Na manhã seguinte, acordei cedo, a luz do sol refletia pelas cortinas pesadas do meu quarto. A sensação da noite passada ainda pulsava em minha mente, uma mistura de poder e incerteza. Eu havia provocado Ryan, testado seus limites, e sabia que ele estava mais abalado do que gostaria de admitir. Mas até onde poderia levar esse jogo antes de perder o controle? Essa era a pergunta que ecoava em minha cabeça.
Levantei-me e fui até a janela. A paisagem russa coberta de neve era impressionante, mas também fria e implacável, assim como as pessoas dessa casa. Uma sensação de isolamento começou a se instalar em mim, mas eu a combati com todas as forças. Não era hora de fraquejar. Ainda havia muito a ser feito, e eu precisava manter minha cabeça no lugar.
Decidi que hoje seria o dia em que finalmente sairia da mansão. Queria explorar o que estava além dessas paredes opressoras, conhecer mais do que apenas os corredores frios e as caras fechadas dos empregados. Ryan havia deixado claro que eu não estava presa, e eu faria questão de lembrar isso a todos aqui.
Vesti-me de forma prática, mas sem perder o toque de sofisticação que sempre me acompanhava. Um casaco longo de lã, botas altas de couro e uma echarpe que envolvia meu pescoço como uma camada de proteção contra o frio. Estava pronta.
Desci as escadas e, como esperado, fui recebida por olhares desconfiados de alguns empregados, mas ignorei-os. Quando cheguei à sala de estar, dei de cara com Viktor, o chefe da segurança. Ele parecia surpreso em me ver fora do quarto tão cedo.
— Senhorita Hadassa, planeja sair? — perguntou ele, educadamente, mas com uma ponta de preocupação.
— Planejo, sim. Estou cansada de ficar trancada aqui dentro. Quero ver a cidade, respirar o ar gelado lá fora. Acredito que não há nenhuma regra contra isso, certo? — perguntei, arqueando uma sobrancelha.
Viktor me olhou por um momento antes de falar, escolhendo as palavras com cuidado.
— Não há regras, senhorita, mas a cidade pode ser perigosa, especialmente para alguém em sua posição. O senhor Cooper ordenou que, se saísse, levasse uma equipe de seguranças. — Ele apontou para os homens parados próximos à porta, vestidos com casacos escuros e feições impassíveis. — Estaremos à sua disposição durante todo o tempo.
Revirei os olhos, não gostando da ideia de ser monitorada, mas ciente de que seria inútil discutir.
— Muito bem, Viktor, se são ordens de Ryan, que seja. Vamos logo com isso.
Os dois seguranças assumiram suas posições, um à frente e outro atrás de mim, enquanto saíamos da mansão. O frio cortante da Rússia atingiu meu rosto, mas, em vez de me fazer recuar, me energizou. Era como se a brisa congelante me lembrasse que eu estava viva, lutando, e que não seria subjugada facilmente. Caminhei pelas ruas da cidade, admirando a arquitetura imponente e as pessoas que passavam, envoltas em seus próprios pensamentos, sem prestar atenção em mim.
Embora a presença dos seguranças fosse incômoda, não deixei que isso me afetasse. Eu ainda tinha uma missão, explorar o mundo lá fora e, ao mesmo tempo, traçar meus próximos passos dentro daquela prisão luxuosa que chamavam de mansão. Sabia que minha liberdade era uma ilusão, e Ryan havia deixado claro que não confiava em mim para andar sozinha. Mas eu podia usar isso a meu favor.
Depois de algum tempo explorando, encontrei um café aconchegante em uma rua tranquila. Entrei, pedindo um chá quente, e sentei-me perto da janela, observando a movimentação lá fora. Pela primeira vez em dias, me senti quase... livre. Era uma sensação estranha, mas bem-vinda.
Enquanto saboreava o chá, comecei a refletir sobre os próximos passos. O que eu realmente queria? Sim, queria mostrar a Ryan que não era apenas uma peça em seu jogo. Mas, além disso, precisava descobrir mais sobre essa família. Havia segredos, e eu estava determinada a descobrir cada um deles.
Minha atenção foi desviada quando percebi que um dos seguranças se aproximava da minha mesa. Era Sergei, um homem calado, mas sempre alerta.
— Senhorita Hadassa, está tudo bem? — perguntou ele, seus olhos varrendo o ambiente com cautela.
— Está tudo ótimo, Sergei, — respondi, calmamente. — Só aproveitando um momento de paz antes de voltar para aquela mansão.
Encaro uma vitrine de uma loja chique de peças íntimas e tenho uma ideia, preciso renovar as minhas e nada melhor que compra algumas peças que terei o prazer de usa e testa os limites do meu noivo,falei para meu seguranças me esperar uns minutos e mostro onde vou eles apenas concorda e sigo até a loja,escolho tudo que preciso e passo no meu cartão,pego as sacolas e um sorriso satisfeito surge nos meus lábios,agora preciso volta pra casa e testa os limites do Ryan.
— Podemos ir pra casa agora — falei chegando onde eles estavam.
Eles apenas assentiu, mas percebi que estava mais preocupado em garantir que eu não fugisse do seu campo de visão. A vigilância apertada era um lembrete de que, apesar de estar fora dos portões da mansão, minha liberdade ainda era limitada. Mas eu sabia jogar. Ryan podia tentar me cercar, me vigiar e controlar, mas no final, era ele que estava se perdendo nas próprias teias. O que ele não entendia é que, ao tentar me domar, estava apenas me fortalecendo.
Voltei para a mansão com minha equipe de seguranças a uma distância respeitosa atrás de mim, mas algo dentro de mim havia mudado. Eu começava a entender o jogo de Ryan Cooper. Ele podia tentar me limitar, mas eu encontraria uma forma de virar o jogo a meu favor. As próximas semanas seriam decisivas, e eu precisava estar pronta para qualquer coisa. Ryan queria brincar de gato e rato, mas ele não tinha ideia do quão ágil esse rato poderia ser.
Cheguei na propriedade,pego minhas sacolas de compras ,subo pro meu quarto e guardo tudo que comprei, tiro minha roupa e coloco uma mais leve, vou pra sala e me jogo no sofá aproveito para liga para a mamãe.
— Senhorita Hadassa, vai querer comer algo? — Joana pergunta me fazendo dar atenção pra ela
— Não,comi um lanche na rua e estou sem fome,caso eu quiser daqui a pouco eu mesmo faço algo que goste.
— Como você quiser— ela diz e saiu.
Disco o número da mamãe que atende no segundo toque.
— Oi minha pequena — mamãe fala sorrindo — Como você está?
— Estou bem,e você como está? Já está de bem com o papai?
— Seu pai um cabeça dura, mas não quero fala de mim ou do seus pai… E sim de você, como seu noivo te recebeu?
— Muito bem, enquanto isso não precisa se preocupar — falo e deixo um sorriso escapar e penso “Ah mamãe se soubesse como meu querido noivo me recebeu”
— Está se alimentando direito? Já conheceu a Malu e o pai do Ryan? — ela pergunta sorrindo — vai ama sua sogra, muito simpática
— Estou sim me alimentando direito, e sobre os pais do Ryan ainda não os vi por aqui.
Converso bastante com minha mãe e finalizo a chamada sorrindo com sua alegria,a tarde passou depressa e vou até a cozinha pego um copo com suco e uma fatia de bolo, como na bancada mesmo da cozinha, sem me importar com os funcionários termino e deixei o prato no balcão mesmo já que dizerem que não poderia lavar.
A porta da mansão se abrir e vejo um casal lindo entrando e uma jovem,só penso que pode ser a família do Ryan, o silêncio é quebrado.
— Oi,você deve se Hadassa? — Ela me pergunta me encarando — Sou Aisha irmã do Ryan — ela estende a mão em cumprimento.
— Sou sim,me chamo Hadassa Stevens — aperto sua mão e sou surpreendida com um abraço
— Esses são meus pais,Malu e Miguel — ela fala animada
— Sejam bem vinda a família Hadassa — meu sogro fala com sua postura séria
— Hadassa, seja bem vinda — ela me abraça — sou Malu,espero que meu filho tenha te recebido bem — forço um sorriso “ Se ela soubesse como fui recebida”
— Meu noivo me recebeu muito bem — falo com ironia — mas sentem ,fiquem a vontade Ryan ainda não chegou.
— Ele avisou que estava de saída — meu sogro falou
— Ansiosa pro seu casamento? — Aisha perguntou sorrindo
— Muito ansiosa, mesmo não sendo do meu gosto,estou sendo apenas uma peça nesse jogo — falo com sarcasmo
— Mas sabe que no nosso meio funciona assim — Miguel falar
— Esse mundo que vivemos é uma porra,não seria mais fácil ter uma nova era ,onde ninguém é forçado a entra em um casamento por uma aliança — falo encarando ele — Porque quantas de nós casamos com quem são dada como uma moeda de troca, e muitas vezes para um próprio demônio, já que muitas mulheres são submissa a esses homens e aceitam tudo.
— Não é….
— Chega melhor encerrar esse assunto, já que minha opinião é diferente. — O interrompi antes de piorar a nossa breve conversa.
A tensão naquela sala era quase palpável, como se todos nós estivéssemos caminhando sobre uma linha tênue, prestes a desmoronar. Ryan entrou com aquela presença imponente, como sempre, cumprimentando a família com um sorriso controlado, mas, quando nossos olhos se cruzaram, eu vi. Vi a faísca de irritação que ele tentava esconder.
— Boa noite família — ele falou beijando a mãe e a irmã
— Boa noite meu filho — Malu diz abraçando ele
— Boa noite coisa feia — Aisha falar
— Como foi hoje? — Miguel pergunta
— Tivemos um problema com uma das cargas de armas mas consegui resolver, e mandei o desgraçado para o inferno.
Fique observando a família conversando, e como o assunto é cansativo, o janta é servido e caminhamos até a mesa.
Eu me sentei ao seu lado sem pedir permissão, claro. Ele não disse nada, mas senti o peso de seu olhar enquanto eu me acomodava. Ah, Ryan, você pode tentar fingir que está no controle, mas nós dois sabemos quem está conduzindo esse jogo.
A conversa no jantar fluía lentamente, entre sorrisos educados e comentários sobre os negócios da família. Miguel parecia especialmente confortável em falar sobre poder e alianças, e eu sabia que ele iria acabar tocando em algum ponto que me irritaria. Não demorou muito.
— Sabe, Ryan — disse Miguel, cortando sua carne com calma, como se estivesse compartilhando uma grande lição —, as alianças são a base de tudo. Sem uma boa aliança, nenhum império se mantém de pé. Suportar os desafios, encontrar o parceiro certo... isso é o que nos mantém no topo,logo terão seus próprios filhos e vão fazer novas alianças pensando no bem deles.
Eu revirei os olhos sem disfarçar, sentindo o sarcasmo borbulhar dentro de mim. Era tão previsível. Claro que Miguel iria transformar um simples jantar em mais uma de suas lições sobre poder e controle. Mas o que me irritava mais era a forma como ele falava dessas "alianças" – como se fossem contratos frios, e não vidas humanas.
— As alianças são a chave, sim — continuou ele, ignorando meu desdém. — Com paciência e sacrifício, conseguimos grandes coisas. Suportar as dificuldades em nome do bem maior é o que define as famílias como a nossa.
Foi aí que não me contive mais. Soltei uma risada curta, abafada, mas impossível de ignorar. Todos na mesa se voltaram para mim. Eu sabia que estava prestes a causar uma pequena tempestade, mas já estava cansada de ouvir tanta baboseira.
— Ah, claro — comecei, a voz carregada de sarcasmo. — Mais uma vez, as mulheres são reduzidas a uma moeda de troca nessas alianças maravilhosas. Sacrificando seus desejos, suas vontades... tudo para garantir que os homens, como você e Ryan, permaneçam no topo. Que inspirador!
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Atualizado até capítulo 66
Comments
Graça Barbosa
linda você está certa em colocar seu ponto de vista mais você não pode esquecer que quem colocou você nessa aliança foi seu pai sua atitude demostra uma falta de respeito com seu sogro e seu futuro marido
2025-02-21
8
Graça Barbosa
linda creio que você precisa de proteção sim ele tem muitos inimigos é você se tornou um alvo para os inimigos dele creio que você não pensou nisso
2025-02-21
2
Clesiane Paulino
não se cale Hadassa... não é prq vc vai casar que tem que ser submissa 😤😤😤😤
2024-12-20
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