Enquanto apreciavam o brioche macio, de textura aveludada e gosto acentuado de leite, a carne vermelha de um nobre e macio corte despejava seu gorduroso e temperado suco nas bandejas de Matt e Obu que também tomavam o rico vinho tinto adoçado, temperado com canela, anis-estrelado e outras especiarias, a refeição quente expulsava o frio da noite dos corpos dos garotos.
Matt quebrou o silêncio e perguntou:
— Lady Marry, quanto tempo faz que chegamos aqui?
A vampira, que estava cuidando de lady Julie ainda desmaiada, deu uma pausa em seus afazeres para pensar alguns segundos antes de responder:
— Acredito que cerca de dois meses, se é que existem meses e anos do lugar que vocês vieram!
Ao ouvir a resposta de lady Marry, Matt disse:
— Temos meses e anos, alguns com trinta, outros com trinta e um, e um com vinte e oito dias, no total nosso ano tem trezentos e sessenta e cinco dias, a não ser no ano bissexto, que temos um dia a mais para regular as fases da lua e as estações do ano.
A vampira continuou:
— Então é igual! Sim, faz cerca de dois meses.
Obu percebendo que agora poderia saber o que quisesse, perguntou:
— Lady Marry, o que houve entre você e a atual baronetesa?
A baronetesa deposta deu de ombros falou:
— Matt, estou um pouco ocupada com a Julie, tenho que ver se ela está se recuperando bem. Você pode explicar a Obu tudo o que Gwaed te contou? Se houver necessidade eu complemento outra hora.
Matt então se serviu de mais um gole do maravilhoso vinho e começou a atualizar seu melhor amigo:
— Há quase um milênio Nasceu um homem comum, que por algum motivo do destino foi transformado em vampiro por um membro bem comum dessa raça. O fato é, que apesar de não ter nenhuma variante muito rara ou que o ajudava em batalha, Asmodon reuniu aliados e subiu rapidamente na hierarquia da corte da noite, até um dia ser traído por um de seus asseclas, ele decaiu para a posição de barão e continuou por muito tempo. O território dele era muito próspero e digno, e os monarcas vizinhos começaram a se ressentir dele por isso e estavam começando a orquestrar um ataque, isso foi pouco tempo antes da nossa preciosa lady Marry aqui se tornar vampira.
O motivo que ela se tornou, é um mistério, Gwaed me disse que só percebeu um vampiro com uma variante forte nascendo, em geral, ele meio que não presta muita atenção em outras raças.
Lady Marry iniciou uma breve explicação:
— Nosso Deus gosta de emoção! Os humanos em geral precisam de proteção, Gaia é uma Deusa mais maternal, em tese ela cuida e protege a todos, mas como Gwaed nos tem em grande estima, e alguns poucos da raça animal, no fim ele cuida dos vampiros e da noite, e Gaia cuida principalmente dos elfos, ela ama aqueles merdas! E ela às vezes olha pelos humanos mágicos, mas esses na maioria do tempo estão por sua própria sorte.
A explicação de lady Marry pegou Matt de surpresa:
— Então o nome da outra lá! É Gai...
Ouviu-se um ruidoso "crack" quando lady Marry moveu-se de maneira sobre-humana e acertou outro soco na cabeça de Matt antes de dizer:
— Não é outra lá! É Gaia! Trate os Deuses com respeito! Não sei como era no seu mundo, mas aqui eles nos observam! E você rapaz! Você chama muita atenção!
O soco não chegou a ser tão forte quanto o outro, mas, mesmo assim Matt lutava contra os olhos lacrimejantes enquanto continuava esfregando a cabeça:
— Mas Gwaed só se referiu a ela assim! Eu não sabia o nome da Deusa Gaia!
Lady Marry colocou a mão em seu rosto, e em um puro estado de incredulidade disse:
— O quê? E como ele te falou a história do mundo?
Matt, tentando organizar os pensamentos e responder de forma adequada disse:
— Ele me contou o que vinha em sua cabeça, em fragmentos soltos, e tudo que me contou foi de uma forma extremamente bêbada! Daí juntei as partes.
Lady Marry fez uma expressão complicada, algo entre o horror e a fúria enquanto dizia:
— Você deixou nosso Deus bêbado? Santo Gwaed, quem você escolheu? E, porque eu tenho que guiar ele, meu Deus!?
Matt já se defendendo de um possível golpe na cabeça disse:
— Lady, ele me pediu para eu apresentar a ele tradições do meu mundo! Lá nós comemos e ficamos bêbados juntos, posso dizer que Gwaed adorou!
Vendo toda a cena ridícula, Obu finalmente abriu um grande sorriso antes de dizer:
— Cara se o Josh estivesse aqui para ver isso! Hahaha! Ele com certeza ia amar ver que o ídolo dele, é o referente a um protagonista de alguma história! E essa história de escolhido Matt? Sobre o que é isso?
Matt abriu um sorriso pesaroso pela falta de Josh quando voltou a explicar:
— Vou chegar nisso! Vamos lá! O fato é que Lady Marry aqui se mostrou uma vampira muito forte desde cedo e no fim ela, com a sua variante de defesa conseguiu com Asmodon aumentar a guerra até ela envolver o rei vampiro da época, e derruba-lo do cargo, Asmodon assim se tornou o novo rei vampiro, por esse esforço nossa querida Lady Marry se tornou uma das elegíveis para ser escolhida por Gwaed, o escolhido é um vampiro que recebe graças e bênçãos direto de Gwaed.
Obu então perplexo disse:
— Então de qualquer forma você realmente será o próximo rei vampiro, certo?
Matt respondeu devagar:
— Na verdade, não! Uma vez que Lady Marry se recusou a ser a escolhida de Gwaed, ele tornou o próprio Asmodon seu escolhido, e mesmo assim Asmodon foi destronado e morto dando lugar ao atual rei Gallard. Portanto, ser escolhido é sim, ganhar poderes e favorecimento, mas Gwaed me disse que nem ele, nem Gaia são oniscientes, então tenho que estar atento a conspirações, na verdade, existe muita dificuldade deles em realmente mudar coisas no nosso mundo, eles são mais como espectadores aumentam e abaixam o volume de uma televisão, o fato é que eles abaixam e aumentam o volume de cada ser vivente de Tellus, entende?
Obu tomou mais um gole de seu vinho antes de dizer:
— Sim, e, porque ele quer te transformar em Rei vampiro? Ele não pode influenciar Gallard?
Matt olhou para Lady Marry, checando se ela estava ocupada antes de cochichar para Obu:
— Ele não gosta nada do homem que matou o antigo escolhido dele, Gwaed chamou ele de morceguinho frutífero! Hahaha!
Lady Marry do outro lado do quarto irrompeu em gargalhadas altas antes de dizer:
— Sério? Gwaed se referiu ao todo-poderoso aniquilador de elfos como, morceguinho de frutas? Hahahaha! Quando depusermos Gallard, precisamos falar isso pra ele, só isso já ganha uma batalha moral! Ah! E eu consigo te ouvir daqui! Todo vampiro tem uma grande audição!
— Aniquilador de elfos?
Perguntou Obu chocado.
Matt o acalmou dizendo:
— Elfos são a raça preferida de Gaia, eles têm todas as bênçãos e favorecimentos possíveis dela, apesar de ela não escolher um membro dos elfos, como Gwaed faz, ela presta muita atenção neles. O fato é que é muito grande a rivalidade entre os altos Elfos, raça do dia como são chamados, e os Vampiros, obviamente, a raça da noite, às duas raças sempre se digladiam para reinar sobre o povo fera e os humanos mágicos, porém com essa batalha infinita se formou com o passar dos tempos, um equilíbrio natural, que Asmodon lutou para manter e aumentar, ele chegou até mesmo a fazer alguns acordos formais e documentados com os elfos, deixando as florestas e planícies para eles, enquanto as maiores civilizações, que interessavam praticamente nada aos elfos ficaram para os vampiros governarem. Mas Gallard tomou o trono de rei, e comandou toda a corte da noite e suas tropas a marcharem para cima do território dos elfos, foi um massacre absurdo!
Quando Matt parou sua explicação para tomar um gole de vinho e molhar a garganta seca Obu perguntou:
— Então os Elfos perderam a guerra e agora os vampiros mandam em tudo, certo?
— Errado!
Lady Marry interrompeu oferecendo sua mão para pegar a bandeja vazia, assim como o odre vazio de Obu, antes de continuar explicando com indiferença enquanto colocava os objetos de lado:
— Na verdade, o primeiro ataque foi um sucesso absoluto, em cinco meses de ataque os vampiros aniquilaram quase setenta por cento da população élfica, não gosto dos orelhudos, mas um massacre assim sem aviso...
Lady Marry fez uma carranca lembrando-se do acontecido antes de continuar:
— O fato é que as bênçãos de Gaia são distribuídas igualmente entre os elfos, então quanto menos elfos existem, mais fortes eles são! Por isso logo a guerra entrou num estado estacionário, e com táticas de guerrilha e se aliando a outras raças, os Elfos viraram a guerra a favor deles, eles fundaram a igreja dos altos elfos, que aceita membros de qualquer raça, menos vampiros, óbvio! E eles se dedicam fortemente a erradicar nossa existência da face de Tellus, como somos uma raça imortal e forte a guerra agora entrou novamente em estado de equilíbrio, mas de uma forma ruim para nós, uma vez que não podemos mais andar nas ruas, nem de dia, nem de noite sem sofrermos atentados, e temos direitos de cidadão em poucos países, os poucos que a corte ainda comanda, o resto é deles, aqui mesmo em Baêta temos aquela horrenda igreja dos altos elfos! E se a guerra continuar assim, seremos logo reduzidos a zero, por isso acredito que o trabalho que Gwaed deu a Matt foi fazer toda essa merda de política!
Matt baixou a cabeça, e de maneira insegura disse:
— Espero que eu esteja a altura do trabalho!
Lady Marry então bagunçou os cabelos de Matt com a mão e sorrindo, como uma tia sorri a um sobrinho com vergonha, disse:
— Acalme-se criança, dessa vez não cometerei o erro que cometi com Asmodon, estarei a seu lado e lá ficarei! Não querendo me gabar, mas sou a melhor estrategista de guerra que a corte já teve! Não foi acaso Gwaed ter te trazido aqui!
Lady Marry e Obu sorriam e brincavam tentando apoiar e motivar Matt quando todos ouviram a voz aveludada e graciosa de lady Julie:
— Então você realmente se tornou um vampiro Matt?
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Atualizado até capítulo 57
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