Eu me afasto dele e olho para o céu, imaginando as coisas que poderiam ter sido esclarecidas com a saída de Azrael. Depois que meu olhar voltou para ele, eu não vejo asas, não vejo a clarividência, será que ele perdeu com o tempo depois que saiu da excelência? Tudo havia uma pergunta, mas pelo visto a única coisa que aconteceu foi a maldição de não tocar seres vivos ou outro tipo de criatura.
–Agora está explicado seu vasto conhecimento em magia, feitiços e encantamentos–Contemplei–Mas por que você saiu? Você não fez nada.
–Para falar a verdade, ninguém me aceitava, nem os deuses, nem os outros arcanjos–Ele passa por mim olhando para o céu estrelado–Tudo isso por que eu guiava as almas entre a vida e a morte, medindo se elas iriam para o céu e inferno–Ele suspira–Eles me julgam como um ser impuro–Ele se vira e olha para mim–Você mesmo viu como é meu método de alimentação, eles achavam que eu devia ter sido rebaixado para o inferno.
–Oh...Mas vamos confessar que é estranho de começo–Eu ri baixinho vendo ele rolar os olhos.
–De fato, mas não é so esse motivo, mas pelas minhas asas serem pretas, minha essência ser escura ou normalmente roxa. E haver sombras me perseguindo. Mas é a vida, eu sinto-me melhor estando bem longe do céu–Ele deu um leve riso de fundo de garganta. Eu fiquei ao lado dele, observando o céu.
–E cade as suas asas?–Fitei a sua máscara de crânio, ouvindo o longo suspiro que ele deu.
–Eu normalmente as escondo, é difícil se locomover com elas. Só as uso em ocasiões mais formais, ou para alguma reunião.
–Se você tiver tempo, você pode me mostrar agora?–Perguntei quase de forma entusiasmada.
–Claro, mas você tem que prometer não gritar de horror.–Disse Ethan brincando, até ele se aproximar perto de mim o seu corpo quase se enroscando com o meu, uma mão dele subiu e tocou o meu maxilar–Elas são um pouco grandes, e acabam exalando uma sombra fina e que pode intoxicar um pouco você temporariamente–Enquanto ele mostrava as suas asas, os ossos, carne e músculos eram todos feitos de uma estranha energia e matéria negra, os três pares de asas se estendendo para trás dele. Ao desdobrar as asas, as suas sombras ao redor delas ficavam mais escuras, deixando apenas elas visíveis contra a lua, estrelas e nuvens no céu noturno, criando uma aparência um tanto assustadora e sinistra–Elas são um reflexo do meu poder como um arcanjo da morte e um ceifador. Muitas coisas podem crescer nas suas sombras, e muitas coisas também podem morrer. Elas podem ser bonitas, mas também podem ser perigosas–Continuou a voz calma e baixa, o seu tom misturado com uma pitada de advertência na última parte da sua frase.
Eu olhei para trás as asas dele, as penas sendo iluminadas pela luz da lua dando um toque mágico a elas, a sombra que rodeava elas como uma áurea acabou vindo para frente com o vento e eu acabei inalando o cheiro dela. O cheiro de mofo, o cheiro de cadáveres, o cheiro da própria morte. Sinto o meu corpo enfraquecer e Ethan teve que me segurar mais perto do seu corpo, agora colocando a mão na minha cintura e a outra desce para as minhas costas. Eu sinto a minha visão meio turva, ainda bem que ele avisou, eu acabei me segurando na sua capa. Foi um efeito temporário até eu voltar, minha cabeça caiu no seu peito, eu sinto o seu coração bater, estava agitado e tamborilando abaixo da carne, ele estava com medo? Ou preocupado?
–Eu lhe avisei, princesa...–A voz dele saiu mais baixa que o normal, quase em um sussurro–Está bem?
–Estou...bem, obrigada–Eu firmei meus pés no chão, me afastando de perto dele, as asas dele ainda estavam lá, porém as sombras delas sumiram.
–Elas ficam temporariamente nas asas, até intoxicar alguém, e então desaparece–Ele ainda continuou me tocando, só que a sua mão ainda segura o meu braço.
–Nossa, como que alguém pode julgar essas asas?–Falei olhando para elas, tocando em uma que ficava acima do seu ombro, normalmente essas perto do pescoço, são mais para tampar o rosto do indivíduo, essas são pequenas, tem as do meio que são as maiores de todas os três pares. E as últimas, pequenas também–Lindas.
–Ninguém...ficou para tocar nelas–Ele engoliu em seco, as asas sempre são sensíveis ao toque, pancada ou coisas do tipo. Eu retiro minha mão, as penas dele eram bem estranhas, mais grossas e menos macias, muitas delas pareciam cortadas, indelicadas.
–Sou a primeira é isso?–Fitei a sua máscara.
–Terceira, por assim dizer–Ele recolhe as asas, elas virando gosma negra, para depois tomarem forma da sua capa longa.
–Bem poucas, tem algum motivo por trás?
–Os mesmo motivos de antes, medo, nojo, aversão e anormalidade–Ele desvia o olhar para longe.
–Ah...bom, depois de um relacionamento conturbado que nós tivemos... Esse até agora foi um bom avanço de alguma coisa né?–Dou alguns passos para perto da pequena escada da sacada.
–Ainda com rancor do que eu fiz a você, princesa?–Disse ele com o seu tom sarcástico.
–Eu quero que você vá para o inferno depois daquele dia–Brinquei de volta.
–Ah vou, se não fosse a força você também não iria–Ethan cruzou os braços em frente aos peitos
–Verdade, mas obrigada por tudo de qualquer forma...–Analisei aquela máscara de crânio, olhos profundos, escuros e as pupilas roxas olhando direto para mim.
–Então, já que fizemos as pazes. Eu vou embora, devo estar mais que atrasado agora. Tenha uma boa noite princesa–Ele acena com a cabeça se afastando indo para a escuridão da floresta. Eu observo a forma alta dele indo embora, eu respiro um pouco de ar da noite e fui para dentro da casa dormir, pensando um pouco nesses acontecimentos.
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Atualizado até capítulo 98
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