O Encontro com o Passado

A noite caiu, e o céu estava salpicado de estrelas, refletindo o que sentia por dentro: uma mistura de expectativa e nervosismo. Ao meu redor, tudo parecia tranquilo, mas eu sabia que uma tempestade emocional se aproximava. A Garota das Sombras tinha me levado a um lugar que desafiaria minha coragem, um espaço onde eu poderia confrontar os medos que, por tanto tempo, me paralisaram.

Lucas estava ao meu lado, segurando minha mão, sua presença me oferecendo apoio inabalável. “Você está pronta para isso?” ele perguntou, os olhos cheios de compreensão. Eu sabia que ele entendia a profundidade do que estava prestes a acontecer.

“Estou”, respondi, a voz mais firme do que eu esperava. Com um gesto da Garota das Sombras, uma nova cena começou a se formar à nossa frente. Era uma representação da minha infância em Pembina, mas havia uma energia diferente. As cores eram mais vívidas, e o ar estava carregado de emoção.

À medida que nos aproximávamos, percebi que era o quintal de minha casa, um lugar onde eu passava horas brincando, mas que também estava cheio de memórias que eu evitava enfrentar. No centro do quintal, eu via uma versão mais jovem de mim mesma, cercada por uma névoa escura, a sombra se movendo ao seu redor como uma nuvem ameaçadora.

“Essa sou eu quando era criança”, murmurei, observando a versão mais nova de mim mesma correr e brincar, mas percebendo a inquietação em seus olhos. “Ela estava tão cheia de vida, mas também tão assustada.”

A Garota das Sombras acenou com a cabeça, seus olhos brancos brilhando intensamente. “É hora de você confrontar sua versão mais jovem e ajudá-la a entender que ela não precisa temer a sombra.”

Com isso, ela nos levou mais perto da cena, e quando estávamos a poucos passos de distância, eu respirei fundo e dei um passo à frente. “Ei, você!” chamei a mim mesma. A criança parou e olhou para mim, seus olhos grandes e confusos.

“Quem é você?” ela perguntou, os lábios trêmulos, enquanto a sombra atrás dela se agitou, quase como se quisesse engoli-la.

“Eu sou você, mas sou a parte de você que cresceu”, respondi, tentando acalmar a versão mais nova de mim. “Eu estou aqui para te ajudar a entender que não precisa ter medo. A sombra não é sua inimiga.”

A criança me olhou com hesitação, a insegurança evidente em seu olhar. “Mas ela está sempre lá”, ela respondeu, apontando para a névoa escura que a cercava. “Ela não vai embora. Eu não sei como enfrentá-la.”

A Garota das Sombras se aproximou, sua presença tranquilizadora. “Você não está sozinha. A sombra faz parte de você, mas não define quem você é. Vamos trabalhar juntas para mostrar a essa jovem que ela é mais forte do que imagina.”

Com um movimento suave, a Garota das Sombras estendeu a mão para a criança, que hesitou por um momento, mas finalmente se aproximou, levando a mão dela. Uma conexão instantânea se formou entre elas, e eu senti a energia vibrante no ar, como se a própria atmosfera estivesse mudando.

“Agora, respire fundo”, eu disse à criança. “Vamos enfrentar isso juntas. Lembre-se de todos os momentos em que você se sentiu feliz, todos os lugares onde se sentiu segura. A sombra pode ser assustadora, mas você é mais forte do que ela.”

A criança fechou os olhos, e uma onda de lembranças começou a fluir. Lembranças de risadas com Lucas, de brincadeiras no parque, de correr pelo quintal com a liberdade que só a infância pode proporcionar. As memórias começaram a iluminar a escuridão ao redor dela, e a sombra começou a se dissipar lentamente.

“Eu posso fazer isso”, a criança sussurrou, a voz mais forte. “Eu não preciso deixar a sombra controlar a minha vida.”

“Exatamente”, eu respondi, meu coração cheio de orgulho por ela. “Você pode ser livre. Você é corajosa, e a sombra não pode tirá-la disso.”

Com isso, a criança deu um passo à frente, desafiando a sombra. “Eu não tenho medo de você!” ela gritou, e a névoa começou a se desvanecer. Eu nunca tinha visto a criança tão forte antes, e ver essa transformação foi uma revelação poderosa.

A sombra, ao perceber que estava sendo confrontada, começou a encolher, suas bordas se desfazendo na luz que emanava da criança. Com um último grito, a versão mais jovem de mim mesma liberou toda a sua força e a sombra desapareceu completamente, revelando um espaço limpo e iluminado ao nosso redor.

A alegria e o alívio inundaram o quintal. A criança olhou para mim, seus olhos brilhando com felicidade. “Eu consegui!” ela exclamou, e eu não consegui conter um sorriso. “Eu realmente consegui!”

A Garota das Sombras, agora com um brilho suave, observou a cena com um semblante de satisfação. “Vocês enfrentaram seus medos e liberaram a luz que sempre esteve dentro de vocês. Lembre-se, a sombra pode retornar, mas agora você tem as ferramentas para enfrentá-la novamente.”

“Obrigada”, eu disse, minha voz cheia de gratidão. A liberdade que sentia era indescritível, e finalmente estava começando a entender que eu não precisava temer a escuridão. Ela fazia parte de mim, mas não a definia.

Com um último olhar para a criança, eu soube que ela sempre estaria comigo, uma lembrança de que a coragem e a luz podem triunfar sobre a sombra. “Estamos juntas agora”, murmurei, e com isso, dei um passo à frente para o que o futuro poderia trazer, pronta para abraçar cada parte de mim.

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