Revelações Sob a Luz da Lua

Naquela noite, João não conseguiu dormir. O teto do seu quarto parecia se tornar um cenário de sombras dançantes, e as paredes sussurravam segredos que ele não queria ouvir. Ele se virou mais uma vez na cama, os pensamentos sobre Clara invadindo sua mente. A maneira como ela havia falado sobre compartilhar, o brilho de seus olhos quando ele a questionou… tudo parecia indicar que havia mais nela do que aparentava.

O silêncio da casa era profundo, quebrado apenas pelo leve farfalhar das folhas do lado de fora e os grilos cantando lá fora. A lua cheia iluminava o ambiente com uma luz prateada, criando formas fantasmagóricas no chão. João olhou pela janela, a luz suave parecendo convidativa, e, em um impulso súbito, decidiu que precisava entender mais sobre Clara. Se algo estava errado, ele tinha que descobrir o que era.

Com cuidado, ele se levantou da cama e vestiu um moletom. O frio da noite penetrava pela janela, e ele podia sentir a adrenalina correndo por suas veias. Caminhou de forma silenciosa pelo corredor, os pisos rangendo levemente sob seus pés. Ao chegar na sala, um relance da luz da lua através da janela o fez hesitar. Clara estava lá, sentada no sofá, com um livro aberto em suas mãos. A cena era surreal, quase como um filme de terror que ele nunca quis assistir.

“João,” Clara disse sem olhar para cima. Sua voz era calma, quase hipnotizante. “Você não deveria estar acordado.”

João engoliu em seco, a inquietação crescendo dentro dele. “O que você está fazendo aqui tão tarde?” Ele tentou soar firme, mas sua voz traía uma ponta de hesitação.

“Eu gosto da noite,” ela respondeu, finalmente levantando o olhar. Seus olhos brilhavam sob a luz da lua, e havia um mistério que o deixava inquieto. “As estrelas têm segredos que a luz do dia não pode contar.”

João se aproximou lentamente, cauteloso. “Clara, por que você levou meus brinquedos? Eles eram importantes para mim.” Ele sentiu a necessidade de entender o que estava acontecendo, de desmascarar o enigma que ela representava.

“Importantes?” Clara riu suavemente, e o som era como música, mas com uma nota de ironia. “Os brinquedos são apenas coisas, João. Você precisa aprender a olhar além do que vê. A vida é muito mais do que posses.”

Ele a observou, tentando decifrar a expressão em seu rosto. “Mas por que você fez isso? Você está fazendo tudo parecer tão… estranho.” A palavra “estranho” parecia fraca em comparação com o que realmente sentia. O que ele queria era gritar, dizer que ela estava perturbando seu mundo.

Clara fechou o livro e se levantou, aproximando-se dele. “Você não vê, não é? Este lugar, nossa casa, não é mais só sua. É nosso agora. Você precisa deixar espaço para mim.”

“Espaço?” repetiu João, a raiva crescendo. “Você quer espaço para o que? Para me destruir?”

Ela fez uma pausa, um brilho intrigante passando por seus olhos. “Destruir? Não, João, eu não quero destruir. Eu quero… transformar.” Sua voz suavizou, quase como se estivesse tentando convencê-lo de algo. “Você pode se surpreender com o que podemos criar juntos.”

João olhou para ela, sentindo uma mistura de medo e curiosidade. “Criar o quê?” Sua mente estava em guerra. Parte dele queria se afastar, enquanto outra parte se sentia atraída por essa nova e estranha conexão.

“Segredos,” Clara sussurrou, movendo-se mais perto dele. “Você já se perguntou o que realmente acontece quando a luz se apaga? O que se esconde nas sombras? Não é apenas escuridão, João. É uma oportunidade.”

O que ela dizia parecia tanto enigmático quanto aterrador. João lutou contra o impulso de dar um passo para trás. “O que você quer dizer com ‘o que acontece quando a luz se apaga’?” A tensão entre eles era palpável, e ele podia sentir a atmosfera mudando, como uma tempestade prestes a se formar.

Clara sorriu, e havia uma malícia em seu sorriso que o deixou nervoso. “Você já se perguntou sobre o que você realmente perdeu? O que os brinquedos representam? Às vezes, para ganhar algo novo, você precisa abrir mão de algo que ama.”

João sentiu um calafrio. Ele se lembrou de como aqueles brinquedos representavam não apenas diversão, mas memórias, momentos da infância que se esvaíam com o tempo. “Você está falando como se eu tivesse que sacrificar algo.”

“Sacrifícios são parte do crescimento,” Clara respondeu, quase desafiando-o. “A vida não é fácil, João. Você tem que escolher entre o que é seguro e o que realmente deseja. Você quer entender, não quer? Então, venha comigo.”

Antes que ele pudesse responder, Clara começou a caminhar em direção à porta da frente. Um impulso incontrolável o fez seguir. O medo ainda o consumia, mas a curiosidade o guiava. O que Clara queria mostrar a ele? O que estava realmente acontecendo?

Ao abrir a porta da frente, a brisa fresca da noite envolveu-os, e João sentiu uma mistura de emoção e apreensão. A luz da lua brilhava intensamente, iluminando o caminho para o desconhecido. Clara parou, voltando-se para ele, o sorriso ainda em seus lábios.

“Venha, João. O mundo não é apenas o que você conhece. Há muito mais a descobrir.”

E, naquele momento, enquanto olhava para o rosto de Clara, ele se deu conta de que, independentemente do que estivesse prestes a acontecer, sua vida nunca mais seria a mesma. Ele estava prestes a cruzar uma linha que não poderia ser desfeita, e a jornada nas sombras estava apenas começando.

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