A luz do sol invadiu a janela da sala, batendo diretamente nos olhos de Roney. Ele acordou com uma forte dor de cabeça, a ressaca latejando em cada célula do corpo. A lembrança da noite anterior, porém, era mais pesada que qualquer enxaqueca. A traição de Jacqueline, a humilhação, o desespero… tudo voltava com a clareza cruel da manhã. Ele estava na casa de sua tia Rosalinda, deitado no sofá da sala, coberto por uma manta.
O aroma de café recém-feito o fez abrir um sorriso fraco. Rosalinda estava na cozinha, preparando o café da manhã. Ele se levantou, sentindo os músculos doloridos e as pernas bambas.
"Bom dia, dorminhoco," Rosalinda disse, sorrindo gentilmente enquanto o observava entrar na cozinha. A mesa estava posta com um farto café da manhã: pão quentinho, ovos mexidos, frutas frescas e, claro, uma grande xícara de café fumegante.
Roney sentou-se à mesa, sentindo o aroma reconfortante aliviar um pouco a tensão em seu peito. Ele comeu em silêncio, observando sua tia com gratidão.
Terminado o café, Rosalinda se aproximou dele, colocando uma mão em seu ombro. "Roney, meu amor, você precisa voltar ao trabalho. Precisa se distrair, ocupar a mente. Fique longe daquela casa, por um tempo venha mora comigo é principalmente fique longe da Jacqueline."
"Mas tia… como eu vou esquecer? Como eu vou simplesmente voltar à minha vida como se nada tivesse acontecido?" Roney perguntou, a voz embargada.
Rosalinda o olhou nos olhos com firmeza e carinho. "Você não vai esquecer de uma hora para outra, meu filho. A dor vai demorar a passar, mas você precisa se permitir seguir em frente. A Jacqueline não te merece. Ela não te valorizou, não te respeitou. Você merece alguém que te ame de verdade, alguém que te veja como você é, com todas as suas qualidades e defeitos."
Ela continuou, sua voz suave mas determinada: "Você é um homem bom, Roney. Inteligente, trabalhador, carinhoso. Não deixe que a atitude dela te defina. Volte para o seu trabalho, para seus amigos, para sua vida. Reconstrua-se, peça ajuda se precisar, mas não se deixe afogar nessa tristeza."
Roney respirou fundo, tentando absorver as palavras da tia. Ela tinha razão. Ele não podia se deixar destruir. Ele precisava se levantar, seguir em frente. A dor ainda estava lá, mas agora, ele tinha um novo foco: reconstruir sua vida, sem Jacqueline.
"Obrigada, tia," ele disse, um nó na garganta. "Você está certa. Eu vou voltar ao trabalho."
Rosalinda sorriu, aliviada. "Isso mesmo, meu filho. Você é mais forte do que pensa. E eu estarei aqui para você, sempre." Ela o abraçou forte, transmitindo-lhe a força e o apoio que ele tanto precisava naquele momento.
O som da batida na porta ecoou pela casa, interrompendo o silêncio que pairava após a conversa reconfortante entre Roney e Rosalinda. Rosalinda, ainda sentindo o calor do abraço do sobrinho, caminhou até a porta, um pouco hesitante. Ao abrir, deparou-se com Helena, a mãe de Roney, uma figura que ele havia há muito tempo esquecido, ou melhor, tentado esquecer.
Helena, com os olhos vermelhos e o rosto marcado pelo tempo, parecia frágil e arrependida. "Rosalinda, por favor… preciso falar com Roney."
Rosalinda franziu a testa, a lembrança da infância abandonada de Roney a inundando. A raiva e a decepção a consumiram por um instante. "Helena, vá embora. Você não tem o direito de aparecer aqui depois de tudo o que fez."
Helena suplicou, as lágrimas escorrendo pelo rosto. "Por favor, Rosalinda, apenas deixe-me falar com ele. Eu sei que errei, que o abandonei… mas preciso pedir perdão."
Rosalinda hesitou. Ver a dor em Helena, a fragilidade em sua postura, mexeu com algo dentro dela. Ela olhou para a cozinha, onde Roney ainda estava sentado à mesa, perdido em seus pensamentos. Suspirando, ela abriu caminho, permitindo que Helena entrasse.
"Roney," Rosalinda chamou, sua voz um pouco tensa. "Tem alguém que quer falar com você."
Roney, ainda absorto em sua própria dor, levantou o olhar, confuso. Ao ver Helena parada na entrada da cozinha, seu corpo ficou rígido. A figura magra e envelhecida era a personificação de um passado doloroso que ele tanto tentou enterrar.
Helena se aproximou, estendendo a mão trêmula. "Roney… meu filho…"
Roney não se moveu, seus olhos fixos nos de Helena, cheios de uma mistura de dor, raiva e incredulidade. A lembrança da infância solitária, da falta de uma mãe presente, o assombrou.
"Eu não tenho mãe," Roney disse, a voz fria e cortante. "Você me abandonou quando eu era criança. Você não tem o direito de aparecer aqui agora, fingindo se importar."
Ele se levantou, sua postura firme e decidida. "Vá embora, Helena. Não quero te ver nunca mais." A dor em seu olhar era tão intensa quanto a rejeição em suas palavras. Ele a olhou com uma frieza que congelou o ar da cozinha, deixando Helena petrificada, sozinha, diante da consequência de suas escolhas passadas. Rosalinda observava tudo em silêncio, compreendendo a dor de ambos, mas sabendo que algumas feridas são profundas demais para cicatrizar facilmente.
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Atualizado até capítulo 99
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