A Reunião dos Irmãos

Depois de reunir coragem, convidei meus irmãos para a sala de estar. O ar estava carregado de expectativa, e pude sentir a inquietação em cada um deles. Meu irmão mais velho, sempre protetor, olhou para mim com uma expressão de preocupação. Minhas irmãs, com seus olhares curiosos, pareciam ansiosas para entender o que estava prestes a ser revelado. Era um momento delicado, e eu sabia que as palavras que escolhesse precisavam ser cuidadosas.

"Eu quero que vocês saibam que não estou louca," comecei, tentando manter a voz firme. "Mas eu vi algo... algo que me assombra. E não é apenas uma imaginação fértil." Os olhares deles se tornaram mais sérios, e eu percebi que havia captado a atenção deles.

"Você está falando da Garota das Sombras?" perguntou meu irmão, sua expressão se tornando mais intensa. "Eu lembro que você mencionou isso antes, mas não pensei que fosse algo real." O tom de ceticismo na sua voz me fez hesitar, mas a necessidade de compartilhar minha experiência era mais forte.

"É real, e está relacionado a algo que nossa mãe também enfrentou na infância. Ela viu essa mesma figura, e eu sinto que precisamos descobrir o que realmente está acontecendo." Olhei nos olhos de cada um deles, tentando transmitir a gravidade do que estava dizendo. "Eu estou determinada a entender isso e, se houver uma maneira de lidarmos com isso juntos, precisamos fazer isso como família."

Minhas irmãs trocavam olhares, parecendo estar em um dilema entre acreditar em mim e se preocupar com minha sanidade. "Mas o que exatamente você viu?" perguntou uma delas, sua voz nervosa. "O que faz você pensar que a Garota das Sombras não é apenas uma sombra de sua imaginação?"

Decidi descrever os encontros que tive, enfatizando cada detalhe: a figura, o olhar, e como isso me fez sentir. "Na verdade, não é só medo. É como se houvesse uma mensagem. Ela se mostra em momentos de solidão e vulnerabilidade. E a coisa mais estranha é que sinto que ela não está aqui para me fazer mal, mas sim para me comunicar algo."

Houve um momento de silêncio enquanto todos processavam o que eu havia dito. Minha irmã mais nova olhou para o chão, pensativa. "E se ela não for uma ameaça? E se, em vez disso, ela estiver tentando nos avisar de algo?" Essa pergunta pairou no ar, e senti que todos nós estávamos começando a entender que havia uma profundidade nessa situação que merecia nossa atenção.

"Eu não sei o que ela quer, mas eu sinto que há uma conexão," continuei. "Mãe mencionou que a viu, e agora nós também estamos vendo. Isso não pode ser apenas uma coincidência." Fui tomada por uma súbita onda de determinação. "Eu quero que todos nós nos unamos para descobrir o que significa isso. Precisamos conversar com ela. Precisamos entender essa presença."

"Como exatamente podemos fazer isso?" perguntou meu irmão, ainda com um ar de ceticismo. "Não podemos simplesmente chamá-la e esperar que ela apareça." A lógica dele era válida, mas eu sabia que havia algo mais na atmosfera que poderia facilitar uma comunicação.

"Nós podemos tentar criar um espaço onde possamos nos conectar com ela," sugeri. "Se ela realmente está tentando se comunicar, talvez possamos fazê-la entender que estamos prontos para ouvir." Olhei para eles com esperança. "Podemos fazer isso juntos, como uma família."

O plano começou a tomar forma. Decidimos realizar uma pequena sessão em nosso quintal durante a próxima noite de lua cheia. Seria um momento em que a atmosfera estivesse carregada de energia e, talvez, facilitasse a presença da Garota das Sombras. Fomos buscar objetos que simbolizavam nossa união: uma vela para representar a luz, um círculo de pedras que escolhemos com cuidado, cada uma representando um membro da família. Era como se estivéssemos criando um espaço seguro onde pudéssemos nos conectar com o desconhecido.

Enquanto o dia se transformava em noite, a ansiedade e a expectativa cresciam. Cada um de nós se sentou em círculo, com as velas acesas no centro. O luar iluminava nossos rostos, e a brisa suave parecia nos abraçar, trazendo uma sensação de calma. Com as mãos entrelaçadas, começamos a falar em voz alta, compartilhando nossas intenções e o desejo de entender a Garota das Sombras.

"Estamos aqui para ouvir você," eu disse, sentindo o coração acelerar. "Se você está nos observando, nós queremos compreender. Não queremos te assustar. Apenas queremos saber por que você está aqui."

Houve um silêncio profundo, e a noite parecia se estender infinitamente. As sombras ao nosso redor começaram a se mover, e uma sensação de frio percorreu meu corpo. Olhei para meus irmãos e vi que todos estavam igualmente tensos, mas também determinados. Era como se, naquele momento, estávamos todos conectados, unidos por um mesmo propósito.

Assim que terminei de falar, algo estranho aconteceu. A luz da vela começou a tremer, e uma brisa mais forte passou pelo quintal, fazendo as folhas das árvores sussurrarem. Em um momento inesperado, uma sombra se formou à nossa frente, dançando nas bordas do círculo. Eu prendi a respiração, e todos os meus sentidos ficaram alerta. A Garota das Sombras estava ali, mais real do que nunca.

"Estamos prontos para ouvir," repeti, o medo se misturando à esperança. O que quer que estivesse prestes a acontecer, sabia que era o início de algo significativo. A presença que tanto nos intrigou estava agora diante de nós, e a verdade que buscávamos estava prestes a se revelar. A jornada para entender a Garota das Sombras estava apenas começando.

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