Capítulo 19 "A entrada"

A corporação da polícia montada de Baêta, era composta de seres diversos, todos com pelo menos nível intermediário de habilidades, sejam estas mágicas ou de raça, um único agente dessa corporação, não conseguiria de maneira alguma dar cabo de um vampiro recém formado, por isso a corporação desenvolveu um sofisticado método de patrulha, em que sempre três membros estariam a menos de trezentos passos de distância uns dos outros, assim, quando vissem uma sinaleira no céu, em cerca de cinco a sete minutos, o local estaria cercado de guardas, sejam do povo fera ou humanos-mágicos.

O nome da corporação devia-se aos humanos mágicos, que com seu físico inferior usavam cavalos-dragões como montarias, em ordem de aguentar as longas marchas diárias e as frequentes perseguições a ladrões, perseguições essas que cresciam em número desde que a nova baronetesa assumiu o governo da cidade.

Só assim, usando a crescente insatisfação dos cidadãos, que a igreja dos altos elfos construiu uma de suas catedrais na cidade, tentando promover a reeducação dos cidadãos usando os ensinamentos de Gaia, eles por enquanto ainda não tinham a permissão de contrapor-se as regras absurdas da Baronetesa Sandra Gusmán, que aumentava impiedosamente os impostos e praticava cortes abruptos e generosos às verbas públicas da cidade.

Em meio ao caos público gerado pela má administração da cidade, a disputa de poder entre a corte da noite e a igreja dos altos elfos, a população sofria com o desabastecimento e as feiras de rua ficavam cada vez mais frequentes, com pessoas vendendo, comprando e trocando bens por alimentos e produtos de necessidade, a cidade fervia com as feiras de dia, e com a violência a noite, e no meio de mais um dia comum, a população fazia o máximo para abrir espaço a mais nova algazarra.

— Uma sinaleira vermelha? Nunca vi uma vermelha antes!

— Dois.

— Deita no chão! Você não pode contra todos nós!

— Vamos interrogar ele logo! Precisamos saber onde está a senhorita Perla!

A voz de Matt se confundia com o burburinho de vozes, de diferentes raças, que se mesclavam numa cacofonia ensurdecedora, mas ele só se concentrou em contar.

* Tenho que saber a hora certa de agir, nada mais é importante, tenho certeza que ela me dará várias ordens rápidas, assim que chegar! *

— Um.

Assim que contou, ouviu um som de algo molhado atrás dele, como uma toalha grossa de banho encharcada sendo rasgada e jogada num canto do chão, ele ouviu o som mais duas vezes, quando se virou, viu um ser de movimentos elegantes e fluidos, coberto dos pés a cabeça de uma roupa estranha de couro marrom-avermelhado, que escondia sua identidade, sabia-se pelas belas curvas de seu corpo, se tratar de uma mulher, mas raça, cor de pele e rosto estavam completamente incógnitos. O couro pingava escarlate com o sangue dos três guardas-fera que se encontravam jogados ao chão despedaçados, foi quando Matt ouviu a voz de sua protetora:

— Eles sabem quem você é? Ou o outro?

Matt respondeu rápido:

— Apesar de você não ter nos dado máscaras, não nos tratamos por nomes para evitar complicações, então acho que não!

A mulher casualmente evitando um tiro de varinha de um humano-mágico da guarda então respondeu:

— Ótimo! Agora você vai poder testar sua força, vá direto até a borda oeste da cidade, lá você verá um alto, não é esse! A Branca vai te encontrar e te levar em segurança, vejo você em um, mate tudo o que te seguir! Deixe o resto comigo!

Entendendo as instruções de Lady Marry, Matt saiu em disparada aproveitando o espaço que ela criou entre os guardas enquanto a vampira engajava um sonoro massacre a fim de chamar atenção para ela e diminuir o número de perseguidores de Matt.

Ele entrou num, beco, depois numa rua, um guarda humano-mágico montado num cavalo-dragão o perseguia, feitiços variados eram disparados incessantemente, mirando as costas de Matt, que fazia o possível para se esquivar, até que uma bola de fogo acertou-o em cheio, derrubando o garoto sobre os produtos de um dos infinitos mercadores que margeavam as ruas, o pano preto surrado cheio de louças e talheres provocou vários cortes superficiais no rosto e peito de Matt.

O cavaleiro ordenou seu cavalo-dragão a pisar nas costas do garoto para que este não fugisse, o peso do animal e do cavaleiro esmagava Matt contra as louças que se fincavam mais fundo nos ferimentos.

— AAAAAHHHH!

O garoto forçou as palmas das mãos contra o chão, usando toda a sua força para se levantar.

O cavalo-dragão se desequilibrou e caiu, esmagando a perna de seu cavaleiro, que gritava de dor.

* Esse não me persegue mais! *

Pensou Matt, enquanto rasgava os restos de sua camisa ensanguentada e queimada, seu físico agora não era mais o daquele garoto rechonchudo, Matt depois de tanto esforço físico e com a adição de seus poderes vampíricos, agora contemplava um físico parrudo, apesar da barriga ainda redonda ele tinha um peitoral com certa definição e largos braços e ombros.

Ele retomou seu caminho, usando os trapos esfarrapados da sua camisa para estancar da melhor forma possível, os furos e rasgos em seu peito e face, causados pelas cerâmicas do velho que se escondeu com medo de ser envolvido na batalha que acontecia.

O garoto se esquivava das tropas que passavam em direção ao conflito com a vampira, quando de repente ele ouviu a alguns metros atrás de si:

— Ei! Você aí! Parado! Por que está sangrando?

Matt tentou seguir seu caminho, fingindo não ouvir o homem-fera lobo que sentiu o cheiro de seu sangue, mas o guarda não deixou por menos quando disse:

— pegu...

As palavras morreram junto do guarda que agora tinha sua cabeça virada para trás num beco qualquer de Baêta.

Matt continuou seu caminho e finalmente chegando na borda oeste da cidade, o local em nada se parecia com a confusão de pessoas e comércio da área central, essa região, se parecia muito mais com uma cidade do interior, com grandes terrenos baldios e muito espaço vazio.

* Aqui eu não consigo me esconder, onde devo ir? Ela disse que não era o grande, então é algum lugar pequeno! *

Olhando em volta enquanto pensava, Matt via uma grande árvore e mais três pequenas.

* Bom, não é a grande! *

pensou enquanto se encaminhava para vasculhar as árvores menores, a primeira era uma árvore de tronco fino, madeira dura e escura, não havia nada mais a se dizer, a segunda tinha o tronco significativamente mais grosso, tinha uma curiosa madeira cinza, muito clara, quase branca, que se descamava em grandes pedaços, num desses grandes pedaços, havia uma pequena seta escrita em carvão, Matt rasgou o pedaço, no lado rente ao tronco estava escrito:

" Vinte e três "M" à esquerda da grande, a branca está no buraco, rasgue e leve para entrar, se não entender, não é para você! "

Matt foi até a árvore grande e contou vinte e três passos seguindo para a esquerda da rua, para dentro de um dos terrenos baldios, seus ferimentos ardiam, mas sangravam menos que antes, praticamente nada.

No vigésimo terceiro passo ele pisou num buraco e quase caiu, no buraco no chão de terra havia outro bilhete.

" Entrada seguindo em frente, fora da cidade. "

* Que chato esses códigos! Só queria um analgésico! Droga! *

Ele pensava enquanto corria, deixando a grande árvore longe na direção de suas costas, ao longe havia uma colina de grama, ele podia apostar ser lá.

Alguns metros antes da colina, ele foi tocado no ombro e se assustando, viu uma figura parecida com a de marrom-avermelhado do centro da cidade, mas essa vestia couro branco e dizia com uma voz preocupada:

— Matt, o que aconteceu com você? Todo esse sangue!

O garoto com um riso jocoso nos lábios disse:

— Esse é o sangue que oferecemos à nossa senhora, não é?

Com a máscara no rosto de Lady Julie, as expressões dela eram indecifráveis, mas pelo tom pesaroso em sua voz, a sua preocupação era palpável.

— Vamos, temos que cuidar desses ferimentos Matt!

A vampira levou-o rapidamente até o esconderijo, uma entrada pequena se escondia nas raízes de um imenso toco de árvore.

Uma vez que entraram, o lugar era grande e aconchegante, com um pequeno riacho subterrâneo, que corria lentamente entre as grandes raízes da gigante árvore morta acima deles, na colina.

— E a garota? Acho que o nome dela é Perla.

Matt questionou a vampira.

— Está na mansão, vamos curar seus ferimentos.

Disse a vampira, agora sem a máscara, com uma bandeja de faixas e panos alvejados e uma cuia com um tipo de antisséptico, feito de plantas e ervas variadas.

Matt fazia uma careta de dor enquanto Lady Julie limpava o ferimento de suas costas e falava:

— Por Gwaed, precisamos te ensinar alguma magia defensiva! Isso foi uma bola de fogo? Te acertou em cheio!

Matt riu baixo vendo a preocupação da beldade e brincou:

— Nunca uma mulher tão linda ficou tão preocupada comigo! Não tenho palavras!

Ouvindo o elogio de Matt, a vampira enrubesceu desde as maçãs do rosto, até a ponta das orelhas enquanto respondia:

— Aqui temos medicação e Alimento, além de uma água corrente e limpa, vamos esperar aqui até amanhã, vou cuidar de você!

Lady Julie se colocou a frente de Matt e começou a tratar os ferimentos de seu peitoral, O garoto vendo o rosto envergonhado da vampira disse:

— Pode ficar tranquila, eu te protejo se alguém entrar, e você cuida de mim, pode ser?

Os rostos dos dois se aproximaram enquanto ele falava, e a vampira fechou os olhos, então Matt avançou os últimos poucos centímetros que faltavam entre seus lábios, o beijo romântico e lento que aconteceu, fazia-o pensar apenas nela e em nada mais, os dois se abraçaram num beijo apaixonado, e a vampira tomando uma iniciativa surpreendente jogou Matt ao chão, em cima dos sacos de dormir, onde passariam a noite toda se amando.

Capítulos
1 Capítulo 1 “A corrida dos ratos”
2 Capítulo 2: “Negociando com o diabo”
3 Capítulo 3: “Linchamento e Amizade”
4 Capítulo 4: “Preparações para o Massacre”
5 Capítulo 5: “A Luta pela vida”
6 Capítulo 6: “Antes você, do que eu!”
7 Capítulo 7: “Salvando uma vida?”
8 Capítulo 8: "Esperança I"
9 Capítulo 9: “Esperança II”
10 Capítulo 10: “Aquele que crê”
11 Capítulo 11: “A natureza do escorpião”
12 Capítulo 12: "A indignação do sapo"
13 capítulo 13: "O encontro"
14 Capítulo 14: "Revelações I"
15 Capítulo 15 "Revelações II"
16 Capítulo 16: "Revelações III"
17 Capítulo 17: "Conspirações I"
18 Capítulo 18: "Pondo a mesa"
19 Capítulo 19 "A entrada"
20 Capítulo 20: "O prato principal"
21 Capítulo 21: "Os cumprimentos ao chef"
22 Capítulo 22 "A rotina e o feriado"
23 Capítulo 23: "A rotina e o feriado II"
24 Capítulo 24 "Perigoso, mesmo desarmado"
25 Capítulo 25: "A missão da Baronetesa"
26 Capítulo 26 "O candidato"
27 Capítulo 27 "Conspirações II"
28 Capítulo 28 "Engrenagens se movem"
29 Capítulo 29 "O tapa e o mosquito"
30 Capítulo 30 "A melhor defesa"
31 Capítulo 31 "Dia de folga"
32 Capítulo 32 "Na teia da aranha"
33 Capítulo 33: "O jantar da aranha"
34 Capítulo 34 "A tomada de poder"
35 Capítulo 35: "Resoluções"
36 Capítulo 36: "O primeiro passo"
37 Capítulo 37: "Conhecimento é poder"
38 Capítulo 38: "O prato quente"
39 Capítulo 39 "A visita do Barão"
40 Capítulo 40: "O caos do frenesí"
41 Capítulo 41: "O Capitão da guarda"
42 Capítulo 42 "O retorno da Baronesa"
43 Capítulo 43 "A centelha"
44 Capítulo 44 "O pavio"
45 Capítulo 45 "A explosão I"
46 Capítulo 46 "A explosão II"
47 Capítulo 47: "A explosão III"
48 Capítulo 48 "Agridoce"
49 Capítulo 49 "O interrogatório da baronesa"
50 Capítulo 50 "O descuido da rotina"
51 Capítulo 51 "A consequência do descuido"
52 Capítulo 52: "O escolhido do escolhido"
53 Capítulo 53 "A motivação e a decisão"
54 Capítulo 54 "A moeda"
55 Capítulo 55 "A chantagem I"
56 Capítulo 56 "A chantagem II"
57 Capítulo 57 "A doce troca"
Capítulos

Atualizado até capítulo 57

1
Capítulo 1 “A corrida dos ratos”
2
Capítulo 2: “Negociando com o diabo”
3
Capítulo 3: “Linchamento e Amizade”
4
Capítulo 4: “Preparações para o Massacre”
5
Capítulo 5: “A Luta pela vida”
6
Capítulo 6: “Antes você, do que eu!”
7
Capítulo 7: “Salvando uma vida?”
8
Capítulo 8: "Esperança I"
9
Capítulo 9: “Esperança II”
10
Capítulo 10: “Aquele que crê”
11
Capítulo 11: “A natureza do escorpião”
12
Capítulo 12: "A indignação do sapo"
13
capítulo 13: "O encontro"
14
Capítulo 14: "Revelações I"
15
Capítulo 15 "Revelações II"
16
Capítulo 16: "Revelações III"
17
Capítulo 17: "Conspirações I"
18
Capítulo 18: "Pondo a mesa"
19
Capítulo 19 "A entrada"
20
Capítulo 20: "O prato principal"
21
Capítulo 21: "Os cumprimentos ao chef"
22
Capítulo 22 "A rotina e o feriado"
23
Capítulo 23: "A rotina e o feriado II"
24
Capítulo 24 "Perigoso, mesmo desarmado"
25
Capítulo 25: "A missão da Baronetesa"
26
Capítulo 26 "O candidato"
27
Capítulo 27 "Conspirações II"
28
Capítulo 28 "Engrenagens se movem"
29
Capítulo 29 "O tapa e o mosquito"
30
Capítulo 30 "A melhor defesa"
31
Capítulo 31 "Dia de folga"
32
Capítulo 32 "Na teia da aranha"
33
Capítulo 33: "O jantar da aranha"
34
Capítulo 34 "A tomada de poder"
35
Capítulo 35: "Resoluções"
36
Capítulo 36: "O primeiro passo"
37
Capítulo 37: "Conhecimento é poder"
38
Capítulo 38: "O prato quente"
39
Capítulo 39 "A visita do Barão"
40
Capítulo 40: "O caos do frenesí"
41
Capítulo 41: "O Capitão da guarda"
42
Capítulo 42 "O retorno da Baronesa"
43
Capítulo 43 "A centelha"
44
Capítulo 44 "O pavio"
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Capítulo 45 "A explosão I"
46
Capítulo 46 "A explosão II"
47
Capítulo 47: "A explosão III"
48
Capítulo 48 "Agridoce"
49
Capítulo 49 "O interrogatório da baronesa"
50
Capítulo 50 "O descuido da rotina"
51
Capítulo 51 "A consequência do descuido"
52
Capítulo 52: "O escolhido do escolhido"
53
Capítulo 53 "A motivação e a decisão"
54
Capítulo 54 "A moeda"
55
Capítulo 55 "A chantagem I"
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Capítulo 56 "A chantagem II"
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Capítulo 57 "A doce troca"

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