Os dias que se seguiram à nossa visita à antiga casa em Pembina foram repletos de reflexões. A sensação de que algo havia mudado estava presente em cada pensamento que cruzava minha mente. O reencontro com Lucas havia aberto uma porta para um entendimento mais profundo sobre o que a Garota das Sombras representava em minha vida. Ela não era apenas um fantasma do meu passado, mas uma parte importante da minha história que, de alguma forma, ainda estava comigo.
Certa noite, enquanto me preparava para dormir, senti uma inquietação familiar, como se algo estivesse prestes a acontecer. O quarto estava silencioso, exceto pelo leve sussurro do vento lá fora. De repente, a luz da janela dançou, e por um breve momento, pensei que visse uma sombra se movendo na parede. Um arrepio percorreu minha espinha, mas em vez de medo, havia uma curiosidade crescente. Lembrei-me das palavras de Lucas sobre enfrentar o desconhecido, e percebi que estava pronta para entender mais sobre a Garota das Sombras.
Na manhã seguinte, decidi que era hora de investigar mais a fundo. Comecei a procurar online por informações sobre sombras e fenômenos sobrenaturais. Durante minhas pesquisas, encontrei fóruns e grupos de discussão onde as pessoas compartilhavam suas experiências com entidades semelhantes. O que mais me intrigou foi um tópico específico que falava sobre as “sombras protetoras” – entidades que se manifestavam para guiar ou proteger as pessoas de alguma forma.
Com um novo entendimento em mente, comecei a ver a Garota das Sombras sob uma nova luz. Talvez ela não fosse uma entidade aterrorizante, mas sim uma presença que estava ali para me proteger de algo. Essa perspectiva trouxe uma sensação de conforto que eu não havia sentido antes. Com o coração leve, decidi que era hora de fazer um novo ritual, um que não fosse de confronto, mas de conexão.
No próximo fim de semana, convidei Lucas para me ajudar. “Quero tentar um novo ritual, algo diferente do que fizemos antes,” expliquei. Ele aceitou imediatamente, animado com a ideia. “Vamos fazer isso juntos, então. Pode ser interessante descobrir mais sobre o que está acontecendo.”
Combinamos de nos encontrar em meu quarto, onde tudo havia começado. Preparei um pequeno altar com velas, cristais e alguns itens que simbolizavam proteção e luz. A atmosfera estava carregada de expectativa. A primeira coisa que fiz foi acender uma vela branca, simbolizando a pureza e a luz. Lucas observou atentamente, parecendo um pouco nervoso, mas também animado.
“Vamos nos concentrar na presença da Garota das Sombras, mas com a intenção de entender seu propósito,” sugeri. Lucas assentiu, e ambos começamos a meditar em silêncio, permitindo que nossas mentes se acalmassem e se abrissem para as energias ao nosso redor.
Após alguns minutos, uma leve brisa começou a circular pelo quarto. As velas tremulavam suavemente, e uma sensação de tranquilidade se espalhou pelo ar. A princípio, tudo parecia normal, mas de repente, a sombra familiar começou a se formar na parede oposta. Meu coração disparou, mas desta vez, não havia medo, apenas curiosidade e um profundo desejo de conexão.
“A Garota das Sombras,” murmurei, e Lucas me lançou um olhar de espanto. A figura começou a tomar forma, e logo a silhueta da jovem com o vestido bufante estava ali, olhando para nós, mas desta vez não havia olhos brancos, apenas uma presença envolta em um manto de escuridão, como se estivesse nos observando com cuidado.
Em vez de recuar, decidi falar. “Nós não queremos te fazer mal. Queremos entender você e saber por que está aqui.” A sombra hesitou, e a brisa que antes soprava lentamente começou a se intensificar, como se a entidade estivesse considerando nossas palavras.
Lucas, tomado pela coragem, se juntou a mim. “Você nos assustou, mas agora queremos aprender. Pode nos mostrar o que você deseja?” A atmosfera estava carregada de energia, e a sombra parecia reagir às nossas intenções. Aos poucos, ela começou a se mover, como se estivesse dançando lentamente, e os contornos de seu corpo pareciam se tornar mais nítidos.
Então, uma série de imagens começou a fluir em minha mente. Vi fragmentos de memórias: uma criança brincando em um quintal, risadas ecoando em um dia ensolarado, um momento de tristeza quando uma casa foi deixada para trás. A Garota das Sombras não era apenas uma entidade; ela era um reflexo de minha própria infância, de minhas memórias e emoções não resolvidas.
O entendimento cresceu dentro de mim. “Você está aqui para nos lembrar do que perdemos,” sussurrei, a conexão se aprofundando. “Você representa tudo o que era bom, mas também as coisas que deixamos para trás.”
A sombra parou, e um calor suave preencheu o quarto. Senti uma onda de amor e compreensão emanando dela, e Lucas e eu trocamos olhares cúmplices. O medo havia se dissipado, dando lugar a uma nova esperança. “Obrigada por nos mostrar isso,” disse ele, e a sombra parecia se curvar levemente, como se estivesse agradecendo por nossa aceitação.
Com um gesto suave, a Garota das Sombras começou a se dissipar, não como antes, mas com uma sensação de paz. As luzes da vela se acenderam com mais intensidade, iluminando o quarto com uma luz quente e reconfortante. Com a sua partida, sentíamos que havíamos feito um novo amigo, alguém que nos guiaria em nossa jornada, mesmo que de forma invisível.
Assim, naquele dia, uma nova compreensão brotou dentro de nós. A Garota das Sombras não era um símbolo de medo, mas uma lembrança do poder da infância, das experiências vividas e das lições aprendidas. Agora, era hora de olhar para frente e continuar nossa jornada com coragem, sempre honrando o passado que nos moldou.
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Atualizado até capítulo 22
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