Capítulo 9: Laços que Se Complicam
A manhã seguinte chegou com uma brisa leve e um céu azul. Marina estava nervosa. Ela tinha combinado de encontrar Rafael e passar um tempo com ele e Pingo, mas não conseguia evitar o peso que sentia em relação a Arthur. As palavras dele no parque ecoavam em sua mente, como se houvesse algo não resolvido entre eles.
Marina olhou para o relógio. Era quase meio-dia, e ela estava se preparando para sair. Theo já estava tirando sua soneca, e Arthur ainda não tinha voltado para casa. Isso a tranquilizava. Ela se vestiu com uma roupa leve e confortável, ideal para um passeio ao ar livre, e se olhou no espelho, passando as mãos pelo cabelo solto.
Ela pegou seu celular e enviou uma mensagem rápida para Arthur, avisando que sairia para seu horário de folga. Poucos minutos depois, uma resposta curta veio.
Arthur: "Tudo bem. Aproveite."
Sem muitas palavras, como sempre. Marina não sabia o que esperar dele após aquela conversa no parque, mas precisava de um tempo para clarear a mente. Ela colocou o celular no bolso e saiu.
Rafael estava esperando no ponto de encontro, no mesmo parque onde se conheceram. Pingo corria animado ao redor, com uma energia contagiante.
“Oi, Marina!” Rafael a saudou com um sorriso largo, seus olhos brilhando de empolgação. “Pingo estava ansioso para te ver de novo. Acho que ele gostou do sorvete da última vez.”
Marina riu, se abaixando para fazer carinho no cachorro. “Oi, Pingo! Espero que hoje você esteja mais calmo,” ela brincou, enquanto Pingo balançava o rabo, feliz em vê-la.
Eles começaram a caminhar juntos pelo parque, a conversa fluindo de forma leve e descontraída. Rafael era uma pessoa fácil de se estar por perto. Ele a fazia rir com suas histórias de fotografia e de viagens, e a maneira como ele falava sobre a vida deixava Marina à vontade. Era o oposto da tensão que sentia na casa de Arthur.
“Você já pensou em seguir algo diferente?” Rafael perguntou, enquanto eles se sentavam em um banco. “Quero dizer, além de ser babá. Você parece ser tão apaixonada por cuidar de Theo, mas sinto que você tem muito mais para oferecer.”
Marina ficou pensativa. Nunca tinha parado para refletir sobre isso. Ser babá de Theo tinha se tornado seu mundo, mas Rafael estava certo. Ela amava fotografia e sempre teve um interesse por novas aventuras. No entanto, sentia que tinha uma responsabilidade com Theo, algo que a segurava.
“Eu gosto de ser babá. Mas... talvez eu tenha deixado alguns sonhos de lado,” ela admitiu, olhando para o céu. “Fotografia é algo que sempre me fascinou, mas nunca pensei em levar a sério.”
Rafael sorriu. “Você deveria tentar. Se quiser, posso te ensinar algumas técnicas. Eu adoro ensinar, especialmente quando encontro alguém com um olhar tão atento para detalhes como o seu.”
Marina sorriu, agradecida pela oferta. Passar tempo com Rafael a fazia sentir-se leve, e a ideia de aprender algo novo e explorar uma paixão antiga parecia uma boa maneira de redescobrir quem ela era além de sua rotina diária.
Enquanto conversavam, o celular de Marina vibrou novamente. Ela olhou para a tela, e uma mensagem de Arthur apareceu.
Arthur: “Você vai voltar para casa mais tarde? Preciso falar com você sobre algo importante.”
Marina sentiu um nó no estômago. Algo importante? O que será que ele queria dizer? A expressão em seu rosto mudou, e Rafael percebeu.
“Tudo bem?” ele perguntou, notando sua súbita mudança de humor.
“Ah, sim... só uma mensagem de trabalho,” Marina respondeu, guardando o celular rapidamente. Ela não queria estragar o momento com Rafael.
Porém, por dentro, o peso da mensagem de Arthur a fazia se sentir culpada. Não sabia por que, mas a ideia de algo importante acontecendo na casa de Arthur mexia com ela. Talvez ele estivesse pensando em demiti-la, ou talvez fosse algo relacionado a Theo. Ela sacudiu a cabeça, tentando afastar esses pensamentos.
“Eu acho que deveria voltar em breve,” ela disse a Rafael, sentindo-se dividida. “Arthur me mandou uma mensagem, e... acho que pode ser algo urgente.”
Rafael assentiu, compreensivo. “Entendo. Não quero te prender aqui. Mas vou cobrar aquela aula de fotografia, hein!” ele brincou, tentando aliviar o clima.
Marina riu. “Eu prometo que vou aceitar a aula!”
Eles se despediram, e Marina começou a caminhar de volta para a casa de Arthur. Durante o caminho, o conflito dentro dela só crescia. Rafael era uma brisa de leveza, uma fuga das complicações emocionais que surgiam ao lado de Arthur. Mas, por algum motivo, ela não conseguia simplesmente ignorar o que sentia quando estava perto de Arthur. Havia algo ali, algo que a puxava para mais perto dele, mesmo que ela tentasse negar.
Quando chegou em casa, Arthur estava sentado na sala, esperando por ela. O ambiente estava quieto demais, e o olhar dele era sério.
“Precisamos conversar,” ele disse, assim que ela entrou. Marina sentiu seu coração disparar, sem saber o que estava por vir.
Ela se sentou no sofá oposto a ele, e o silêncio entre os dois era quase palpável.
“Eu tenho pensado muito,” Arthur começou, hesitante. “Sobre nós... sobre você e Theo. E acho que precisamos definir algumas coisas.”
Marina sentiu o ar faltar. O que ele queria dizer com "nós"? Ela mal conseguia organizar seus pensamentos enquanto esperava pelas próximas palavras de Arthur.
“Você significa muito para o Theo, e eu aprecio tudo o que você tem feito. Mas... eu não posso ignorar que algo mudou desde que você chegou aqui,” Arthur disse, olhando diretamente para ela. “Eu também mudei. E acho que nós dois precisamos ser honestos sobre o que está acontecendo.”
Marina ficou em silêncio, as palavras dele ecoando em sua mente. O que exatamente ele queria dizer? Estava claro que algo mais profundo estava acontecendo entre eles, mas Marina não sabia se estava preparada para lidar com isso.
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Atualizado até capítulo 80
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