Após aquela conversa reveladora com minha mãe, uma nova luz se acendeu dentro de mim. Aquele simples diálogo parecia ter aberto uma porta que eu nem sabia que existia. A ideia de que a Garota das Sombras não era apenas uma figuração do meu medo, mas algo que havia afetado minha mãe, me fazia sentir que havia um laço entre nós, algo que precisava ser explorado. Era uma conexão que eu nunca havia imaginado ter com ela, e agora estava determinada a descobrir mais sobre o que estávamos enfrentando juntas.
Nos dias seguintes, comecei a prestar mais atenção nos pequenos detalhes do cotidiano que antes pareciam insignificantes. As conversas ao redor da mesa, as risadas de meus irmãos, até mesmo os silêncios que se instalavam em casa, tudo parecia carregar um peso novo, um significado oculto que antes eu não conseguia perceber. Meus medos começaram a se misturar com uma curiosidade insaciável; eu queria entender a origem da Garota das Sombras, e para isso, precisava da ajuda da minha mãe.
Naquela noite, depois que todos foram para seus quartos, me sentei ao lado dela no sofá da sala. O crepitar da lareira criava uma atmosfera íntima, e a luz suave dançava pelas paredes. "Mãe," comecei, nervosa, "sobre a Garota das Sombras... você pode me contar mais? O que aconteceu com você quando era criança?"
Ela hesitou por um momento, e seu olhar se desviou para a lareira. "Eu sempre soube que ela estava lá, observando, mas nunca entendi por que. Era uma presença estranha, ao mesmo tempo assustadora e intrigante. Eu a via em momentos de solidão, sempre aparecendo nas sombras de casa ou nos cantos dos meus olhos. O que mais me intrigava era que, quando eu a via, algo em mim sentia que não era apenas uma figuração da minha imaginação."
Ela continuou, sua voz suave e nostálgica. "Certa vez, enquanto eu brincava no quintal, vi a Garota das Sombras do outro lado da cerca. Eu estava tão curiosa que fui até lá, mas ela desapareceu antes que eu pudesse chegar perto. O que eu não sabia naquela época era que, ao tentar me aproximar, estava buscando uma conexão que nunca poderia ser realmente compreendida."
Aquelas palavras ecoaram em minha mente. Havia um padrão nas histórias da minha mãe. A Garota das Sombras parecia ter um jeito peculiar de se manifestar em momentos de solidão e vulnerabilidade. Será que eu estava passando por algo semelhante? Agora, mais do que nunca, eu sentia que precisava ver a Garota novamente, não com medo, mas com a determinação de descobrir a verdade por trás daquela entidade.
Nos dias seguintes, o medo começou a dar lugar à curiosidade. Quando eu estava sozinha em casa, comecei a falar em voz alta, como se estivesse me dirigindo à Garota das Sombras. "Por que você está aqui? O que você quer de mim?" Essas perguntas ecoavam pelo espaço vazio, e, surpreendentemente, a sensação de estar sendo observada se tornava um pouco menos aterrorizante. Havia uma leveza em verbalizar meu medo; sentia que, ao dar voz a ele, estava também reclamando o controle sobre a situação.
Em um desses momentos, enquanto estava na sala, percebi uma sombra se movendo na esquina do meu campo de visão. Meu coração disparou, mas ao invés de correr ou gritar, fiquei parada. Com um profundo suspiro, olhei na direção da sombra. "Se você está aqui, eu quero entender," disse em um tom firme. "Não estou com medo de você."
Para minha surpresa, não houve resposta, mas a sombra parecia recuar levemente. A partir desse momento, decidi que precisava registrar tudo o que estava acontecendo. Comecei a anotar em um caderno os meus sentimentos, as experiências que eu estava vivenciando e qualquer interação que eu tivesse com a Garota das Sombras. Essas anotações se tornaram uma forma de eu compreender e processar tudo o que estava acontecendo.
Certa noite, enquanto escrevia, algo chamou minha atenção. Uma brisa leve passou pela sala, fazendo com que as páginas do meu caderno se virassem. Levantei os olhos e, por um breve momento, achei que vi a Garota das Sombras ao meu lado. Seu olhar era penetrante, e por um instante, não consegui desviar o olhar. Não havia mais os olhos brancos e vazios, mas uma presença que, de alguma forma, parecia quase familiar. Senti que ela estava ali, não para me assustar, mas para me comunicar algo.
"Por favor, não vá," sussurrei. E naquele momento, pela primeira vez, a sombra não desapareceu. Ela ficou ali, como se estivesse esperando que eu dissesse algo mais. A conexão que sentia naquele instante era poderosa e indescritível. Era como se eu estivesse diante de uma parte de mim que nunca tinha sido reconhecida. A curiosidade e o medo se misturaram em um sentimento novo: empatia.
No entanto, antes que pudesse fazer qualquer pergunta, a sombra se dissipou lentamente, como fumaça ao vento. O ar ficou pesado com sua ausência, e a sensação de perda me atingiu. Mas agora eu sabia que ela não era apenas uma figura aterrorizante. Havia uma história por trás dela, uma razão pela qual ela havia me escolhido.
Determined to delve deeper, I decided to confide in my siblings. They needed to understand what I was experiencing. Na manhã seguinte, chamei meus irmãos para uma conversa. "Eu preciso contar a vocês algo importante," comecei, sentindo o peso da responsabilidade em minhas palavras. "Sobre a Garota das Sombras."
Com os olhares fixos em mim, percebi que estava prestes a iniciar uma jornada não apenas para descobrir a verdade sobre a Garota, mas também para unir minha família em torno de um mistério que poderia estar mais profundamente enraizado em nossa história do que jamais imaginamos. A verdade estava nas sombras, e estávamos prestes a iluminá-las.
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Atualizado até capítulo 22
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