O Ritual da Libertação

Na manhã seguinte, o clima estava diferente. O ar parecia mais fresco e a luz do sol penetrava as janelas, iluminando a casa de uma maneira que não havia feito nos últimos dias. Era como se um novo começo estivesse se formando diante de nós. O café da manhã foi preenchido com risadas e uma sensação de camaradagem que não experimentávamos há muito tempo. Havia uma expectativa palpável em relação ao ritual que planejávamos realizar mais tarde, uma mistura de nervosismo e empolgação.

Após o café, cada um de nós se dirigiu a seus quartos, determinado a escrever nossas cartas. Eu me sentei em minha escrivaninha, cercada por folhas em branco e canetas coloridas. A ideia de colocar em palavras meus medos e ansiedades me parecia um desafio, mas também uma oportunidade de libertação. Comecei a escrever, permitindo que os sentimentos fluíssem livremente.

“Querida Garota das Sombras,” escrevi, hesitando no início. “Você esteve presente em minha vida de uma maneira que não consigo explicar. Eu tinha tanto medo de você, mas agora percebo que sua presença estava ligada a algo mais profundo — uma solidão que carreguei por tanto tempo. Estou aqui para enfrentar isso. Estou pronta para deixar o medo para trás.”

Enquanto escrevia, minhas emoções começaram a transbordar. Lembrei-me de momentos em que me senti invisível e perdida, não apenas por causa da Garota das Sombras, mas pelas lutas que enfrentei na vida. Continuei a descrever como sua presença me impactou, mas também como isso me fez perceber a importância de me conectar com aqueles que amo. “Eu quero que você saiba que estou pronta para deixar o passado para trás. Quero me libertar da solidão que você representa. E hoje, com essa carta, estou dizendo adeus ao medo.”

Terminei a carta, a sensação de alívio preenchendo-me. Coloquei-a em um envelope e desenhei pequenos símbolos ao redor, representando a proteção e a libertação. Ao olhar para o envelope, senti uma onda de coragem. Agora, era hora de compartilhar nossas experiências com a família.

À tarde, nos reunimos novamente, esta vez em nosso quintal, onde o sol brilhava alto e as árvores sussurravam suavemente ao vento. Havia algo mágico no ar, e a natureza parecia se unir ao nosso ritual. Com nossos envelopes em mãos, encontramos um lugar especial perto de um pequeno fogo de lenha que meu irmão havia preparado.

Meus irmãos e eu nos sentamos em um círculo, cada um segurando sua carta, enquanto nossa mãe acendeu o fogo. As chamas dançavam alegremente, como se estivessem esperando por nós. O calor envolvia nossos rostos, e o som crepitante da madeira queimada criava uma trilha sonora reconfortante.

“Vamos ler nossas cartas em voz alta,” sugeriu meu irmão mais velho, olhando para cada um de nós com expectativa. “Isso nos ajudará a entender melhor o que estamos deixando para trás.”

A primeira a se oferecer foi minha mãe. Ela respirou fundo e começou a ler sua carta. Suas palavras fluiam com sinceridade e vulnerabilidade, cada frase carregada de emoção. Ela falava sobre suas lutas na infância e como a Garota das Sombras havia sido, para ela, uma representação de sua solidão e necessidade de aceitação. Ao terminar, havia lágrimas em seus olhos, mas também um sorriso, como se a luz do sol a estivesse aquecendo por dentro.

Em seguida, foi a vez do meu irmão. Sua voz era firme, mas ainda havia uma leve hesitação. Ele leu sobre a maneira como a Garota das Sombras se tornara sua amiga imaginária, um símbolo de conforto em tempos de isolamento. Ele falava sobre a luta de se sentir invisível e a busca por compreensão. Ao terminar, parecia que um peso havia sido retirado de seus ombros, e ele sorriu para nós, satisfeito por compartilhar sua experiência.

Então, chegou minha vez. Com um pouco de nervosismo, comecei a ler minha carta, cada palavra que deixava meus lábios carregava a sinceridade de um coração que havia lutado contra a solidão. Ao relatar minha experiência com a Garota das Sombras, pude sentir a conexão entre nós se fortalecer. No final, não apenas havia um peso que saía de mim, mas uma luz se acendia em meu interior.

Depois que todos leram suas cartas, olhamos para o fogo, agora repleto de memórias e emoções. Era hora de nos despedir. Minha mãe pegou todos os envelopes e, um por um, os lançou nas chamas. As chamas devoraram o papel rapidamente, e a fumaça que subia parecia levar nossos medos e ansiedades embora. A cada envelope que se queimava, sentíamos uma leveza se formando, um renascimento de esperança e conexão.

“Estamos juntos nessa,” disse minha mãe, segurando a mão de cada um de nós. “Essa é a nossa nova história. A Garota das Sombras não nos controla mais. Nós somos mais fortes juntos.”

Concordamos em uníssono, uma sensação de empoderamento nos envolvendo. O ritual de libertação não apenas nos permitiu nos despedir do medo, mas também solidificou a conexão entre nós como uma família. Cada um de nós estava pronto para abraçar o futuro e deixar a Garota das Sombras no passado, onde ela pertencia.

Ao final do dia, sentamo-nos juntos sob o céu estrelado, o ar fresco envolvendo-nos em um abraço. As sombras que antes nos assombravam estavam desaparecendo, e havia uma sensação de esperança renovada em nossos corações. A Garota das Sombras havia cumprido seu papel, mas agora, era hora de seguir em frente.

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!