Helena observava seu reflexo no espelho, admirando a própria beleza. Seus cabelos castanhos, impecavelmente penteados, emolduravam um rosto fino e elegante. Os olhos castanhos, frios e calculistas, brilhavam com uma ambição insaciável. Ela era a mulher que sempre teve tudo o que quis, mas nunca se contentou.
Casada com Carlos, um homem rico e poderoso, Helena vivia em uma mansão luxuosa, rodeada de mordomias. Mas a vida com Carlos era monótona, sem paixão. Ele era um marido atencioso, mas não a incendiava. Helena buscava algo mais, algo que a fizesse sentir viva.
E foi assim que ela conheceu Beto. Ele era jovem, charmoso e cheio de vida. Um contraste total com Carlos, que já se mostrava cansado e acomodado. O caso deles começou como um jogo, uma aventura, mas logo se transformou em uma paixão avassaladora.
Helena vivia uma vida dupla, dividida entre o conforto da mansão e os encontros clandestinos com Beto. Ela se sentia livre, poderosa, finalmente vivendo a vida que sempre desejou. Mas sua felicidade era frágil, construída sobre uma base de mentiras e traições.
Um dia, o destino, cruel e implacável, decidiu acabar com a farsa. Carlos, desconfiado da mudança no comportamento de Helena, resolveu segui-la. Ele a encontrou na cama com Beto, em um motel barato, a poucos quarteirões de sua casa.
A fúria de Carlos foi incontrolável. Ele a expulsou de casa, sem hesitar. Helena, em prantos, implorou por uma segunda chance, mas Carlos foi implacável. Ele a deixou na rua com apenas uma mala e seu filho, Roney, de oito anos, que dormia tranquilamente em seus braços.
Beto, ao saber da situação, se recusou a acolher Roney em sua casa. Ele não queria responsabilidades, não queria comprometer sua liberdade. Helena, desesperada, levou Roney até o parque de diversões, o lugar que ele tanto amava.
Enquanto Roney se divertia nos brinquedos, Helena observava-o de longe, seu coração dilacerado. Ela sabia que não poderia cuidar dele, que não estava preparada para a responsabilidade.
Com um nó na garganta, Helena se aproximou de Roney, que brincava com um carrinho de bate-bate. Ela o abraçou, beijou-o na testa e sussurrou: "Mamãe te ama, meu filho. Mas eu preciso ir. Cuide-se, meu amor."
Sem olhar para trás, Helena se afastou, deixando Roney sozinho no parque de diversões. O menino, inocente e sem entender o que estava acontecendo, esperou por sua mãe, mas ela nunca mais voltou.
Roney ficou vagando pelas ruas, sozinho e perdido. Ele tinha apenas oito anos e não sabia para onde ir, nem para quem pedir ajuda. Dias se passaram, e a fome e o medo se tornaram seus companheiros inseparáveis. Ele dormia em bancos de praça, se alimentava de sobras de comida e implorava por moedas para sobreviver.
Helena, enquanto isso, seguia sua vida, agora com Beto. Ela havia se livrado de Carlos e de Roney, mas a culpa e o remorso a assombravam. Ela havia abandonado seu filho, o único ser que realmente a amava, por uma ilusão de felicidade.
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Atualizado até capítulo 99
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