O silêncio da casa, antes preenchido pela risada de Jacqueline, agora era um eco de sua ausência. Roney, enfiado no sofá, observava o vazio em volta, um vazio que se espelhava em seu peito. A garrafa de uísque, antes intocada, agora pendia de sua mão, o líquido âmbar escorrendo pela garganta como um abraço amargo.
As fotos, cuidadosamente guardadas em um álbum, estavam espalhadas pelo chão, como lembranças de um amor que se estilhaçava. Cada sorriso, cada abraço, cada olhar apaixonado, agora era um pedaço de vidro que perfurava seu coração. Ele as encarava com raiva, com dor, com um desejo de apagar tudo o que havia sido.
Pegou um isqueiro, as chamas dançando na escuridão, e começou a queimar as fotos uma a uma. O cheiro de papel queimado misturava-se ao cheiro do uísque, criando um aroma nauseante que parecia simbolizar a destruição de sua própria alma.
Com cada foto que se transformava em cinzas, Roney repetia para si mesmo: "Nunca mais. Nunca mais vou amar. Nunca mais vou me deixar ser ferido." As palavras eram um mantra, uma tentativa desesperada de se blindar da dor. A promessa ecoava nos seus ouvidos, mas a verdade era que ele não conseguia imaginar sua vida sem Jacqueline.
A bebida o embaciava, mas não conseguia apagar a lembrança dos momentos felizes, dos sonhos que haviam tecido juntos, das promessas que haviam feito. Era como se cada gole o levasse mais fundo na lembrança, e cada foto queimada o aproximasse ainda mais da dor.
Ele se levantou, cambaleando, e foi até a janela. A noite escura e fria parecia refletir o estado de sua alma. A cidade lá embaixo, com suas luzes brilhantes, parecia um palco de um drama que ele não queria mais assistir.
Roney decidiu que iria se tornar um caçador de corações. Iria destruir todas as mulheres que cruzassem seu caminho, como um vingador. Iria se alimentar da dor que causaria, como um vampiro que se alimenta de sangue. O amor, para ele, havia se tornado um veneno, e ele jurou nunca mais beber dele.
O barulho da porta batendo ecoou pela rua deserta. Roney, com os olhos vermelhos e a cabeça latejando, cambaleou até a porta da casa de sua tia Rosalinda. A chave girava na fechadura com dificuldade, como se até ela estivesse cansada de suas últimas semanas.
"Tia Rosalinda?" Roney chamou, a voz rouca e carregada de um desespero que só o álcool conseguia disfarçar.
A porta se abriu, revelando a figura acolhedora de Rosalinda, seus cabelos pretos presos em um coque e os olhos castanhos brilhando com a preocupação.
"Roney! Meu filho, o que aconteceu? Você está bem?" Rosalinda perguntou, segurando-o pelos braços e guiando-o para dentro.
Roney se deixou levar, sentindo o cheiro familiar de bolo de laranja e café que sempre o recebia na casa da tia. Ele se deixou cair no sofá, a cabeça apoiada nas mãos.
"Tia... A Jacqueline... Ela me traiu." As palavras saíram em um sussurro, quase inaudível.
Rosalinda se sentou ao lado dele, acariciando seus cabelos com a mesma ternura que sempre o tratou. "Meu bem, me conte tudo. Quem foi o infeliz que te fez sofrer?"
Roney engasgou, as lágrimas brotando novamente. "Foi o Adriano... O Adriano meu melhor amigo ex melhor amigo ela estava com ele."
"Calma, meu amor. Você não está sozinho. Eu estou aqui."
"Eu não sei o que fazer, tia. Eu... Eu me sinto tão perdido. A Jacqueline era tudo pra mim."
"Eu sei, meu bem. Mas você é forte. Você vai superar isso. E eu vou estar aqui do seu lado em cada passo."
Rosalinda serviu um copo de água para Roney, que a bebeu em grandes goles, tentando acalmar a garganta seca e a alma ferida.
"Fica aqui comigo hoje, Roney. Durma aqui. Amanhã, a gente conversa com mais calma."
Roney assentiu, a cabeça pesada e o coração ainda mais. Ele se aninhou no sofá, abraçado a um travesseiro, enquanto Rosalinda o observava com olhar maternal, pronta para acolher a dor de seu sobrinho e ajudá-lo a encontrar a força para seguir em frente.
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Atualizado até capítulo 99
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