O Ceifador me fitava em silêncio enquanto tossia violentamente e me virava para vomitar. Seu rosto por baixo da máscara de crânio se contraiu em uma leve expressão de desagrado, mas ele permaneceu ao seu lado, esperando pacientemente até que eu terminasse.
–Calma. Respire fundo.–Ele murmurou, a sua voz carregando uma habilidade incomum enquanto sua mão deslizava gentilmente pela as minhas costas.
O coelho que eu tinha deixado na sacada, resolveu se transformar em forma humana. Era uma menina, ou melhor, uma anã, orelhas de coelho, olhos grandes e avermelhados.
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Ela veio correndo até meu corpo e usou magia de cura no meu abdômen. O Ceifador, atento à cena, aproveitou a oportunidade que eu estava sendo tratada por outra pessoa, ele se levanta, as suas duas foices que estavam por aí fincadas no chão surgiram na sua mão. Uma fumaça, ou sombra negra envolveu as foices até as mãos do ceifador, uma aura sinistra e sobrenatural caiu sobre o local deixando a matilha de lobos soltaram uivos e rosnados. O olhar do ceifador caiu sobre a matilha, causando arrepios nos pobres lobos que ali se viam em meio a desespero e fraqueza por estar sem líder. Os lobos choramingavam por misericórdia o rabo entre as pernas, a coelha ainda curando o meu abdômen, levantou o olhar fitando a cena um pouco preocupada pelo que vem na frente.
Ceifador se teletransportou junto com o bando para longe do local da casa e causou uma grande mutilação e massacre, chegando a fazer chover sangue no local onde Ceifador estava. O ar estava cheio de sons de uivos e rosnados de dor enquanto Ceifador liberava sua ira sobre a matilha de lobos. Enquanto a chuva de sangue caía do céu, a matilha de lobos tentava revidar, mas eles não eram páreo para o poder e habilidade de Ceifador. Ele parecia não ter misericórdia enquanto cortava a matilha com uma crueldade que era quase aterrorizante. Não importava o quanto os lobos tentassem se defender, eles não tinham chance contra a fúria do ceifador.
Depois de um tempo a coelha conseguiu recuperar a minha barriga com a sua magia, e enquanto isso eu ainda estava deitada no seu colo olhando para o céu. Quando o Ceifador retornou, o cheiro metálico de sangue impregnava o ar ao seu redor, um pouco depois ele se virou na nossa direção, o seu corpo e roupas salpicadas de sangue. Ele ficou a alguns passos de distância, me analisando silenciosamente. A coelha olhou para ele de forma cautelosa, mas ela não ousou mexer um músculo comigo em seu colo. Nós duas ouvimos um suspiro, ele voltou a se mexer mas não em nossa direção e sim para a casa e sumiu para dentro dela o som de sua bota causando um baque silencioso a cada metro que ele distanciava. Logo eu pedi para a coelha me ajudar a me sentar e eu olhei direto para a porta por onde estava as pegadas de sangue manchadas na madeira feitas pelo o ceifador.
–Você está bem?– Ela perguntou, com a voz suave e gentil.
–Sim estou... E você, aqueles lobos te machucaram?– Olhei para ela preocupada, ela era fofa com suas orelhas brancas e aveludadas.
–Estou bem. Aqueles lobos não puseram uma pata em mim, não se preocupe.–Ela balançou a cabeça dando um sorriso doce.
–De qualquer forma, preciso levantar e ver como aquele idiota está...–Resmunguei me apoiando nela.
–Calma. Você passou por muita coisa.–Ela alertou, com os olhos cheios de preocupação me ajudando a manter meus pés firmes no gramado.
–Estou bem, estou mais preocupada com você.– Dou a ela um pequeno e doce sorriso–Você fugiu de uma matilha de lobos e ainda viu um ceifador matar o líder e voltar todo ensanguentado depois de matar o resto da matilha.
–Não se preocupe comigo, querida. Já vi muitas coisas na minha vida, consigo lidar com um pouco de caos. Mas aprecio a sua preocupação.–Eu assenti e então entramos, e ceifador andou pelo corredor, ele tomou banho bem rápido, seu corpo ainda estava molhado, ou melhor seu torso e braços, ele estava usando um par novos de calças com um tom de vermelho mais escuro, com uma mão ele estava enxugando seu cabelo longo com uma toalha. E na mão livre ele tinha uma bolsa estranha em suas mãos, algo como um boneco de vodu ou pontos semelhantes.
A mulher-coelho e eu o seguiu a uma certa distância, por segurança. Havia algo sinistro nisso, nele, ou naquela bolsa estranha. Até que ouvimos gritos de agonia quando ele abriu os pontos de costura daquela bolsa e ele tirou duas almas de dentro e começou consumir na nossa frente. Nós duas não notamos, a máscara dele estava ligeiramente bem acima do nariz, porém não dava para descobrir muito de seu rosto masculino, pois ele estava de costas para a gente. Já o consumo das almas parecia fazer ele deformar um pouco o rosto para ter esse tipo de consumo. Sinto a pobre anã ao meu lado tremer, eu aproveitei e peguei na mão dela para reconfortar, ele não teria a ousadia de matar a gente aqui.
–Vocês ratas gostam muito de colocar o nariz onde não é chamado–A voz dele ecoou em um sussurro rouco ao lado direito do meu ouvido, eu olhei para os cantos caçando ele ali na frente e sinto uma mão quente no meu ombro, eu olhei para trás me assustando um pouco com a aparição repentina dele.
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Atualizado até capítulo 98
Comments
Joana Sena
muito interessante esse livro, estou gostando. ☺️
2024-10-30
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