Capítulo XV - Sozinhas

O silêncio se estala no corredor quando o vimos terminar de consumir as almas, as veias de seu pescoço marcadas com sua magia de um roxo brilhante. Ele finalmente abaixa a máscara respirando um pouco antes de virar o rosto para a gente, inclinando a cabeça para o lado em um gesto perturbador.

–Oque? Não vão me dizer que nunca viram alguém comer, huh?–Disse sua voz sombria com uma pitada de sarcasmo no mesmo.

–Bom, não ceifadores... São poucos os casos de alguém ver um se alimentando–Respondeu a coelha, a voz um pouco trêmula. O baque da bota dele ecoa no assoalho da madeira, a casa de repente ficou tão quieta e o eco enchendo o local como se ele tivesse feito força com os pés.

–Esqueço que criaturas vivas como você não vê a própria morte. Mas já anjos, desprezam nossa raça e passam bem longe da gente–Continuou ele se apoiando na soleira olhando profundamente para mim.

–Eu não tenho nada haver com isso, temos um regimento rigoroso lá em cima em questões de raça. Isso não vale nem para vocês senhores da morte, tem também os demônios, e até mesmo as criaturas vivas, além dos animais, ficar bem longe dos seres humanos–Corrigi o ceifador dando um passo para frente, ouvindo a respiração dele. Aquela matilha de lobos deve ter cortado um nervo dele, pois ele estava esgotado de paciência.

–Claro, donos do mundo–Ele aproximou o rosto perto do meu–Mesquinhos e egoístas, não me admira muito vocês de nariz empinado.

–Ei... não vamos causar outra chacina, por favor?–Falou a mulher coelho puxando minha mão.

–Não, está tudo bem. Ele não iria me machucar, afinal estou indefesa e sem poderes por causa de minha asa–Me afastei, também não irei cutucar muito a onça com a vara pequena. Um inusitado aconteceu, a minha barriga roncou alto de repente.

–Oh alguém está partindo para uma briga agora certo?–Brincou o ceifador, tentando descontrair o momento de sua raiva iminente de antes–Ainda tem um pouco da comida do almoço que preparei antes, aproveite o banquete. Eu vou dar um passeio lá fora.

–Huh? Assim tão rápido? E quanto a gente?–Falei apontando para mim e para a coelha, quando ele passa por entre a gente, uma gosma negra derrete sobre os ombros dele dando forma como a sua capa longa e cheia de pluma nos ombros.

–Não se preocupe, a fada está no segundo andar. Ela também faz o serviço de guarda, então posso sair tranquilo sem que você esteja em perigo–Ele parou no caminho da porta de saída da frente, ainda de costas para mim–Só se você for burra o bastante de querer fugir da casa–Ele olhou por cima dos ombros especificamente para mim–Acredito eu que você não é....

–C-Claro que não–Resmunguei desviando olhar dele.

–Sei que não–Ele abriu a porta–Au revoir Mademoiselle–O ceifador fez uma reverência brincando e depois sumiu da porta fechando ela atrás de si.

Eu olhei para a coelha e nós rimos com a reverência, depois fomos para a cozinha conversar um pouco, enquanto esquentamos a comida. Ela me disse seu nome, Nina Olivier, ela falou um pouco de seus parentes, e que agora está morando com seu marido, Piter Carotte. Eu fiquei mais chocada quando ela revelou que é mãe de 10 filhos, 6 eram machos e 4 fêmeas. Ela não quis listar os nomes dos filhos, pois eram extensos demais.

–O ceifador me disse que você era um coelho mágico, isso se deve ao fato de você virar humana?–Perguntei colocando comida no prato.

–Não só isso, sou praticamente de magia também. Além da magia de cura que eu ofereci a você, também sei algumas coisas básicas como controlar alguns elementos da natureza. Antes de eu me casar eu estava morando em uma toca perto da vila dos elfos brancos–Confessou ela se lembrando de algumas coisas–Eu tinha aprendido algumas coisas lá quando eu trabalhava. E foi nesse caso que eu conheci Piter, ele veio de outro reino dos animais, ele era um soldado habilidoso.

–Oh entendi, ele deve ser forte mesmo hein–Eu ri um pouquinho quando fui me sentar na mesa.

–Claro, até hoje ele bota as raposas para correr da nossa toca–Exprimiu ela suas bochechas que antes pálidas, agora corando um pouco–E você? Você não deveria estar no céu?

–Deveria, mas é que aconteceu muitas coisas lá em cima. Ainda estou um pouco chateada com um assunto, mas quando eu voltar para lá eu vou esclarecer as coisas–Eu peguei uma colher e comecei a comer um pouco da comida.

–Acho que eu não deva meter minha patas no meio nessa excelência sobre o céu–Nina pensou um pouco–E quanto ao ceifador? Eu achei estranho ele manter um anjo em sua casa.

–Para falar a verdade, eu não sei e isso nem é a casa dele. E outra ele é gentil quando quer, ele não é lá aquele mar de rosas–Igual uma vez ele me tacou no chão com força, eu quase chorei de dor naquele dia.

–Deu a notar, mas acho que deve ser o tipo de criação não? Se bem me lembro muitas mulheres morrem a ter partos de ceifadores, ou outras entidades do terceiro reino–Explicou ela.

–Eu ouvi falar que o índice de mulheres por lá era escasso, é perceptível que ele não saiba tratar uma mulher bem se não convive com uma todo dia–Coloquei outra colher cheia na boca.

–Eu desejo boa sorte então. Ele parece não ser aquelas pessoas que gostam de ser cutucadas ao limite–Ela riu baixinho.

–Você jura? Ele pode ter uma cabeça azul, mas logo ela fica vermelha de raiva!–Brinquei me lembrando dos longos cabelos azulados que ele possuía que dava inveja. Imagino como é tocar aquele cabelo, se era macio, se era seboso, oleoso, ou cheio de nós.

O dia caiu, Nina tomou um banho e a fada que era nossa governanta tinha feito roupas novas tanto para mim e para ela com sua magia e de outras fadas invocadas por ela. Arrumamos nossos cabelos, falamos sobre alguns itens de maquiagem ou tatuagens brilhantes para festivais, também incluímos o assunto das pedrarias, das unhas, das jóias e tudo mais. Até que vimos que a lua já estava no céu, que inclusive está límpida, cheia de estrelas, não havia nuvem sequer, nós estávamos na sacada olhando para o céu. Até que ouvimos um barulho vindo da mata nós duas entramos para dentro até que um galho quebrou bem atrás de nós. Nós, duas mulheres, à noite, demos um salto para longe olhando para trás imaginando mil possibilidades de serem criaturas da noite.

–Huuuu, eu vou puxar seus pés de noite–O ceifador ergueu as mãos para assustar.

–Oh pelos céus, é você–Falei ofegante colocando a mão o coração para me acalmar.

–Quem mais você espera, princesa?–Ele aproximou-se da casa–De qualquer forma, vim dar notícias que não ficarei muito tempo, pois eu voltaria para mata novamente e voltarei amanhã de manhã ou no horário de almoço–Avisou ele, até Nina bocejou de sono, eu olhei para ela e mandei ela entrar para dormir no meu quarto.

–Boa noite Ceifador, e tome cuidado–Disse Nina indo embora–Sustos me fazem ter uma crise de sono...

–Bem então, cuidado né?–Eu voltei meu olhar para ele e encolhi os ombros dando meia volta para entrar dentro da casa.

–Eu precisarei...–Murmurou o ceifador para si mesmo desviando o olhar para a janela do segundo andar.

Capítulos
1 Capítulo I - Gato e o Passarinho
2 Capítulo II - Gaiola
3 Capítulo III - Caçoar
4 Capítulo IV - Segredos?
5 Capítulo V - Seu lugar
6 Capítulo VI - Um Pouco de Paz
7 Capítulo VII - Cozinha
8 Capítulo VIII - Casca
9 Capítulo IX - Aquelas fadas?
10 Capítulo X - Sacada
11 Capítulo XI - Matilha
12 Capítulo XII - Duelo
13 Capítulo XIII - Pele de Lobo
14 Capítulo XIV - Pressão
15 Capítulo XV - Sozinhas
16 Capítulo XVI - Confissão
17 Capítulo XVII - Sombras da vida
18 Capítulo XVIII - Uma Saída
19 Capítulo XIX - Mexendo os Pauzinhos.
20 Capítulo XX - Dança das almas
21 Capítulo XXI - Quem foi Ethan?
22 Capítulo XXII - O Reino Desértico.
23 Capítulo XXIII - O Sonho
24 Capítulo XXIV - Consulta
25 Capítulo XXV - Jhonny?
26 Capítulo XXVI - Justificativas e Mentiras
27 Capítulo XXVII - Passando o tempo
28 Capítulo XXVIII - Gatinho Manso
29 Capítulo XXIX - A Festa Abreu
30 Capítulo XXX - Coroa-de-Cristo
31 Capítulo XXXI - Confiança ou Abandono
32 Capítulo XXXII - Persistência
33 Capítulo XXXIII - Necta da Morte
34 Capítulo XXXIV - Homem Astuto
35 Capítulo XXXV - Violeta
36 Capítulo XXXVI - Roxo brilhante
37 Capítulo XXXVII - Nova Jornada
38 Capítulo XXXVIII - O Guardião de Guern Storm
39 Capítulo XXXIX - Orgulho de Leão e Coração de Águia
40 Capítulo XL - Último pedido
41 Capítulo XLI - Minha Essência
42 Capítulo XLII - Uma sobrevivente
43 Capítulo XLIII - Sombras
44 Capítulo XLIV - O Café da Manhã Pode Esperar
45 Capítulo XLV - Indecisão
46 Capítulo XLVI - Conversa
47 Capítulo XLVII - Um dia com um coelho anão
48 Capítulo XLVIII - Amor e Paixão I
49 Capítulo XLIX - Amor e Paixão II
50 Capítulo L - Pó da rabiola
51 Capítulo LI - Eu sou a Morte
52 Capítulo LII - Uma memória perdida
53 Capítulo LIII - Os tempos mudam
54 Capítulo LIV - Ovos Draconianos
55 Capítulo LV - Encontro de Irmãos
56 Capítulo LVI - Caos
57 Capítulo LVII - Libertação ou Consequências
58 Capítulo LVIII - As janelas
59 Capítulo LIX - O tabuleiro de um trapaceiro
60 Capítulo LX - Erro de planejamento
61 Capítulo LXI - O arco-íris no final da tempestade
62 Capítulo LXII - Ao inferno
63 Capítulo LXIII - A quatro paredes
64 Capítulo LXIV - Pelo poder, pelo amor, pela eternidade
65 Capítulo LXV - No silêncio existe a desordem
66 Capítulo LXVI - O tormento está começando
67 Capítulo LXVII - A Morte que Caminha nas Sombras de um Anjo
68 Capítulo LXVIII - Planejamentos Ocultos
69 Capítulo LXIX - Terceiro Mundo
70 Capítulo LXX - Os Núcleos
71 Capítulo LXXI - Vamos acreditar na cegonha
72 Capítulo LXXII - Exigências
73 Capítulo LXXIII - O Cavaleiro do Apocalipse
74 Capítulo LXXIV - Audacioso
75 Capítulo LXXV - Tolo Desafiador
76 Capítulo LXXVI - Nunca Subestime uma Velha Deusa
77 Capítulo LXXVII - Impaciência
78 Capítulo LXXVIII - Minha em todas as formas
79 Capítulo LXXIX - Manhã preguiçosa
80 Capítulo LXXX - O Vira lata do Céu
81 Capítulo LXXXI - Trágicas Notícias
82 Capítulo LXXXII - O luar sucumbe à esperança
83 Capítulo LXXXIII - Notícias do céu
84 Capítulo LXXXIV - Hora de Partir
85 Capítulo LXXXV - Correntes Quebradas
86 Capítulo LXXXVI - Covarde
87 Capítulo LXXXVII - Guerra no Paraíso
88 Capítulo LXXXVIII - As peças foram organizadas
89 Capítulo LXXXIX - Podridão
90 Capítulo XC - Vida e Morte
91 Capítulo XCI - Luz Divina
92 Capítulo XCII - Salão de festas
93 Capítulo XCIII - A Morte em seu julgamento
94 Capítulo XCIV - O esqueleto
95 Capítulo XCV - Cansaço
96 Capítulo XCVI - Vamos Tirar um Ar
97 Capítulo XCVII - O não converso com ninguém
98 Capítulo XCVIII - O Milagre
Capítulos

Atualizado até capítulo 98

1
Capítulo I - Gato e o Passarinho
2
Capítulo II - Gaiola
3
Capítulo III - Caçoar
4
Capítulo IV - Segredos?
5
Capítulo V - Seu lugar
6
Capítulo VI - Um Pouco de Paz
7
Capítulo VII - Cozinha
8
Capítulo VIII - Casca
9
Capítulo IX - Aquelas fadas?
10
Capítulo X - Sacada
11
Capítulo XI - Matilha
12
Capítulo XII - Duelo
13
Capítulo XIII - Pele de Lobo
14
Capítulo XIV - Pressão
15
Capítulo XV - Sozinhas
16
Capítulo XVI - Confissão
17
Capítulo XVII - Sombras da vida
18
Capítulo XVIII - Uma Saída
19
Capítulo XIX - Mexendo os Pauzinhos.
20
Capítulo XX - Dança das almas
21
Capítulo XXI - Quem foi Ethan?
22
Capítulo XXII - O Reino Desértico.
23
Capítulo XXIII - O Sonho
24
Capítulo XXIV - Consulta
25
Capítulo XXV - Jhonny?
26
Capítulo XXVI - Justificativas e Mentiras
27
Capítulo XXVII - Passando o tempo
28
Capítulo XXVIII - Gatinho Manso
29
Capítulo XXIX - A Festa Abreu
30
Capítulo XXX - Coroa-de-Cristo
31
Capítulo XXXI - Confiança ou Abandono
32
Capítulo XXXII - Persistência
33
Capítulo XXXIII - Necta da Morte
34
Capítulo XXXIV - Homem Astuto
35
Capítulo XXXV - Violeta
36
Capítulo XXXVI - Roxo brilhante
37
Capítulo XXXVII - Nova Jornada
38
Capítulo XXXVIII - O Guardião de Guern Storm
39
Capítulo XXXIX - Orgulho de Leão e Coração de Águia
40
Capítulo XL - Último pedido
41
Capítulo XLI - Minha Essência
42
Capítulo XLII - Uma sobrevivente
43
Capítulo XLIII - Sombras
44
Capítulo XLIV - O Café da Manhã Pode Esperar
45
Capítulo XLV - Indecisão
46
Capítulo XLVI - Conversa
47
Capítulo XLVII - Um dia com um coelho anão
48
Capítulo XLVIII - Amor e Paixão I
49
Capítulo XLIX - Amor e Paixão II
50
Capítulo L - Pó da rabiola
51
Capítulo LI - Eu sou a Morte
52
Capítulo LII - Uma memória perdida
53
Capítulo LIII - Os tempos mudam
54
Capítulo LIV - Ovos Draconianos
55
Capítulo LV - Encontro de Irmãos
56
Capítulo LVI - Caos
57
Capítulo LVII - Libertação ou Consequências
58
Capítulo LVIII - As janelas
59
Capítulo LIX - O tabuleiro de um trapaceiro
60
Capítulo LX - Erro de planejamento
61
Capítulo LXI - O arco-íris no final da tempestade
62
Capítulo LXII - Ao inferno
63
Capítulo LXIII - A quatro paredes
64
Capítulo LXIV - Pelo poder, pelo amor, pela eternidade
65
Capítulo LXV - No silêncio existe a desordem
66
Capítulo LXVI - O tormento está começando
67
Capítulo LXVII - A Morte que Caminha nas Sombras de um Anjo
68
Capítulo LXVIII - Planejamentos Ocultos
69
Capítulo LXIX - Terceiro Mundo
70
Capítulo LXX - Os Núcleos
71
Capítulo LXXI - Vamos acreditar na cegonha
72
Capítulo LXXII - Exigências
73
Capítulo LXXIII - O Cavaleiro do Apocalipse
74
Capítulo LXXIV - Audacioso
75
Capítulo LXXV - Tolo Desafiador
76
Capítulo LXXVI - Nunca Subestime uma Velha Deusa
77
Capítulo LXXVII - Impaciência
78
Capítulo LXXVIII - Minha em todas as formas
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Capítulo LXXIX - Manhã preguiçosa
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Capítulo LXXX - O Vira lata do Céu
81
Capítulo LXXXI - Trágicas Notícias
82
Capítulo LXXXII - O luar sucumbe à esperança
83
Capítulo LXXXIII - Notícias do céu
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Capítulo LXXXIV - Hora de Partir
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Capítulo LXXXV - Correntes Quebradas
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Capítulo LXXXVI - Covarde
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Capítulo LXXXVII - Guerra no Paraíso
88
Capítulo LXXXVIII - As peças foram organizadas
89
Capítulo LXXXIX - Podridão
90
Capítulo XC - Vida e Morte
91
Capítulo XCI - Luz Divina
92
Capítulo XCII - Salão de festas
93
Capítulo XCIII - A Morte em seu julgamento
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Capítulo XCIV - O esqueleto
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Capítulo XCV - Cansaço
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Capítulo XCVI - Vamos Tirar um Ar
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Capítulo XCVII - O não converso com ninguém
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Capítulo XCVIII - O Milagre

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