Soltei um leve rosnando do fundo da minha garganta me afastando dele e indo para a porta. Ouço ele rir baixinho quando eu saio da cozinha e fui para o corredor, caminhei até a sala e fui direto para a porta da sacada do lado de fora. Chegando perto da porta, uma gosma negra parecida com piche se materializa na minha frente, e o ceifador aparece inclinado com o rosto perto do meu bloqueando a minha passagem.
–E então, aonde você pensa que vai, pequena?
–Respirar?–Falei colocando as minhas mãos na cintura, fitando ele que agora indireta a postura projetando a sua sombra sobre mim.
–Um anjo, pequeno e frágil como você, sair lá fora? Não acho que seria uma boa ideia, princesa–Suas últimas palavras saíram forçadas em um tom de uma leve ameaça.
–Não posso sair?–Continuei percebendo a visão dele indo para a governanta que saiu da cozinha depois de limpar o vômito e depois a atenção dele volta para mim exalando uma pitada de irritação em sua voz:
–Tudo bem. Você pode ir lá fora, princesa. Mas não se meta em problemas ou se afaste muito. Entendeu?–Ele deu um passo para o lado abrindo o meu caminho.
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Eu suspiro indignada e apenas balanço a cabeça em confirmação quando começo a caminhar novamente para a sacada lá fora.Os meus pés descalços deslizaram sobre a madeira com verniz laranja, eu fui para perto de um pilar e me escorei nele olhando para os três degraus que desciam para o gramado a frente onde estava a floresta—De quem será essa cabana que antes era inabitada?— Eu me abaixei e me sentei no segundo degrau da escada, observei um pouco a floresta, levantei o olhar para olhar o céu azul com algumas nuvens aqui e ali. Será que a minha família está me procurando? Ou, simples, fui só jogada aqui, pois era parte de algum plano? Vai saber oque está acontecendo lá em cima agora. Eu suspiro abraçando meus joelhos, quando sinto uma presença atrás de mim me observando, ou mesmo analisando oque eu estou pensando.
–Aproveitando a vista, princesa?–Ninguém mais ninguém menos que o ceifador escorado no batente da porta.
–Você não tem ninguém melhor para irritar?–Resmunguei ainda de costas para ele, ouço os passos de sua bota atrás de mim.
–Ah, eu tenho muitas pessoas para irritar, princesa. Mas nenhuma delas é tão divertida quanto você–Ele respondeu se aproximando de mim e sentando-se a alguns metros longes de mim, olhei para ele por um momento tentando discernir a sua expressão através daqueles olhos roxos fixados em algum ponto na floresta.No mesmo instante, a floresta que antes estava silenciosa ouvimos barulhos de uma matilha de lobo, galhos e arbustos agitando. Eu direcionei o meu olhar para a floresta, quando o ceifador se levanta e uma foice gigante aparece na sua mão–Parece que eu terei um bom rango hoje–A voz dele era sombria e fria, ele desceu as escadas de forma cautelosa quando um coelho branco de olhos vermelhos pulou de um arbusto e veio direto correndo na minha direção, e logo atrás pulou seis lobisomens de quatro patas, ou melhor, lobos encantados. As pelagens de todos os lobos soltavam uma espécime de fumaça negra dando contraste com as suas pelagens negras e avermelhadas.
–Ho, hoh, oque temos aqui!–Rosnou o líder da alcatéia pulando para frente da matilha, seu rosto cheio de cicatrizes e seus dentes afiados a amostra.
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Atualizado até capítulo 98
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