Capítulo XIV - Pressão

O Ceifador me fitava em silêncio enquanto tossia violentamente e me virava para vomitar. Seu rosto por baixo da máscara de crânio se contraiu em uma leve expressão de desagrado, mas ele permaneceu ao seu lado, esperando pacientemente até que eu terminasse.

–Calma. Respire fundo.–Ele murmurou, a sua voz carregando uma habilidade incomum enquanto sua mão deslizava gentilmente pela as minhas costas.

O coelho que eu tinha deixado na sacada, resolveu se transformar em forma humana. Era uma menina, ou melhor, uma anã, orelhas de coelho, olhos grandes e avermelhados.

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Ela veio correndo até meu corpo e usou magia de cura no meu abdômen. O Ceifador, atento à cena, aproveitou a oportunidade que eu estava sendo tratada por outra pessoa, ele se levanta, as suas duas foices que estavam por aí fincadas no chão surgiram na sua mão. Uma fumaça, ou sombra negra envolveu as foices até as mãos do ceifador, uma aura sinistra e sobrenatural caiu sobre o local deixando a matilha de lobos soltaram uivos e rosnados. O olhar do ceifador caiu sobre a matilha, causando arrepios nos pobres lobos que ali se viam em meio a desespero e fraqueza por estar sem líder. Os lobos choramingavam por misericórdia o rabo entre as pernas, a coelha ainda curando o meu abdômen, levantou o olhar fitando a cena um pouco preocupada pelo que vem na frente.

Ceifador se teletransportou junto com o bando para longe do local da casa e causou uma grande mutilação e massacre, chegando a fazer chover sangue no local onde Ceifador estava. O ar estava cheio de sons de uivos e rosnados de dor enquanto Ceifador liberava sua ira sobre a matilha de lobos. Enquanto a chuva de sangue caía do céu, a matilha de lobos tentava revidar, mas eles não eram páreo para o poder e habilidade de Ceifador. Ele parecia não ter misericórdia enquanto cortava a matilha com uma crueldade que era quase aterrorizante. Não importava o quanto os lobos tentassem se defender, eles não tinham chance contra a fúria do ceifador.

Depois de um tempo a coelha conseguiu recuperar a minha barriga com a sua magia, e enquanto isso eu ainda estava deitada no seu colo olhando para o céu. Quando o Ceifador retornou, o cheiro metálico de sangue impregnava o ar ao seu redor, um pouco depois ele se virou na nossa direção, o seu corpo e roupas salpicadas de sangue. Ele ficou a alguns passos de distância, me analisando silenciosamente. A coelha olhou para ele de forma cautelosa, mas ela não ousou mexer um músculo comigo em seu colo. Nós duas ouvimos um suspiro, ele voltou a se mexer mas não em nossa direção e sim para a casa e sumiu para dentro dela o som de sua bota causando um baque silencioso a cada metro que ele distanciava. Logo eu pedi para a coelha me ajudar a me sentar e eu olhei direto para a porta por onde estava as pegadas de sangue manchadas na madeira feitas pelo o ceifador.

–Você está bem?– Ela perguntou, com a voz suave e gentil.

–Sim estou... E você, aqueles lobos te machucaram?– Olhei para ela preocupada, ela era fofa com suas orelhas brancas e aveludadas.

–Estou bem. Aqueles lobos não puseram uma pata em mim, não se preocupe.–Ela balançou a cabeça dando um sorriso doce.

–De qualquer forma, preciso levantar e ver como aquele idiota está...–Resmunguei me apoiando nela.

–Calma. Você passou por muita coisa.–Ela alertou, com os olhos cheios de preocupação me ajudando a manter meus pés firmes no gramado.

–Estou bem, estou mais preocupada com você.– Dou a ela um pequeno e doce sorriso–Você fugiu de uma matilha de lobos e ainda viu um ceifador matar o líder e voltar todo ensanguentado depois de matar o resto da matilha.

–Não se preocupe comigo, querida. Já vi muitas coisas na minha vida, consigo lidar com um pouco de caos. Mas aprecio a sua preocupação.–Eu assenti e então entramos, e ceifador andou pelo corredor, ele tomou banho bem rápido, seu corpo ainda estava molhado, ou melhor seu torso e braços, ele estava usando um par novos de calças com um tom de vermelho mais escuro, com uma mão ele estava enxugando seu cabelo longo com uma toalha. E na mão livre ele tinha uma bolsa estranha em suas mãos, algo como um boneco de vodu ou pontos semelhantes.

A mulher-coelho e eu o seguiu a uma certa distância, por segurança. Havia algo sinistro nisso, nele, ou naquela bolsa estranha. Até que ouvimos gritos de agonia quando ele abriu os pontos de costura daquela bolsa e ele tirou duas almas de dentro e começou consumir na nossa frente. Nós duas não notamos, a máscara dele estava ligeiramente bem acima do nariz, porém não dava para descobrir muito de seu rosto masculino, pois ele estava de costas para a gente. Já o consumo das almas parecia fazer ele deformar um pouco o rosto para ter esse tipo de consumo. Sinto a pobre anã ao meu lado tremer, eu aproveitei e peguei na mão dela para reconfortar, ele não teria a ousadia de matar a gente aqui.

–Vocês ratas gostam muito de colocar o nariz onde não é chamado–A voz dele ecoou em um sussurro rouco ao lado direito do meu ouvido, eu olhei para os cantos caçando ele ali na frente e sinto uma mão quente no meu ombro, eu olhei para trás me assustando um pouco com a aparição repentina dele.

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Comments

Joana Sena

Joana Sena

muito interessante esse livro, estou gostando. ☺️

2024-10-30

1

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Capítulos
1 Capítulo I - Gato e o Passarinho
2 Capítulo II - Gaiola
3 Capítulo III - Caçoar
4 Capítulo IV - Segredos?
5 Capítulo V - Seu lugar
6 Capítulo VI - Um Pouco de Paz
7 Capítulo VII - Cozinha
8 Capítulo VIII - Casca
9 Capítulo IX - Aquelas fadas?
10 Capítulo X - Sacada
11 Capítulo XI - Matilha
12 Capítulo XII - Duelo
13 Capítulo XIII - Pele de Lobo
14 Capítulo XIV - Pressão
15 Capítulo XV - Sozinhas
16 Capítulo XVI - Confissão
17 Capítulo XVII - Sombras da vida
18 Capítulo XVIII - Uma Saída
19 Capítulo XIX - Mexendo os Pauzinhos.
20 Capítulo XX - Dança das almas
21 Capítulo XXI - Quem foi Ethan?
22 Capítulo XXII - O Reino Desértico.
23 Capítulo XXIII - O Sonho
24 Capítulo XXIV - Consulta
25 Capítulo XXV - Jhonny?
26 Capítulo XXVI - Justificativas e Mentiras
27 Capítulo XXVII - Passando o tempo
28 Capítulo XXVIII - Gatinho Manso
29 Capítulo XXIX - A Festa Abreu
30 Capítulo XXX - Coroa-de-Cristo
31 Capítulo XXXI - Confiança ou Abandono
32 Capítulo XXXII - Persistência
33 Capítulo XXXIII - Necta da Morte
34 Capítulo XXXIV - Homem Astuto
35 Capítulo XXXV - Violeta
36 Capítulo XXXVI - Roxo brilhante
37 Capítulo XXXVII - Nova Jornada
38 Capítulo XXXVIII - O Guardião de Guern Storm
39 Capítulo XXXIX - Orgulho de Leão e Coração de Águia
40 Capítulo XL - Último pedido
41 Capítulo XLI - Minha Essência
42 Capítulo XLII - Uma sobrevivente
43 Capítulo XLIII - Sombras
44 Capítulo XLIV - O Café da Manhã Pode Esperar
45 Capítulo XLV - Indecisão
46 Capítulo XLVI - Conversa
47 Capítulo XLVII - Um dia com um coelho anão
48 Capítulo XLVIII - Amor e Paixão I
49 Capítulo XLIX - Amor e Paixão II
50 Capítulo L - Pó da rabiola
51 Capítulo LI - Eu sou a Morte
52 Capítulo LII - Uma memória perdida
53 Capítulo LIII - Os tempos mudam
54 Capítulo LIV - Ovos Draconianos
55 Capítulo LV - Encontro de Irmãos
56 Capítulo LVI - Caos
57 Capítulo LVII - Libertação ou Consequências
58 Capítulo LVIII - As janelas
59 Capítulo LIX - O tabuleiro de um trapaceiro
60 Capítulo LX - Erro de planejamento
61 Capítulo LXI - O arco-íris no final da tempestade
62 Capítulo LXII - Ao inferno
63 Capítulo LXIII - A quatro paredes
64 Capítulo LXIV - Pelo poder, pelo amor, pela eternidade
65 Capítulo LXV - No silêncio existe a desordem
66 Capítulo LXVI - O tormento está começando
67 Capítulo LXVII - A Morte que Caminha nas Sombras de um Anjo
68 Capítulo LXVIII - Planejamentos Ocultos
69 Capítulo LXIX - Terceiro Mundo
70 Capítulo LXX - Os Núcleos
71 Capítulo LXXI - Vamos acreditar na cegonha
72 Capítulo LXXII - Exigências
73 Capítulo LXXIII - O Cavaleiro do Apocalipse
74 Capítulo LXXIV - Audacioso
75 Capítulo LXXV - Tolo Desafiador
76 Capítulo LXXVI - Nunca Subestime uma Velha Deusa
77 Capítulo LXXVII - Impaciência
78 Capítulo LXXVIII - Minha em todas as formas
79 Capítulo LXXIX - Manhã preguiçosa
80 Capítulo LXXX - O Vira lata do Céu
81 Capítulo LXXXI - Trágicas Notícias
82 Capítulo LXXXII - O luar sucumbe à esperança
83 Capítulo LXXXIII - Notícias do céu
84 Capítulo LXXXIV - Hora de Partir
85 Capítulo LXXXV - Correntes Quebradas
86 Capítulo LXXXVI - Covarde
87 Capítulo LXXXVII - Guerra no Paraíso
88 Capítulo LXXXVIII - As peças foram organizadas
89 Capítulo LXXXIX - Podridão
90 Capítulo XC - Vida e Morte
91 Capítulo XCI - Luz Divina
92 Capítulo XCII - Salão de festas
93 Capítulo XCIII - A Morte em seu julgamento
94 Capítulo XCIV - O esqueleto
95 Capítulo XCV - Cansaço
96 Capítulo XCVI - Vamos Tirar um Ar
97 Capítulo XCVII - O não converso com ninguém
98 Capítulo XCVIII - O Milagre
Capítulos

Atualizado até capítulo 98

1
Capítulo I - Gato e o Passarinho
2
Capítulo II - Gaiola
3
Capítulo III - Caçoar
4
Capítulo IV - Segredos?
5
Capítulo V - Seu lugar
6
Capítulo VI - Um Pouco de Paz
7
Capítulo VII - Cozinha
8
Capítulo VIII - Casca
9
Capítulo IX - Aquelas fadas?
10
Capítulo X - Sacada
11
Capítulo XI - Matilha
12
Capítulo XII - Duelo
13
Capítulo XIII - Pele de Lobo
14
Capítulo XIV - Pressão
15
Capítulo XV - Sozinhas
16
Capítulo XVI - Confissão
17
Capítulo XVII - Sombras da vida
18
Capítulo XVIII - Uma Saída
19
Capítulo XIX - Mexendo os Pauzinhos.
20
Capítulo XX - Dança das almas
21
Capítulo XXI - Quem foi Ethan?
22
Capítulo XXII - O Reino Desértico.
23
Capítulo XXIII - O Sonho
24
Capítulo XXIV - Consulta
25
Capítulo XXV - Jhonny?
26
Capítulo XXVI - Justificativas e Mentiras
27
Capítulo XXVII - Passando o tempo
28
Capítulo XXVIII - Gatinho Manso
29
Capítulo XXIX - A Festa Abreu
30
Capítulo XXX - Coroa-de-Cristo
31
Capítulo XXXI - Confiança ou Abandono
32
Capítulo XXXII - Persistência
33
Capítulo XXXIII - Necta da Morte
34
Capítulo XXXIV - Homem Astuto
35
Capítulo XXXV - Violeta
36
Capítulo XXXVI - Roxo brilhante
37
Capítulo XXXVII - Nova Jornada
38
Capítulo XXXVIII - O Guardião de Guern Storm
39
Capítulo XXXIX - Orgulho de Leão e Coração de Águia
40
Capítulo XL - Último pedido
41
Capítulo XLI - Minha Essência
42
Capítulo XLII - Uma sobrevivente
43
Capítulo XLIII - Sombras
44
Capítulo XLIV - O Café da Manhã Pode Esperar
45
Capítulo XLV - Indecisão
46
Capítulo XLVI - Conversa
47
Capítulo XLVII - Um dia com um coelho anão
48
Capítulo XLVIII - Amor e Paixão I
49
Capítulo XLIX - Amor e Paixão II
50
Capítulo L - Pó da rabiola
51
Capítulo LI - Eu sou a Morte
52
Capítulo LII - Uma memória perdida
53
Capítulo LIII - Os tempos mudam
54
Capítulo LIV - Ovos Draconianos
55
Capítulo LV - Encontro de Irmãos
56
Capítulo LVI - Caos
57
Capítulo LVII - Libertação ou Consequências
58
Capítulo LVIII - As janelas
59
Capítulo LIX - O tabuleiro de um trapaceiro
60
Capítulo LX - Erro de planejamento
61
Capítulo LXI - O arco-íris no final da tempestade
62
Capítulo LXII - Ao inferno
63
Capítulo LXIII - A quatro paredes
64
Capítulo LXIV - Pelo poder, pelo amor, pela eternidade
65
Capítulo LXV - No silêncio existe a desordem
66
Capítulo LXVI - O tormento está começando
67
Capítulo LXVII - A Morte que Caminha nas Sombras de um Anjo
68
Capítulo LXVIII - Planejamentos Ocultos
69
Capítulo LXIX - Terceiro Mundo
70
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71
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Capítulo LXXII - Exigências
73
Capítulo LXXIII - O Cavaleiro do Apocalipse
74
Capítulo LXXIV - Audacioso
75
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Capítulo LXXXV - Correntes Quebradas
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Capítulo LXXXVI - Covarde
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Capítulo LXXXVII - Guerra no Paraíso
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Capítulo LXXXVIII - As peças foram organizadas
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Capítulo LXXXIX - Podridão
90
Capítulo XC - Vida e Morte
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Capítulo XCI - Luz Divina
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93
Capítulo XCIII - A Morte em seu julgamento
94
Capítulo XCIV - O esqueleto
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Capítulo XCV - Cansaço
96
Capítulo XCVI - Vamos Tirar um Ar
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Capítulo XCVII - O não converso com ninguém
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Capítulo XCVIII - O Milagre

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