Capítulo 2: “Negociando com o diabo”

*Astray? Não existe um país de Astray, será que fui pego em algum programa de humor ácido e no limite da razão, como aqueles do oriente?* 

Pensou Matt, e assim que o pensamento passou pela sua mente, este foi varrido por uma voz sublime e sedosa, uma voz Magnânima que apesar do tom baixo, era dotada de uma autoridade suprema, algo absolutamente arrebatador e apaixonante, como sinos de uma igreja em batizado ou casamento. 

— Eu gostaria de saber o porque meu capataz está dando informações desnecessárias ao alimento... 

*Alimento?*

Pensou Matt desesperado.

* Eu sou Alimento? Agora está claro! É uma boa pegadinha!*

Assim que Matt pensou isso ele ouviu a resposta da tal voz criaturesca áspera e tóxica que invadia os ouvidos de Matt como abelhas zunindo e se rastejando para dentro de seus ouvidos e em seus tímpanos. 

— Minha senhora e dona, achei que como último ato de bondade vossa magnificência poderia deixá-los saber onde irão morrer e quem irá se servir deles, é uma grande honra afinal! 

E a criatura continuou enquanto os olhos de Matt retomavam aos poucos a capacidade da visão. 

— Eu mesmo gostaria de ter meu fim, sendo utilizado como uma refeição para vossa Graça! Ou a suas damas, não tenho preferência quanto a isso!

Disse a criatura, que agora Matt podia ver seus contornos, apesar de não acreditar no que via, era uma criatura grandiosa, por volta de 3 metros de altura, com pequenas asas nas costas que Matt duvidara servirem para algum tipo de voo, uma vez que o corpanzil da criatura era de aparência rechonchuda. 

*Será que estou em algum evento de cosplay?* 

Matt já vira e fora a estes eventos, uma vez teve um breve relacionamento com uma cosplayer de uma elfa de alguma novel qualquer que ele nem se lembrava o nome, mas o beijo...

Do beijo dela ele se lembrava! E enquanto isso o diálogo continuava...

— Primeiro, você não tem sangue para eu consumir. Segundo, se você tivesse, seu sangue seria pobre e de gosto horrível, não seria adequado a um membro da corte como nós. E por último, tenho outros planos para você pequeno Grogur... Agora pare de brincar com a comida, lave-os e traga aquela de cabelos loiros para mim, eu Marry e Julie nos alimentaremos dela por hoje! 

Disse a voz Magnânima, comandando com muita naturalidade.

Nesse momento os olhos de Matt voltaram a funcionar como uma antiga TV valvulada que finalmente esquenta o suficiente para mostrar a programação.

Matt de repente se viu sentando com suas roupas pobres num chão tão preto quanto azeviche, mas surpreendentemente brilhante, não brilhante como limpo, brilhante como algo gasto, era possível ver claramente símbolos estranhos no chão em volta de toda a sala, que estava a meia luz, não luz elétrica, mas orbes flutuantes de luz amarela fraca, que iluminavam um pouco mais que velas, mas sem fumaça e nem cheiro.

Na sala, haviam várias pessoas, um homem negro muito alto e muito forte, que vestia uma camiseta branca com jaqueta e calças jeans e um all-star vermelho.

Uma garota de cabelos dourados, mirrada e de feições doces, porém extremamente assustada.

Um homem de meia-idade calvo de óculos, terno e sapatos sociais sem gravata.

Uma mulher gorda de cabelos desgrenhados e um bigode maior do que Matt poderia imaginar que uma mulher um dia poderia vir a ter, entre outros jovens e velhos, bem e mal vestidos, assim como Matt.

Mas oque chamava mais a atenção de Matt era a criatura, ele estava a cerca de vinte centímetros de distância das costas da criatura e Matt não conseguia entender. 

* Sem sangue? Ele... Ele é de pedra! *

Constatou Matt em seus pensamentos. 

* Meu santo Deus, ele é feito de pedra! *

A curta distância que Matt estava da criatura, meio deitado, meio jogado ao chão ele não poderia se enganar, a criatura era uma gárgula de pedra, quando se movimentava, pó brotava e caia de suas juntas, como quando pedras são esmagadas e trituradas umas contra as outras, e a voz que ouvia, ele podia ver entre as pernas da criatura que gesticulava com sua senhoria, uma mulher estonteantemente linda de olhos de um verde tão profundo e intenso que parecia que a alma de Matt se perderia dentro daqueles olhos de jade e longos cabelos pretos lisos que iam até à cintura.

Aos lados desta mulher que estava comandando havia mais duas, tão lindas e belamente vestidas quanto a primeira, uma de cabelos ruivos perfeitamente ondulados, de feições mais rígidas e olhos azuis-claros, lindos como o mar caribenho,

E ao lado esquerdo de sua senhoria, uma tão pálida quanto mármore carrara, de cabelos tão brancos quanto neve e olhos também tão brancos e leitosos, que pareciam poder sugar sua alma.

De repente, Matt sem pensar, disse.

— Você... você me enxerga... 

Olhando para a dama branca.

A dama retribuiu Matt com um olhar muito familiar a ele, era o olhar de nojo e desgosto que sua mãe o dava quando ele procurava algum tipo de afeição ou carinho, o olhar de um ser superior, alguém que lhe tem o poder de dar ou tirar a sua vida, Matt pensou isso em uma fração de segundo, pois assim que ela pôs o olhar nele, a criatura escoiceou Matt que acertou a parede com força e desmaiou enquanto sentia o gosto do próprio sangue em sua boca. 

Matt acordou numa grande cela com todos os prisioneiros, ele vestia uma túnica de farrapos e estava descalço, a parte superior de seus pés estava esfolada e apresentava vários pequenos cortes, enquanto Matt avaliava sua situação, ouviu uma voz grave o chamar. 

— Ei cara, desculpe pelos pés, sou mais alto que você, mas não consegui te trazer sem arrastar seus pés no chão, você é bem pesadinho... 

Matt olhou para trás e vislumbrou o jovem negro alto, agora com a mesma túnica esfarrapada de Matt ele podia ver o quão forte e grande ele era. 

— Ah! Obrigado de qualquer forma, meu nome é Matt!

Ele disse enquanto rasgava uma tira da perna das calças para fazer um trapo improvisado para limpar a sujeira dos ferimentos. 

— O meu é Obu, tome, eles serviram esse vinho horroroso, mas bem forte para nós no jantar, você apagou por umas três horas, se bem que levaram meu relógio e não sei exatamente que horas são.

O vinho é ruim de beber, mas deve servir como um antisséptico razoável uma vez que tem tanto álcool quanto um whisky.

— Obrigado cara! Você é legal! Descobriu algo daqui? Onde estamos?

Perguntou Matt enquanto fazia careta, pois o trapo embebido no vinho forte, ardia horrivelmente em seus ferimentos. 

— Você não lembra!? Ele chamou aqui de Astray, disse que é um país ou uma cidade, sei lá, só sei que desde que chegamos, não vi o sol, nem o céu!

Obu fez uma expressão melancólica enquanto dizia o final, Matt percebeu que Obu provavelmente gostava do sol e do céu mais que outras pessoas normais. 

Matt olhou em volta, pela primeira vez desde que acordara naquele chão frio, tentando realmente de maneira fria e calculista entender oque havia acontecido.

Ele e Obu estavam no canto de uma cela grande, que provavelmente caberiam 30 pessoas deitadas dormindo, porém, a capacidade nem chegava perto disso, havia menos de 10 pessoas na cela, e Matt não via a magricela menina loira em lugar algum. 

— Obu, aquela menina loira... 

— Levada! 

Obu o interrompeu 

— Levaram ela logo após o banho, foi uma chacina cara, tinha uma maluca bigoduda, ela resistiu... Nossa! Aquele monstro de pedra pisou tanto na cabeça dela, parecia uma melancia estourada, todos ficamos em choque, mas o monstro disse que se não obedecermos, conosco, será o mesmo, todos nos lavamos, e nos trocamos com essa merda que nos deram, me mandaram te lavar e te trocar, cara, eu só joguei água em você, igual faço com os porcos da fazenda, não ia... 

— Não! 

Dessa vez quem interrompeu foi Matt 

— Ainda bem que você não o fez, se demorasse ou qualquer coisa, teríamos morrido! 

— Então...

Obu continuou

— Depois disso, nos trancaram aqui, menos essa loirinha, o bicho a levou embora, coitada...

Após vários segundos dos dois contemplando o horror que Obu acabara de relatar, Matt indagou.

— E os outros? 

— Estamos quietos né! Vamos fazer oque? Olha o tamanho daquele monstro, ou grossura dessas barras, cara não tenho problemas em morrer, mas tenho medo da forma... 

— Não! Não vou morrer Obu! Eu estava quase conseguindo ter uma vida, droga!

Matt disse desesperadamente.

— Tem que ter uma forma, nem que a gente coma merda e chore sangue! Vamos viver cara! 

— A não ser que você consiga quebrar essas barras, ou abater ou fugir do monstro e de mais quem sabe oque que aquelas mulheres têm aqui, souber onde estamos e aonde temos que ir, e depois voar ou nos teletransportar até esse lugar, vamos morrer.

Obu parecia estranhamente em paz com a ideia da morte, notou Matt. 

* Se você não liga, que morra sozinho*

Pensou Matt 

— Eu vou fazer de tudo para viver Obu!

Disse Matt 

Desde esse diálogo passaram-se dois dias sem muitas ações se não o gigante de pedra trazendo-lhes as rações uma vez ao dia, nesse tempo Matt e Obu continuaram conversando sobre o passado e pensando em planos para fugir, nenhum dos planos se mostrou válido ou minimamente plausível, mas Matt aprendera que Obu advinha de uma família abastada que ganhava sua fortuna cultivando grãos. 

— Ah! Meu corpo? Tem inveja né gordinho! Eu ajudava o pessoal da fazenda sempre que podia, assim além de conhecer os funcionários e a lavoura, ainda ficava com meu tanquinho. 

Falou Obu quando Matt o perguntou sobre seu físico e seu passado 

— E você?

Perguntou Obu.

— Bom, além de gastar metade de tudo oque ganhava em comida, sou faixa marrom de judô, amarela de jiu-jitsu brasileiro e fiz boxe por um tempo também, mas nada sério, era mais para tentar perder peso, aposto que perderia para você numa luta! 

Disse Matt a Obu, Matt sempre gostava de manter uma postura dissimulada ante aos outros, uma vez ele leu em algum lugar "se você tem realmente alguma força, é melhor ser subestimado e surpreender, que ser superestimado e não corresponder" e Matt sempre tinha tido sorte seguindo essa linha de raciocínio. 

— Com certeza eu ganharia! Hahaha!

Disse Obu divertidamente. 

Na manhã seguinte todos os cativos foram acordados abruptamente pela gárgula de pedra batendo forte nas grades. 

— Acordem e prestem seus respeitos seus miseráveis, Lady Marry Sigrid está aqui para escolher qual de vocês será a próxima refeição! 

A mulher ruiva se aproximou das grades, aqueles olhos azuis penetrantes fitando as almas de cada um de seus cativos, Matt se surpreendeu, ela era alta, tinha pouco mais de dois metros de altura.

Não! Ela estava levitando! Sim! Ela levitava com seu vestido mais longo que suas pernas ela parecia mais alta do que realmente era, por um momento Matt sentiu o olhar dela em si, mas não se atreveu a olhar de volta.

— É este que se atreveu em falar direto com Julie, Grogur?

Perguntou a lady vampira. 

— OH! Sim, minha senhora, foi esse verme desprezível, eu o chutei com bastante força, mas pelo visto ele tem grande vitalidade!

Respondeu à Gárgula 

Nesse momento aterrorizado Matt ousou olhar para cima, correndo os olhos no vestido incrivelmente lindo em verde-escuro detalhado com bordados de folhas de plantas que ele jamais vira em sua vida, passando pelos fartos seios da vampira até chegar aos olhos azuis com oque ele agora vira, tinha as pupilas bem dilatadas pelo desejo de seu sangue.

— Hmmm... então será ele mesmo que banqueteará nossa mesa hoje!

Disse a lady vampira em tom jocoso. 

Nesse momento foi como se o chão se abrisse aos pés de Matt, e ele tremendo em desespero caiu, olhando debilmente para a Gárgula abrindo a cela e afastando os cativos, Obu se pondo valentemente entre ele e a Gárgula, e em seguida a Gárgula com as costas de sua mão jogando Obu para o lado, se arremessando metros atrás na parede de pedra. 

* É assim? É dessa forma patética que vou morrer!? Nunca vivi plenamente, e agora vou morrer aqui, sem viver nada, sem viajar para ver nada... E de estômago vazio!*

Pensou Matt desacreditado de seu azar. 

Nesse momento a gárgula o agarrou, Matt não resistiu, a Gárgula o levantou pelo braço com sua grande mão de pedra quase esmagando os ossos do antebraço de Matt. 

— Mova-se banquete! Vamos te lavar para vossa graça se banquetear de você! 

Matt olhou em volta, mas não via mais a lady em lugar algum. 

Grogur o levou até uma sala mais abaixo no subterrâneo, onde de um cano jorrava uma torrente de água constante. 

— Seja uma boa refeição e lave-se sozinho dessa vez, ou eu te darei motivos para querer ser lavar! 

Matt retirou a túnica num movimento rápido e cheio de pavor e escorregando sobre o piso de pedra fria, molhada e limosa chegou a torrente, a água estupidamente gelada tocou sua pele causando um arrepio instantâneo em cada molécula do seu ser 

* Até a água me traiu! Que mundo cruel este, no meu fim, tomando banho gelado com um monstro e de barriga vazia!* 

Matt de alguma forma viu um ar de humor naquilo, o gordinho querendo comida até o fim, até debaixo da água gelada, ele esboçou um leve sorriso para seu próprio infortúnio, um sorriso que não passou despercebido pela gárgula. 

— Uma refeição que ri! Era tudo oque me faltava!

Disse Grogur

— Ah! Mas é que estou apreciando o olhar lascivo que você desprende a meu corpo nu e arrepiado meu senhor! Até o fim me preparou esse banho luxuoso, se realmente quer me conquistar, é só... 

Um tapa duro de uma mão de pedra interrompeu a espiritualidade de Matt enviando ele ao chão com as nádegas nuas, ele deslizou por alguns centímetros até a pedra voltar a ser porosa e lixar seu traseiro sem dignidade. 

— Já que acabou seu banho, vá morrer logo verme! Você não merece a honra de ser o desjejum de nossa baronetesa e suas ladys!

Disse rudemente a gárgula. 

— Ok! Mas se me bater mais elas só terão carne moída para o desjejum, e temo que elas não gostem de carne no meio de seu sangue...

Retrucou Matt enquanto cuspia uma bola de sangue com um dente no chão.

A gárgula o fitou com olhar repreensivo, mas nada fez, então Matt se encaminhou e se vestiu, e Grogur o levou aos empurrões até 3 andares acima, onde era o térreo de uma mansão belamente decorada com mobília e tapeçarias que lembravam o século XVIII londrino. 

— Por aqui refeição! Elas não gostam que a comida demore.

Disse a gárgula enquanto empurrava Matt a direção desejada. 

* Refeição, no fim nem pelo nome irão me chamar...*

Era tudo oque Matt pensava nesses últimos momentos de sua breve vida.

Matt se viu em frente a uma porta dupla ricamente entalhada com detalhes de folhas, pássaros e natureza em geral. 

* Será que eles são vampiros da floresta!? Hahaha! Nada aqui tem ar de Vlad Tepes ou nada assim! *

Pensou Matt enquanto empurrava as portas duplas e entrava, assim que entrou viu às três mulheres, lindas como sempre, sentadas a uma grande mesa, subitamente e sem pensar o corpo de Matt instintivamente recuou um passo, apenas para ele bater debilmente de costas as portas que a gárgula já havia fechado atrás dele. 

* É claro que elas não precisam da proteção da gárgula seu idiota, provavelmente elas são muito mais fortes que ele*

Matt pensou enquanto olhava para elas congelado de medo. 

— Há algo que você realmente queira além de viver pequeno?

Perguntou a mulher pálida que agora que Matt vira novamente era extremamente bonita, com seu tom de pele quase albino. 

— De novo isso!? Logo vão querer adotar humanos de estimação!

Disse insatisfeita a mulher de cabelo preto. 

*essa é a tal baronetesa, qual o nome mesmo? Ah! Sandra Gusmán! Ela é a que manda em todos*

Percebeu Matt 

— Vossa Graça não acha que precisamos de um pouco de entretenimento? Entre as conjurações e a política da corte, basicamente não temos nada, além disso, minha senhora sabe como eu gosto de conhecer as almas humanas!

Retrucou a Lady de branco com um sorriso faceiro em seus dentes perfeitamente brancos. 

— Se minha senhora aceitar, eu também gosto de brincar um pouco com a comida, é um mau hábito, eu sei, mas melhora meu humor...

Concordou a ruiva. 

*A branca é a Lady Julie Portnova, a ruiva Marry Sigfrid, elas estão entediadas e se satisfazem com a morte, minha morte!*

Pensou o apavorado Matt. 

— Responda refeição!

Por fim a baronetesa cedeu. 

Matt em sua sagacidade de vendedor de repente bolou um plano maluco 

* Se não der certo, morro agora, se der, morro depois, e sempre é melhor procrastinar a morte!*

Matt pensou rapidamente e disse! 

— Permita-me apresentar-me a vossa graça, baronetesa Sandra Gusmán, e as ladys Julie Portnova e Marry Sigfrid!

Matt disse isso enquanto olhava cada uma na sua expressão de melhor vendedor possível, incrivelmente as surpreendendo, mesmo que um pouco, então ele continuou.

— Sou Matt Scott tenho 17 anos e completarei minha maioridade em 7 meses! Sou um bom vendedor, mas sinceramente, sou melhor animador de palco! 

Às três se mostraram um pouco mais interessadas 

— Oque é um animador de palco?

Perguntou Lady Julie enquanto lady Marry só olhava e a baronetesa Sandra revirava os olhos. 

*ganhei uma de três, faltam duas!*

Pensou Matt 

— Ah! Minha senhora, animador de palco é uma profissão que consiste em acabar com os momentos ociosos e tediosos, incumbindo-se de animar a plateia idealizando quaisquer shows que as venha a mente! 

Nesse momento a Lady Julie fez prontamente uma expressão de decepção, enquanto Lady Marry revirou os olhos e a baronetesa disse. 

— Viram!? É só mais um bobo da corte! E eu estou com fome droga! Já estão satisfeitas? Vou me servir!

No mesmo instante que a baronetesa acabou de falar, Matt sentiu um arrepio e sem ter tempo para reagir sentiu uma mão puxando sua cabeça para o lado, expondo a carne nua de seu pescoço. 

* Onde está a baronetesa, ah! Ela está aqui, vou morrer! Não!* 

— É de sangue que essa plateia gosta, vou dar tanto sangue que vocês ficarão enjoadas, se você não me matar! 

Nesse momento Matt sentiu um bafo surpreendentemente quente em seu pescoço e algo afiado contra a pele de sua garganta, mas subitamente se afastou. 

* Não acredito, eu ganhei a mais difícil?*

Entendeu Matt desacreditado 

— E como um ser menor como você poderia conseguir mais sangue para nós! 

Respondeu a baronetesa.

* Elas sentem fome!*

Entendeu Matt 

— Ah! Vossa Graça! Eu farei um torneio para vocês! Faremos um chaveamento e lutas entre nós, meras refeições, o perdedor vira a refeição do dia!

Disse Matt não acreditando no que saia de sua própria boca. 

* E como vou fazer isso? Nunca apresentei um show em toda minha vida...

Mas elas também nunca viram um show antes, se realmente estivermos em outro mundo, pode haver coisas que sei que ainda não existem aqui!* 

— Ah! Vossa Graça, ele quer fazer como nos coliseus sangrentos da cidade Estado de Victum! Eu amava ver os combates até a morte que haviam lá!

Disse uma surpreendentemente empolgada Lady Marry. 

— Não seria um mau espetáculo, e teríamos nossa comida.

Concluiu Lady Julie 

Subitamente Matt sentiu seu corpo mais leve, a influência do aperto da baronesa não existia mais, e quando percebeu ela já estava sentada em seu lugar prévio à mesa, junto das outras duas. 

* Como ela faz isso? Parece até teletransporte!*

Perguntou-se Matt 

— Como você é petulante criatura menor! Todos vocês já são meus! Posso apenas mandar vocês se matarem e assistir.

Disse a baronetesa 

* Ela já aceitou a ideia, mas quer explicar a outros o porque tomou essa decisão, e espera a resposta de mim, isso não passa de um teste*

Pensou Matt e por fim disse 

— Sem uma boa cenoura na ponta de uma vara longa, um burro não andará vossa graça, da mesma forma, uma pessoa não batalhará a não ser que veja uma vantagem esperançosa nisso!

Matt disse humildemente olhando ao chão. 

— E como você dará essa esperança aos outros?

Indagou a baronetesa. 

— Liberdade.

Respondeu Lady Julie no Lugar de Matt. 

— Se mandarmos eles se matarem, a maioria ficará em pânico, um ou dois matarão os outros pela mera esperança de serem libertos, mas a maioria seria apenas abatida e nosso espetáculo seria breve e sem emoção, mas ao dar uma esperança palpável, os humanos irão além de seus limites para alcançar esse objetivo.

Continuou Lady Julie. 

— Exatamente!

Concordou Matt 

A baronetesa não esboçou reação. 

— Não me decepcione verme!

Ela disse por fim 

— Grogur! Entre!

Ordenou a baronesa 

A gárgula abriu as portas e se surpreendeu quando viu Matt parado em frente dele perfeitamente bem 

— Vossa Graça...

Tentou dizer o decepcionado Grogur 

— Cale-se e me escute!

Comandou a baronetesa 

Grogur assim como comandado, calou-se e olhou para os pés mexendo rapidamente as pequenas asas, como um rabo de um cachorro. 

* Ele tem raiva de mim, porque sobrevivi*

Percebeu Matt 

— Leve Matt até o primeiro andar subterrâneo e mostre a ele a arena de treinos, dê a ele oque precisar para decorá-la e tranforma-la numa arena de espetáculo, use 20 Ghouls e 40 zumbis para a mão de obra, não mais que isso! Vamos finalmente ter oque fazer por aqui! 

Ordenou a baronetesa com um sorriso satisfeito, olhando para Lady Julie e Lady Marry 

Grogur tomou o Braço de Matt e o arrastou para fora do salão. 

— Maldito língua de seda! Não sei oque fez mais vai se arrepender se não der a baronetesa oque ela quer! Há coisas piores que uma morte rápida! Você verá! 

E Matt pensava enquanto tropeçava tentando acompanhar os passos largos da gárgula.

* Mas pelo menos por hoje, estou vivo! Ah como é bom continuar respirando! *

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Comments

Mưa buồn

Mưa buồn

Cara, esse livro me deixou sem fôlego, quero mais!

2024-10-14

2

Ver todos
Capítulos
1 Capítulo 1 “A corrida dos ratos”
2 Capítulo 2: “Negociando com o diabo”
3 Capítulo 3: “Linchamento e Amizade”
4 Capítulo 4: “Preparações para o Massacre”
5 Capítulo 5: “A Luta pela vida”
6 Capítulo 6: “Antes você, do que eu!”
7 Capítulo 7: “Salvando uma vida?”
8 Capítulo 8: "Esperança I"
9 Capítulo 9: “Esperança II”
10 Capítulo 10: “Aquele que crê”
11 Capítulo 11: “A natureza do escorpião”
12 Capítulo 12: "A indignação do sapo"
13 capítulo 13: "O encontro"
14 Capítulo 14: "Revelações I"
15 Capítulo 15 "Revelações II"
16 Capítulo 16: "Revelações III"
17 Capítulo 17: "Conspirações I"
18 Capítulo 18: "Pondo a mesa"
19 Capítulo 19 "A entrada"
20 Capítulo 20: "O prato principal"
21 Capítulo 21: "Os cumprimentos ao chef"
22 Capítulo 22 "A rotina e o feriado"
23 Capítulo 23: "A rotina e o feriado II"
24 Capítulo 24 "Perigoso, mesmo desarmado"
25 Capítulo 25: "A missão da Baronetesa"
26 Capítulo 26 "O candidato"
27 Capítulo 27 "Conspirações II"
28 Capítulo 28 "Engrenagens se movem"
29 Capítulo 29 "O tapa e o mosquito"
30 Capítulo 30 "A melhor defesa"
31 Capítulo 31 "Dia de folga"
32 Capítulo 32 "Na teia da aranha"
33 Capítulo 33: "O jantar da aranha"
34 Capítulo 34 "A tomada de poder"
35 Capítulo 35: "Resoluções"
36 Capítulo 36: "O primeiro passo"
37 Capítulo 37: "Conhecimento é poder"
38 Capítulo 38: "O prato quente"
39 Capítulo 39 "A visita do Barão"
40 Capítulo 40: "O caos do frenesí"
41 Capítulo 41: "O Capitão da guarda"
42 Capítulo 42 "O retorno da Baronesa"
43 Capítulo 43 "A centelha"
44 Capítulo 44 "O pavio"
45 Capítulo 45 "A explosão I"
46 Capítulo 46 "A explosão II"
47 Capítulo 47: "A explosão III"
48 Capítulo 48 "Agridoce"
49 Capítulo 49 "O interrogatório da baronesa"
50 Capítulo 50 "O descuido da rotina"
51 Capítulo 51 "A consequência do descuido"
52 Capítulo 52: "O escolhido do escolhido"
53 Capítulo 53 "A motivação e a decisão"
54 Capítulo 54 "A moeda"
55 Capítulo 55 "A chantagem I"
56 Capítulo 56 "A chantagem II"
57 Capítulo 57 "A doce troca"
Capítulos

Atualizado até capítulo 57

1
Capítulo 1 “A corrida dos ratos”
2
Capítulo 2: “Negociando com o diabo”
3
Capítulo 3: “Linchamento e Amizade”
4
Capítulo 4: “Preparações para o Massacre”
5
Capítulo 5: “A Luta pela vida”
6
Capítulo 6: “Antes você, do que eu!”
7
Capítulo 7: “Salvando uma vida?”
8
Capítulo 8: "Esperança I"
9
Capítulo 9: “Esperança II”
10
Capítulo 10: “Aquele que crê”
11
Capítulo 11: “A natureza do escorpião”
12
Capítulo 12: "A indignação do sapo"
13
capítulo 13: "O encontro"
14
Capítulo 14: "Revelações I"
15
Capítulo 15 "Revelações II"
16
Capítulo 16: "Revelações III"
17
Capítulo 17: "Conspirações I"
18
Capítulo 18: "Pondo a mesa"
19
Capítulo 19 "A entrada"
20
Capítulo 20: "O prato principal"
21
Capítulo 21: "Os cumprimentos ao chef"
22
Capítulo 22 "A rotina e o feriado"
23
Capítulo 23: "A rotina e o feriado II"
24
Capítulo 24 "Perigoso, mesmo desarmado"
25
Capítulo 25: "A missão da Baronetesa"
26
Capítulo 26 "O candidato"
27
Capítulo 27 "Conspirações II"
28
Capítulo 28 "Engrenagens se movem"
29
Capítulo 29 "O tapa e o mosquito"
30
Capítulo 30 "A melhor defesa"
31
Capítulo 31 "Dia de folga"
32
Capítulo 32 "Na teia da aranha"
33
Capítulo 33: "O jantar da aranha"
34
Capítulo 34 "A tomada de poder"
35
Capítulo 35: "Resoluções"
36
Capítulo 36: "O primeiro passo"
37
Capítulo 37: "Conhecimento é poder"
38
Capítulo 38: "O prato quente"
39
Capítulo 39 "A visita do Barão"
40
Capítulo 40: "O caos do frenesí"
41
Capítulo 41: "O Capitão da guarda"
42
Capítulo 42 "O retorno da Baronesa"
43
Capítulo 43 "A centelha"
44
Capítulo 44 "O pavio"
45
Capítulo 45 "A explosão I"
46
Capítulo 46 "A explosão II"
47
Capítulo 47: "A explosão III"
48
Capítulo 48 "Agridoce"
49
Capítulo 49 "O interrogatório da baronesa"
50
Capítulo 50 "O descuido da rotina"
51
Capítulo 51 "A consequência do descuido"
52
Capítulo 52: "O escolhido do escolhido"
53
Capítulo 53 "A motivação e a decisão"
54
Capítulo 54 "A moeda"
55
Capítulo 55 "A chantagem I"
56
Capítulo 56 "A chantagem II"
57
Capítulo 57 "A doce troca"

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