O Peso do Passado

As semanas que se seguiram ao encontro com Clara foram repletas de altos e baixos. Miguel e João estavam animados com a ideia de construir um relacionamento com a mãe, mas também se viam imersos em um mar de emoções conflitantes. Miguel se sentia mais conectado a Clara a cada dia, enquanto João lutava para entender seu próprio lugar naquela nova dinâmica.

Em uma tarde ensolarada, Miguel propôs um passeio ao parque, uma forma de relaxar e processar tudo o que haviam vivenciado. O céu azul estava salpicado de nuvens brancas, e o aroma de flores frescas pairava no ar. João aceitou o convite, sabendo que precisava de um tempo para se distanciar das preocupações que o assombravam.

Enquanto caminhavam pelo parque, Miguel falava animadamente sobre suas conversas com Clara, os pequenos detalhes que havia aprendido sobre sua mãe e as histórias que ela compartilhara. João ouviu atentamente, mas uma parte dele se sentia como um espectador. “Parece que você a conhece tão bem agora,” disse ele, tentando esconder a pontada de ciúmes que se instalava em seu peito. “Você já pensou em como seria viver com ela?”

Miguel parou, olhando para o chão antes de responder. “Às vezes, sim. Mas eu também não quero que isso signifique deixar você de lado, João. Você é meu irmão. Não importa o que aconteça, você sempre será importante para mim.”

Essas palavras trouxeram um conforto temporário, mas João sabia que a verdade era mais complicada. A conexão que Miguel estava formando com Clara parecia ameaçar a relação que eles já tinham. “Eu sei, Miguel. Mas às vezes, me pergunto como você se sentiria se ela pedisse para você ficar com ela e se afastar de mim.”

Miguel franziu a testa, seu sorriso desaparecendo. “Não, eu não faria isso. Eu não posso esquecer tudo o que vivemos juntos. Nossa família é feita de nossas experiências, e isso inclui você.”

A conversa os levou a um silêncio carregado, em que cada um refletia sobre seus medos e inseguranças. Os sons do parque — risos de crianças, o canto dos pássaros e o suave sussurrar do vento nas folhas — pareciam distante diante da tensão entre eles.

Enquanto caminhavam, uma imagem de Clara, com seu sorriso suave e olhar penetrante, invadia os pensamentos de João. Ele não podia negar que Miguel estava feliz, mas isso não impedia que a insegurança se instalasse em seu coração. E o que dizer de sua própria história? Com as revelações sobre Clara, as memórias da infância de João estavam começando a ressoar em sua mente, e ele não conseguia evitar as comparações.

Naquele mesmo dia, ao voltarem para casa, João decidiu que precisava encontrar um jeito de se conectar com Clara também. Ele não queria ser deixado para trás e, por mais que desejasse que Miguel estivesse feliz, não poderia ignorar seu próprio desejo de ser incluído.

“Ei, Miguel, o que você acha de nós dois falarmos com Clara sobre fazermos algo juntos? Talvez um jantar ou um passeio no próximo fim de semana?” João sugeriu, a ansiedade evidente em sua voz.

“Isso seria ótimo!” Miguel respondeu, seus olhos brilhando de entusiasmo. “Acho que ela ficaria feliz em passar mais tempo conosco.”

No entanto, a ideia de se reunir com Clara trouxe à tona novas dúvidas. O que ele diria a ela? Como poderia expressar suas próprias inseguranças? A pressão era palpável, mas João estava determinado a não deixar suas emoções de lado.

Os dias seguintes foram preenchidos com preparativos. Miguel e João trocaram mensagens animadas com Clara, planejando o encontro e tentando escolher um restaurante que agradasse a todos. João fez questão de se envolver, embora o nervosismo crescesse à medida que o encontro se aproximava.

Finalmente, o dia chegou. No restaurante, a atmosfera era acolhedora e vibrante. A luz suave das velas refletia nas paredes, criando um ambiente perfeito para conversas íntimas. Miguel estava radiante, e João sentiu um misto de alegria e nervosismo ao vê-lo tão animado.

Quando Clara chegou, um sorriso caloroso iluminou seu rosto. “Oi, meus meninos!” Ela exclamou, envolvendo-os em um abraço apertado. “Estou tão feliz que estamos fazendo isso.”

Miguel puxou uma cadeira para Clara, enquanto João observava o carinho entre eles. A conversa fluiu naturalmente, repleta de risadas e lembranças compartilhadas. Mas, enquanto Miguel falava sobre suas experiências e hobbies, João sentia uma crescente necessidade de ser ouvido.

Quando o momento parecia apropriado, João tomou coragem. “Clara, posso perguntar algo?” Ele hesitou, mas finalmente decidiu que não poderia mais guardar suas inseguranças. “Como você se sentiu ao nos conhecer? E como você vê a nossa relação daqui para frente?”

O olhar de Clara se suavizou, e ela respirou fundo. “É uma grande responsabilidade, mas também é uma oportunidade maravilhosa. Quero construir uma relação com vocês dois, e espero que possamos encontrar um equilíbrio. Estou aqui para o que vocês precisarem.”

Miguel sorriu, mas João sentiu a pressão do momento. Ele queria acreditar nas palavras dela, mas havia uma parte de si que ainda se sentia insegura. “E se você decidir se afastar de nós? Como será isso para nós?” João perguntou, seu coração acelerando.

“Não quero que isso aconteça,” Clara respondeu, seu tom sério. “Eu quero que todos nós nos sintamos à vontade. Eu não estou aqui para substituir nada, apenas para adicionar à nossa família. Cada um de vocês tem um lugar especial na minha vida.”

Miguel parecia aliviado com a resposta, mas João ainda lutava contra a tempestade de emoções que o assolava. A conversa seguiu, mas uma nuvem de incerteza pairava sobre ele. Como poderia confiar que Clara não desapareceria de suas vidas novamente?

A noite avançou, e entre risos e lembranças compartilhadas, João sentiu uma centelha de esperança se acender dentro dele. Talvez houvesse espaço para todos eles. E talvez o passado não definisse necessariamente seu futuro.

Enquanto o jantar chegava ao fim, Clara olhou para os dois, seu sorriso sincero refletindo a luz das velas. “Eu quero que este seja apenas o começo. Vamos continuar a nos encontrar e a construir nossa história juntos.”

Miguel assentiu, um brilho de determinação em seus olhos. João também se sentiu fortalecido pela declaração, embora a insegurança ainda estivesse presente. Eles tinham a chance de criar novas memórias, e a possibilidade de um futuro mais brilhante o encorajava a lutar contra seus medos.

Ao deixarem o restaurante, o ar fresco da noite envolveu os três. Miguel e João trocaram olhares cúmplices, uma conexão silenciosa que dizia que, independentemente do que acontecesse, eles enfrentariam tudo juntos. O passado poderia ser um peso, mas agora havia espaço para um novo começo — um onde a esperança e a família poderiam coexistir, mesmo diante das incertezas.

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