Os aposentos de Lady Marry eram suntuosos, via-se uma gama muito variada de obras de arte de todos os tipos, e que flagrantemente eram de culturas e povos bem diferentes, mas tudo se mesclava e combinava, as peças se destacando como uma dança em par em que o dançarino tenta ao máximo destacar as qualidades da dançarina e vice-versa. Era impressionante para Matt ver que apesar do luxo pujante, o ambiente ainda conseguia manter o seu aconchego, nesse lugar mais que em qualquer outro, ele sentia-se um ser menor, uma pessoa de segunda categoria.
— Então eu estraguei tudo não é mesmo? Mas Matt, você passou muito tempo fora da cela, e depois desacordado, muito tempo tentando salvar a sua vida, e me carregando com você na salvação, sou grato por isso, mas Josh era bom! Quando voltou a si, após você tratar as costelas dele, ele sempre me falava como queria ter sido forte como você, ou como ele se culpou por não ter te defendido no momento em que soubemos do torneio, como ele se arrependia de ter vergonha de falar com você, ele via sua força Matt, ele via como você lutava para salvar o máximo que podia, e ele morreu acreditando nas palavras daquela maldita!
Obu desabafava sentado no banco, seus punhos cerrados tão forte que as juntas de seus dedos estalaram, ele fazia de tudo para segurar as lágrimas que insistiam em cair.
Matt colocou uma mão sobre o ombro do amigo e disse.
— Ele não deveria ter acreditado em mim, afinal todas as lutas, todos os ossos quebrados, todas as torções, tudo! Todo sofrimento foi minha culpa, sim! Todos nós iríamos morrer, mas em ordem de me salvar, torturei a todos nós! Eu quase morri pelas presas da baronetesa, sei que se doesse seriam poucos segundos, a não ser que ela quisesse torturar a gente, mas não demos a ela esse motivo.
Matt olhou para seu braço, as marcas escarlates que pareciam nunca curar, nem infeccionar, elas só perduravam, e continuou.
— Na verdade, nem dá tempo de doer, sabendo como é ser mordido, e analisando como tudo aconteceu, paguei com o sofrimento de todos, inclusive o seu, a minha vida e a sua Obu, eu não sou um herói, sou um torturador, sou um covarde. Josh pelo menos morreu honrando o combate, você fez o mesmo, eu só estou vivo por coincidência do destino, sou uma piada!
Pela primeira vez Obu não contradisse Matt, sobre a forma como sobreviveram ele só abaixou a cabeça e deixou as lágrimas rolarem novamente.
Alguns minutos se passaram com os amigos em silêncio, apenas se perdendo no vórtice de emoções que sentiam, quando a porta se abriu com um baque surdo, lady Marry carregava lady Julie, e a deitou na cama com a ajuda de Matt e Obu.
Lady Julie parecia agora mais pálida ainda, praticamente desacordada tudo oque fez foi olhar para Matt, antes de desmaiar, ele percebeu que por uma fração de segundo viu a linda cor escarlate da íris de lady Julie.
Subitamente uma torrente de sentimentos e informações passaram pela cabeça de Matt e ele caiu desmaiado na pedra laranja escura que compunha o chão dos aposentos de lady Marry.
Agora tendo um sonho lúcido ele se encontrava em uma dimensão branca, o céu e o chão se confundiam no horizonte, uma vez que tudo era pálido, branco e sem vida, a pele de Matt se arrepiou com a brisa fria, como os ventos do outono, olhando em volta confuso, Matt encontrou uma mesa de ferro fundido branco com duas cadeiras, numa delas um homem extremamente bem-vestido estava sentado tomando algo que parecia quente numa xícara de porcelana cinza com adornos prateados. O homem de fraque olhou na direção de Matt e sorriu de maneira cativante, convidando-o a sentar disse.
— Então é aqui que você se esconde? É interessante que alguém com tantos problemas e traumas como você ainda tenha o interior do Espírito tão alvo e calmo como estou vendo.
Disse o homem com uma voz Magnânima e calma.
Sentando-se à mesa e sentindo-se confuso Matt perguntou.
— Quem seria, ou, o quê seria você? E esse lugar?
O homem de cabelos longos até os ombros e olhos escarlates olhou fixamente para Matt dando um sorriso faceiro e apontando a xícara de café a frente de Matt antes de lhe responder.
— Aproveite seu café! É uma bebida que com certeza absoluta vai fazer extremo sucesso em toda Tellus, te garanto isso! Quanto a minha identidade, espero que no nosso próximo encontro, você já saiba quem sou, mas o que você pode ter certeza é que sou um amigo, puxo fios e coloco dedos na balança aqui e ali para tentar ajudá-lo em algumas situações.
Além disso, o que quero te pedir é que assim que voltar para lá, deixe Julie tomar um pouco de seu sangue, não a deixe morrer Matt ela será importante para você no futuro, decida seus amigos e aliados, nesse mundo ter em quem confiar é importante! Afinal você é um dos elegíveis!
O homem olhou com um rosto terno e gentil abrindo um grande sorriso para Matt.
* Ele tem presas, é um vampiro também! *
Percebia enquanto tomava de sua xícara, o amargor do café contrastando com o doce do açúcar era algo que sempre ajudava o humor de Matt, quando a xícara se descolou de seus lábios, ele abriu os olhos de volta nos aposentos de Lady Marry.
— Quem? O quê é café!?
Lady Marry perguntava olhando para Matt.
— Quanto tempo eu apaguei dessa vez?
Perguntou Matt.
— Poucos segundos, quando te coloquei na cama você balbuciou algo sobre um vampiro e disse que o café era bom.
Lady Marry parecia confusa enquanto explicava.
— Segundos? A conversa que tive com ele durou pelo menos uns 5 minutos.
Matt olhou para o lado e viu lady Julie ao lado dele, ela parecia uma boneca de porcelana, sua pele branca como a neve, suas feições inocentes como as de uma criança, seus lábios separados por poucos centímetros mostravam seus dentes perfeitamente alinhados e milímetros de suas presas.
— Ele me falou para dar meu sangue a ela!
Matt disse para lady Marry enquanto sentava-se na cama olhando para lady Julie.
— Ele quem?
Perguntou lady Marry.
— O vampiro que vi agora desmaiado, ele…
— Você é maluco? Sério? Você realmente está considerando dar mais sangue a ela?
Questionou Obu interrompendo Matt.
— Garoto calado!
Bradou lady Marry a Obu, antes de perguntar a Matt
— O que exatamente você viu quando desmaiou?
Assim que Matt descreveu em detalhes todo o ocorrido, ele pôde ver que lady Marry arrepiou-se.
— Julie estava certa, é você Matt!
Lady Marry disse abrindo um grande sorriso sincero!
Antes de continuar ela sentou-se à mesa de desjejum ao lado da cama.
— Se ele não revelou sua identidade a você, quer dizer que esse é um, ou o desafio que você deve passar a fim de se tornar o escolhido, e se eu disser mais do que isso, estarei te prejudicando mais que ajudando, espero que me perdoe. E se ele o pediu para dar seu sangue a Julie, Matt eu sinceramente faria o que ele disse, mas a escolha cabe a você!
Obu encarava Matt sem ousar dizer uma palavra enquanto lady Marry falava, mas seu olhar dizia tudo, ele era totalmente contra a ideia.
— Desculpe amigo, sei sua opinião, mas vou escolher seguir o plano da entidade sem nome, se você pesar bem, não temos muito a perder, né?
Matt encostou o antebraço mordido nos lábios da vampira, que com um movimento sobre-humano o agarrou com os olhos escarlates abertos, olhando fixamente para Matt. Milhares de imagens, sensações e emoções passaram em sua mente como flashes inteligíveis, os músculos de todo o corpo de Matt se enrijeceram e sua mente se apagou assim que as presas de lady Julie deslizaram para fora da carne de Matt.
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Atualizado até capítulo 57
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