Após a festa, a vida de João começou a se desenrolar em uma nova luz. Ele sentia que havia se libertado de uma prisão invisível, e a cada novo dia, sua confiança crescia. Clara se tornou uma âncora em sua vida, sempre disposta a apoiá-lo em seus novos desafios. Juntos, eles exploravam a cidade, rindo, conversando sobre seus sonhos e medos, enquanto as cicatrizes do passado se tornavam parte de uma história de superação.
Porém, um dia, enquanto estava em casa, João recebeu uma mensagem de texto que interrompeu sua nova rotina. Era de sua mãe. “João, precisamos conversar. É importante.” O coração dele disparou. Algo em seu tom o deixou inquieto, e uma sensação de apreensão tomou conta de seu corpo. O que poderia ser tão urgente?
Ele respirou fundo e decidiu que precisava enfrentar isso. Com Clara ao seu lado, dirigiu-se à casa de seus pais. A atmosfera dentro da residência era pesada, como se um véu de expectativa pairasse no ar. Assim que entrou, sua mãe estava sentada à mesa, o olhar distante, enquanto seu pai permanecia em pé, inquieto, como se estivesse esperando por algo que não sabia como explicar.
“Oi, filho,” sua mãe disse, quebrando o silêncio. “Acho que é hora de te contar algo que guardamos por muito tempo.”
João sentiu um frio na barriga. “Sobre o quê?” ele perguntou, tentando esconder a ansiedade na voz.
Ela hesitou, como se as palavras estivessem presas na garganta. “Sobre você… sobre nós,” ela começou, olhando para seu pai em busca de apoio. “Há muitos anos, quando você ainda era pequeno, nós tomamos uma decisão que afetou nossa família. Uma decisão que nunca falamos abertamente.”
João olhou para eles, a confusão se misturando à curiosidade. “O que você quer dizer com isso?”
Seu pai finalmente se aproximou, sua expressão sombria. “João, você tem um irmão. Um irmão que nunca conheceu.”
As palavras caíram como uma bomba. João sentiu o chão tremer sob seus pés. “Um irmão? Como assim? Por que nunca me contaram?”
“Porque foi uma época complicada,” sua mãe explicou, a voz trêmula. “Nós adotamos uma criança depois que você nasceu, mas acabamos devolvendo-a por questões que estavam além de nosso controle. A dor dessa decisão nos assombrou, e decidimos manter isso em segredo para te proteger.”
“Proteger? De quê?” João não conseguia conter a raiva. “Vocês me esconderam isso! Como eu posso acreditar que essa era uma forma de me proteger?”
Clara colocou a mão suavemente nas costas de João, mas ele não podia pensar na sua amiga agora. “Onde ele está? O que aconteceu com ele?” A voz de João saiu mais alta do que pretendia, e a intensidade de suas emoções parecia transbordar.
“Ele… ele foi adotado por outra família,” seu pai disse, olhando para baixo, como se a culpa estivesse pesando sobre seus ombros. “Fizemos o que achamos que era certo na época, mas foi uma decisão muito difícil.”
A verdade começou a se transformar em um turbilhão de sentimentos. João não sabia se estava mais chocado com a revelação ou com a maneira como seus pais haviam lidado com isso. “E por que vocês nunca me contaram? Eu tinha o direito de saber!”
“Porque tínhamos medo de que você não lidasse bem com isso,” sua mãe respondeu, as lágrimas escorrendo pelo rosto. “Queríamos que você tivesse uma infância normal, longe de complicações. Nós realmente achamos que era para o seu bem.”
João sentiu a frustração crescer. “Meu bem? Essa foi uma decisão unilateral! Como vocês podiam pensar que isso era o melhor para mim?” A raiva e a tristeza se misturavam, tornando difícil processar a situação. Ele olhou para Clara, que agora parecia tão perdida quanto ele.
“Por favor, tente entender,” seu pai implorou. “A vida é complicada, e nós não éramos perfeitos. Estamos tentando ser transparentes agora. Se pudermos fazer isso, talvez possamos nos curar como família.”
João balançou a cabeça, lutando contra as lágrimas. A revelação o deixava sem palavras. “Eu não sei se consigo lidar com isso agora,” ele disse, sua voz embargada. “Preciso de tempo.”
Ele se virou e saiu da casa, sentindo-se como se estivesse preso em um pesadelo. As ruas estavam mais sombrias do que nunca, e o peso da descoberta o sufocava. Como poderia ter vivido todos esses anos sem saber que tinha um irmão? O que mais seus pais esconderam dele?
“João?” Clara chamou, apressando-se para alcançá-lo. “Espera! Não vá assim.”
Ele parou, respirando fundo. “O que eu faço agora, Clara? Como eu consigo lidar com isso?” O desespero em sua voz era palpável, e ele sentiu sua fragilidade emergir.
“Vamos sentar e conversar,” ela sugeriu, pegando sua mão. “Você não precisa passar por isso sozinho.”
Eles encontraram um banco em um parque próximo, onde a brisa fresca da noite oferecia um alívio temporário. Clara ficou ao seu lado, sua presença uma âncora em meio ao turbilhão emocional. “Me conta o que está passando pela sua cabeça.”
“Eu não consigo entender por que meus pais decidiram esconder isso,” João disse, as palavras saindo em um turbilhão. “Eu me sinto traído. Se eles realmente se importassem comigo, teriam sido honestos desde o começo.”
“É compreensível se sentir assim,” Clara respondeu, seu olhar sincero. “Mas você sabe que isso não muda quem você é. Você ainda é você, com todas as suas qualidades e experiências. Não deixe que isso defina sua identidade.”
“E se eu quisesse encontrar esse irmão? Como eu faço isso?” A ideia de buscar alguém que ele nunca conheceu parecia assustadora, mas a curiosidade estava começando a se infiltrar em sua mente.
“Talvez você deva conversar com seus pais primeiro,” Clara sugeriu. “Entender mais sobre a história deles pode ajudá-lo a tomar uma decisão. Eles podem ter informações sobre onde ele está.”
João assentiu, sentindo uma pequena faísca de esperança. “Talvez você esteja certa. Mas eu não sei se posso olhar para eles agora.”
“Dê a si mesmo o tempo que precisar,” Clara disse suavemente. “Mas também saiba que você não está sozinho nessa. Eu estarei aqui para te apoiar, não importa o que você decidir.”
As palavras dela ressoaram profundamente dentro dele. Apesar da dor e da confusão, ele sabia que Clara estava certa. Havia um caminho a seguir, e, por mais difícil que fosse, ele precisava enfrentá-lo.
Com a decisão de conversar com seus pais mais tarde, João respirou fundo, sentindo que, embora estivesse perdido em um labirinto de emoções, havia uma luz no fim do túnel. A revelação do passado não era o fim, mas o início de uma nova jornada. Ele poderia descobrir a verdade sobre seu irmão, a verdade que sempre esteve escondida nas sombras.
E assim, enquanto a noite se aprofundava, João sentiu que estava prestes a entrar em uma nova fase de sua vida, uma fase que o levaria a confrontar não apenas seu passado, mas também a se encontrar novamente no presente.
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Atualizado até capítulo 26
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