Nós nos aproximamos da vila, as asas de Ethan já viraram capa novamente. E eu fui passando pelas pessoas, eram elfos brancos, suas roupas simples e humildes, umas crianças passaram por mim, tinha outras raças morando por aqui também. Tinha uma crianças com um rabo e orelhas de touro, provavelmente deve ter outras espécies de animais mágicos por aqui. Nisso eu via Ethan, as pessoas olhavam para ele e não ousavam tocar, era triste ver a aversão das pessoas sobre os ceifadores.
–Ethan?–Olhei para o chão, os seus passos voltaram a ficar mortais, matando algumas gramas e flores no caminho.
–Hm?
–A gente saiu do campo de selamento da casa–Falei preocupada–Como eu vou voltar?
–Bem a pé é uma boa opção, eu não posso me locomover a cavalo, ou mesmo a carroça por aqui–Cogitou ele agora parando no caminho.
–E quanto aqui? Você não fez seu feitiço–Falei justamente por causa das crianças que corriam e não tinha noção da raça dele.
–Está tudo bem, não tem nenhuma linha aqui em que alguém vai morrer me tocando sem querer–Ele balançou a cabeça analisando a rua–Não por enquanto, mas se você quer que eu me afaste pelo bem e segurança desses moradores, vou aproveitar dar uma volta por ai.
–Obrigada–Quando eu ia perguntar para ele como iria chamar de volta, literalmente ele se dissipou como fumaça no ar. Eu suspiro, e continuo andando e vou para uma feira próxima observando que além de vendas tinha música e gente dançando alegre, não era um festival, mas eles investiram na pequena festa gerada na rua.
–Bom dia moça–Uma voz masculina ecoou atrás de mim, eu me virei de imediato vendo um homem se curvando para mim, ele não era tão alto, tinha uma aparência magra, mas não tanta, ele era definido, feições felinas, sua pele escura, cabelos trançados e nos lados da cabeça raspado, ele tinha orelhas pretas no topo da cabeça. Analisei um pouco mais, percebendo que ele era uma pantera por causa da cauda que se movimentava atrás de forma lenta.
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–Bom dia–Cumprimentei de volta.
–Estou fazendo promoções para livros, você quer dar uma olhada? Tenho vários tipos de gêneros à venda–Ele sorriu, um sorriso convidativo, ele apontou para a sua tenda e eu fui até lá vendo as capas.
–Não sabia que vocês incentivavam as mulheres a lerem, vejo tão poucas com esses costumes por aqui–Eu passei a mão por um, sua capa tinha o rosto de uma Kitsune de pelagem branca, e no título escrito "A Dor da Vida e da Sobrevivência", autora desconhecida.
–Oh, mas existem muitas leitoras! Meu público alvo sempre foram as mulheres. São os homens que não tem esse hábito de ler–Ele corrigiu, me mostrando alguns novos livros–Apesar de ter gêneros masculinos por aqui, é muito difícil desses livros serem vendidos para homens.
–Realmente não parei para pensar nesse lado, mas que bom que seu público alvo seja as mulheres. Talvez pelo tédio da vida, um bom livro para fugir da realidade seria bom para qualquer um–Eu coloquei o livro de volta na bancada da tenda. Passei o olho em uma capa específica me interessou, o livro também escrito por um autor ou autora desconhecida. Aproveitei a deixa peguei ele observando seus detalhes, ela sinopse falava de um romance no terceiro reino, o reino de Ethan.–Quanto que está esse?
–Ele estava por 1 moeda de ouro élfico. Mas pela promoção estou fazendo um saco da moeda de prata–Eu estava sem dinheiro naquele momento, mas queria ler esse livro.
–Ah... Infelizmente estou sem dinheiro para comprar o livro–Eu devolvi o livro, meu rosto com decepção. O dinheiro divino não influencia em outras áreas.
–Eu posso emprestar se você me devolver de volta–Ele se inclina para frente da bancada.
–Eu posso?–Fitei seu rosto, meus olhos brilhando quando ele colocou os livros nas minhas mãos novamente.
–Sim, darei um prazo de um mês. Se você não me devolver, eu terei que fazer uma busca indo atrás de você–Ele avisou sua voz séria.
–Não, está tudo bem, acho que eu termino até antes–Como aquela casa está um tédio, um livro desse virará um passa tempo temporário. Eu segurei o livro em mãos como se fosse uma jóia preciosa–Muito obrigada.
–Não tem de que, moça. Os meus negócios sempre são gerados para moças bonitas como você–Disse ele de forma encantadora.
–Ah, quanta gentileza. De certa forma, qual é seu nome, caro amigo?–Antes de eu sair eu perguntei para ele.
–Me chamo Pietro Dantes, um humilde felino a seu dispôr.
–Gostei de você. O céu precisa de mais pessoas como você e principalmente na biblioteca–Ele olhou para mim, inclinando a cabeça para o lado.
–Seria de muito bom agrado trabalhar em uma biblioteca divina, devo imaginar que tenha vários tipos de livros cativantes para uma boa leitura–Ele sorriu, seus dentes caninos a amostra.
–Nem sempre–Dou um sorriso pequeno indo embora, as bibliotecas do céu, são bem chatas e sem vida para falar a verdade. Continuei andando pelo o lugar, até que eu fui parar no caminho que dava para o campo, continuei caminhando até lá vendo o pasto de grama verde bem alta, e umas florzinhas aqui e ali, bem fofinhas e pequenas. Eu me animei com o passeio passando a mão naquele jardim feito pela mãe natureza, suas raízes sempre maravilhosas e contingentes, eu comecei a correr pelo o campo até eu ver Ethan lá na frente–Ethan!–Quando o chamei ele se virou para mim, guardando uma foice fazendo meu sorriso desaparecer, alguma coisa aconteceu.
–Passou pelo lugar bem cedo–Questionou ele virando todo o corpo em minha direção.
–Eu queria ver o campo, que tinha visto antes enquanto nós voava, e fiquei brincando por aqui...–Eu passei o olhar nele, sem sinal de sangue ou corpo atrás dele–Oque você estava fazendo com sua foice em mãos antes?
–Uma criança morreu aqui, resolvi guiar ela para um bom lugar–Vejo ele mover a cabeça para outro canto, sua voz era baixa e séria. Eu abri a boca como ele lidou isso de forma bem direta.
–Como assim, oque aconteceu?–Perguntei preocupada.
–Nada demais, princesa... Você não precisa lidar com essas coisas, é para isso que estou aqui–Disse ele querendo me afastar do local porém sem me tocar diretamente.
–Ethan, oque aconteceu com a criança?–Não ousei mover um músculo do meu lugar até que ele me responda.
–A criança...Ela morreu de uma doença, chamada tuberculose. Pelas roupas, provavelmente deve ter pegado dos familiares antes dela ser deixada na rua e como a doença vai se degradando com o tempo...E o excesso de cansaço, fome e sede. A criança morreu bem cedo–Ele olhou para mim, saindo do local onde ele estava, eu o segui de lado para não pisar por onde ele pisa.
Um silêncio fica no ar entre nós, pensei, Ethan lida com essas coisas como se fossem normais do dia a dia. Claro, ele é a própria morte, mas ele não deixa nenhum ressentimento nem uma certa preocupação quando se trata de crianças morrendo tão jovens e pequenas. Ele está quieto, nenhuma mudança de energia nem nada, apenas neutro, ele está analisando o campo, o seu olhar passando pelo pasto. Até que ele se vira para mim de uma vez, e eu quase piso por onde ele está e quase toco na sua capa.
–Ei, tome cuidado!–Exclamei pulando para o lado.
–De onde pegou esse livro?–Sua voz era firme quando falava ignorando as minhas reclamações.
–Em uma venda lá na vila, algo de errado?–Olhei para o livro na minha mão e mostrei para ele.
–Não, só reconheci um pouco da energia ai dentro. É sobre o terceiro reino não é–Ethan voltou a ficar de costas para mim, andando novamente.
–Ah sim, um homem pantera me entregou esse livro, tenho que devolver ele depois. Prometi a ele que devolveria, já que não tinha moedas para pagar–Eu voltei a andar tentando acompanhar os passos largos dele que ele estava dando.
–Huh? Felino é, esses bichos são uma praga–Resmungou ele, a foice dele aparecendo em suas mãos e ele parou no caminho novamente, eu parei ao seu lado.
–Alguém morreu?–Observei a paisagem tentando encontrar algum corpo, ou abutres, moscas ou algo do tipo.
–Não–A voz dele saiu sombria–Abaixa!–Com reflexo altos eu me abaixei ouvindo o zumbindo da lâmina passando acima de mim, e um ataque mágico foi transferindo explodindo um pouco mais longe–Droga–Ethan deu meia volta me deixando no local. Eu me levantei para fitar Ethan, mas tudo que encontrei foi um buraco, fumaça e a frente nenhum sinal dele, até que alguém agarra o meu pescoço e prensa uma lâmina fria e afiada na minha pele.
–Olá de novo, anjo–Sussurrou a voz masculina familiar no meu ouvido.
–Pietro?–Perguntei olhando por canto de olho.
–A seu dispor–Ele riu, mas ele não soltou o meu pescoço.
–Acho bom, Príncipe, que se divertir com as clientelas é um crime de capital. E a sua pena é a morte, meu caro gato preto–A voz de Ethan veio do além, até eu assustei com o timbre profundo da voz dele.
–Vejamos, os rumores estão certos, o Anjo e a Morte andam em conjunto. A vossa pena é pior que a minha–Pietro debochou de volta.
–Tão insignificante quanto a sua vida gato–A lâmina da foice de Ethan estava a um triz de encostar no pescoço de Pietro, outro que estava atrás.
–Eu pelo menos tenho nove vidas, não é?–Pietro me empurra para frente virando o corpo habilmente transferindo um chute em direção a cabeça de Ethan, que o mesmo defendeu com o cabo da foice, a segunda foice de Ethan apareceu em um ramo de fumaça negra em direção a Pietro, que pulou para longe desviando da foice. Eu saí de lá de perto, correndo para dentro da vila fingindo que nada estava acontecendo lá fora. Fui andando, os passos apressados, fitando algumas vezes as minhas costas.
–Pelo os céus!? Toda vez alguém quer ter um motivo para lutar contra um ceifador!–Resmunguei esbarrando em uma criança que caiu no chão. Eu me assustei, colocando as mãos na boca e fui pedir desculpas à pobre criança que caiu no chão, ajudei a criança levantar primeiro e dei um beijo na testa dela como desculpas–Me perdoe mesmo pequenino, não foi intenção, volte a brincar com os seus amigos–Eu dou um leve sorriso, ainda bem que a criança não começou a chorar.
Continuei caminhando dessa vez com mais calma e menos pressa, eu virei uma esquina e vejo uma pantera correndo na minha direção e uma coruja rasga mortalha passou voando por mim, gritando e pousando na minha cabeça berrando, quando a pantera pulou sobre mim, agarrando a pequena ave que sumiu em meio a fumaça na boca do felino. Entramos em um campo de feitiço de alguém, eu olhei nos tetos das cabanas e casas por ali, várias corujas olhando para mim e para a pantera que ficou em modo de defesa, analisando a situação. Eu engoli em seco, todas aquelas corujas os olhos negros e sombrios, os rostos se familiarizando com rostos humanos. Desviei o olhar para as ruas, também não havia mais ninguém, enfatizando ainda mais sobre entrar no feitiço de alguém. Um som agudo pode ser ouvido de longe, o feitiço sendo quebrado, e várias lanças choveu acima da gente, o felino foi espetado por várias lanças caindo no chão sem vida, eu olhei para cima e uma lança atravessou a minha cabeça, falecendo imediatamente.
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...Estava no pasto, observando o corpo da criança quando Julietta apareceu pulando feito um cervo animado. Eu escondi a foice o quanto mais rápido, e então ela me viu o corpo a trazendo ela aqui ao meu lado. Eu suspiro, e desvio o olhar quando ela me pergunta sobre a foice, mentir para um anjo era feio? Bom, quem sou eu para falar se sou uma autoridade maior do que ela. Pobre menina, mal sabe oque acabei fazer a trazendo de volta. Fazer a balança mexer nos pauzinhos nem sempre é uma coisa legal a se fazer, dois pesos de almas contra um peso puro e inocente da alma da criança em que ela esbarrou....
–Ethan, oque aconteceu com a criança?–Ela parecia irritada? Ou preocupada? Por que isso me parece que é culpa minha? Eu olho para o corpo da criança escondida ali na cova recém-cavada.
–A criança–Ah sim, aquela criança–Ela morreu de uma doença, chamada tuberculose. Pelas roupas, provavelmente deve ter pegado dos familiares antes dela ser deixada na rua e como a doença vai se degradando com o tempo–Uma mentira aqui e ali ninguém vai notar–E o excesso de cansaço, fome e sede. A criança morreu bem cedo–Olhei uma última vez para ela, pensando no que vou fazer agora e caçar aquele infeliz de novo que está por aqui em algum lugar.
–Nossa, eu tenho impressão que já ouvi você falando nisso em algum lugar?–Eu olhei para ela, visto que a alma retornou a seu corpo, isso era bom, funcionou o feitiço, agora falta o outro, o felino.
–Talvez muitas pessoas da vila deva ter falado algo sobre tuberculose, huh?–Eu parei abruptamente, a fazendo quase encostar em mim, escutei um som bem de longe, o típico farfalhar de moitas. Aquele desgraçado deve ter chegado e está se esgueirando por ai igual covarde, eu respirei fundo fazendo a minha foice aparecer em mãos, sentindo o cheiro no ar do beijo da morte. O feitiço que fiz nos dois, funcionava como um bom radar–Abaixe!–Eu arremesso a minha foice em direção a pantera abaixada, não usei magia nessa parte só arremessei na frente dele, o fazendo pular para trás em defesa pensando que era mesmo um ataque–Certo, já é a terceira vez que você vai morrer, me dê logo essa porcaria de tecido–Aquele bastardo levantou-se em versão humana rindo de mim com deboche.
–Pietro?!–Exclamou Julietta confusa.
–Sou eu sim querida–Ele se reverenciou para ela, eu rolei os olhos um assobio rouco saindo da minha garganta, eu agarrei o cabo com força da minha segunda foice–Olha Ethan, você poderia ser um pouco mais gentil com as pessoas não é?–Tirou sarro–Tudo que você poderia ter feito era só ter me entregando as penas do anjo, ela deve ter várias caídas por ai.
–Anjos não são galinhas para soltar penas, idiota–Minha voz saiu autoritária e firme.
–Confesso que o demasiado de feitiços que você lançou, foi de grande surpresa. Foi bom presenciar a morte com os próprios olhos, quem foi a vítima dessa vez, hein?–Ele sorriu descaradamente.
–É sério mesmo que você quer falar disso, sabe muito bem oque eu usei como sacrifício–Eu caminhei, meus passos medidos, ao meu arredor a grama apodrecendo com o toque da minha maldição–Se eu fosse você, gato, daria logo esses tecidos.
–Eu só estou brincando caro amigo. Você sabe que eu adoro desafiar a morte as vezes–O Pietro fez uma bolsa de couro aparecer, no couro tinha escrito com sangue de cordeiro, os símbolos de runas e palavras em latim como reza para a benção daquele tecido, eu peguei da mão dele–Se quiser mais, venha apenas para meu reino, prometo não ser mais irritante novamente–Ele deu um sorriso travesso no rosto, conheço bem aquele trambiqueiro. Por final ele se aproxima de Julietta pegando nas mãos dela que tinha o livro do terceiro mundo–E você minha querida, pode ficar com o livro, tenho vários desse no meu arsenal. É um presente de boas vindas terrestre–A pantera sumiu virando poeira dourada dissipando na brisa fria do vento.
–Oque aconteceu aqui?–O rosto dela se virou para mim, a voz suave de indignação.
–Não é nada, o importante mesmo era que eu consegui esses malditos tecidos–Mostrei a ela o saco–Eles me permite tocar nas outras pessoas, minha capa é feito desse tecido, então você pode-me tocar sobre a capa–Eu cortei as cordas do saco com a minha garra e retirei o tecido do saco, era grande quase do meu tamanho de dois metros e dez de altura–Venha aqui–Ela me obedeceu, e enrolei o tecido em volta dela, embrulhando o corpo curvilíneo e delicado, tomando cuidado com as asas–Agora quer passar no lago, ou ainda quer ficar um pouco mais na vila?
–Eu quero ir embora, julgo que o lago seria um pouco mais saudável–Quando ela disse isso, prontamente já a paguei nos braços, o pequeno corpo moldando com o tecido que a embrulhei, olhei para ela e depois para o céu, o feitiço cobrou o tempo, o pôr do sol chegará em breve. Eu usei magia para minhas asas aparecerem, a capa sumindo no processo derretendo para virar as asas. Cessei vôo carregando pelos céus, espero que quando chegar ao lago, não me faça várias perguntas sobre a morte da criança.
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Atualizado até capítulo 98
Comments
Nix
estou amando a história 💕
2024-09-29
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