Roney, com seus oito anos de pura inocência, ainda não entendia o significado da palavra "abandono". Ele apenas sentia um vazio crescente em seu peito, uma sensação de frio que se espalhava por seu corpo como uma névoa densa.
A risada que antes ecoava pelo parque de diversões, agora se tornava um murmúrio silencioso, abafado pela tristeza que começava a tomar conta de seu coração. Ele olhava para o carrinho de bate-bate, antes um símbolo de alegria, agora um lembrete cruel da promessa quebrada.
Os olhos castanhos, que brilhavam com a magia da infância, agora estavam turvos, marejados por lágrimas que teimavam em não cair. A mãozinha de Roney, antes agitada, agora se agarrava ao urso de pelúcia que sua mãe lhe deu, como se ele pudesse absorver a dor que o consumia.
Ele esperou, pacientemente, que sua mãe voltasse. Olhou para a entrada do parque, para as pessoas que passavam, para cada canto, procurando por um vislumbre de sua figura familiar. Mas a esperança, que antes o mantinha aquecido, agora se esvaiava a cada minuto a cada dia que passava.
A alegria do parque, que antes o enchia de vida, agora o oprimia, como se as risadas e a música fossem um grito silencioso de sua própria solidão. Roney, sozinho e perdido, sentia o peso do mundo sobre seus ombros pequenos.
Rosalinda, uma mulher de coração bondoso e sorriso fácil, passeava pelo parque de diversões, buscando um pouco de alegria em meio à rotina cansativa. O aroma de pipoca e algodão doce pairava no ar, e o som das risadas infantis ecoava pelos arredores. Mas, em meio àquela atmosfera festiva, um detalhe a chamou atenção: um menino magro e sujo, com os olhos vermelhos de tanto chorar, sentado sozinho em um banco, comendo um pedaço de pão duro.
Rosalinda se aproximou cautelosamente, seu coração apertando ao ver a tristeza estampada no rosto do menino. Ele parecia perdido, desamparado.
"Oi, meu bem. Você está bem?" perguntou Rosalinda, com voz doce e gentil.
O menino, assustado, apenas olhou para ela com olhos cheios de medo. Rosalinda percebeu que ele estava faminto e sujo, com roupas rasgadas e desbotadas.
"Onde estão seus pais?" perguntou Rosalinda, tentando entender a situação.
O menino, com voz baixa e trêmula, respondeu: "Minha mãe me deixou aqui. Ela disse que ia voltar, mas... ela não voltou."
Rosalinda sentiu um aperto no peito. Ela reconheceu o menino: era Roney, o seu sobrinho, o filho de seu irmão Carlos. Ela não imaginava que Helena havia abandonado o filho.
"Roney, meu amor, você está bem? Vem comigo", disse Rosalinda, estendendo a mão para o menino.
Roney hesitou por um instante, mas a bondade nos olhos de Rosalinda o tranquilizou. Ele segurou sua mão e a seguiu, com um misto de esperança e medo.
Rosalinda levou Roney para sua casa, onde morava com sua mãe. Ela o alimentou, o deu banho e o vestiu com roupas limpas. Roney, finalmente em segurança, se apegou a Rosalinda como se ela fosse sua própria mãe.
Rosalinda, com o coração partido pela situação, ligou para Carlos, seu irmão, para contar o que havia acontecido. Mas Carlos, frio e implacável, se recusou a receber Roney de volta. Ele disse que Helena havia feito suas escolhas e que ele não tinha nada a ver com isso.
Rosalinda, indignada com a atitude de Carlos, decidiu cuidar de Roney como se ele fosse seu próprio filho. Ela o acolheu em sua casa, o deu amor e carinho, e o ajudou a superar o trauma do abandono.
Roney, com o tempo, se adaptou à nova vida. Ele se apegou a Rosalinda como se fosse sua própria mãe, encontrando o amor e a segurança que tanto precisava. Ele aprendeu a amar sua nova família, que o acolheu de braços abertos.
Helena, por sua vez, sofria com a culpa e o remorso. Ela havia abandonado seu filho, mas agora, era tarde demais para consertar seus erros. Ela tentava se justificar, dizendo que não tinha condições de cuidar de Roney, mas a verdade era que ela havia priorizado seus próprios desejos e ambições.
Rosalinda, com sua bondade e generosidade, deu a Roney a chance de ter uma infância feliz e segura. Ela provou que o amor e a compaixão podem superar qualquer obstáculo.
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Atualizado até capítulo 99
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