Ela se ajoelhou, suas mãos tremendo enquanto depositava um buquê de flores brancas sobre a lápide.
"Guido", ela sussurrou, as lágrimas escorrendo pelo seu rosto. "Desculpe por tudo. Desculpe por não ter estado aí para você. Desculpe por não ter te procurado. Desculpe por ter vivido todos esses anos sem saber de você."
.
"Eu te amo, Guido", ela sussurrou, sua voz rouca de emoção. "Eu sempre te amarei."
Silvia ficou ali por um longo tempo, em silêncio, apenas observando o túmulo, sentindo o peso da perda e da saudade. Ela sabia que nunca mais o veria, que nunca mais sentiria o calor de seus braços, que nunca mais ouviria sua voz. Mas ela também sabia que o amor que sentia por ele jamais se apagou.
Ela se levantou, suas pernas bambas, e se afastou do túmulo, levando consigo a lembrança de Guido, um amor que jamais se esqueceria.
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Atualizado até capítulo 99
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