Eu subo as escadas para o segundo andar, e cruzo o corredor até meu quarto. Ao ver a porta meia aberta, eu empurro ela e tenho a visão da Nina dormindo em versão coelha, bem pequena em cima dos lençóis. A luz da lua estava saindo pela a minha janela, e eu me aproximei da cama sem incomodar muito o sono da Nina. Coloquei as mãos na janela e abri elas, observando a floresta de cima até sentir uma presença. Eu olhei para baixo lá para as beiradas do gramado, o ceifador estava ali parado, seus olhos vidrados na janela, ou para mim, não sabia o que ele estava expressando ou mesmo pensando por baixo daquela máscara de caveira. A noite parecia quieta, quase completamente muda, as árvores nos arredores estavam paradas, sem o assobiar do vento, nem mesmo o chilrear de insetos ou cigarras para serem ouvidos nos arredores.
–Esqueceu alguma coisa?–Perguntei, afinal nos despedimos e ele ainda estava para no gramado em silêncio e olhando para mim.
–Só estava um pouco pensativo–Ele cruzou os braços e desviou o olhar para o chão. Eu dou um breve suspiro com a resposta dele, e me estico para fechar a janela e ir dormir, porém, a voz dele ecoou de lá embaixo, autoritária e séria–Anjo!
–Ham?–Abri uma fresta da janela para olhar para ele.
–Venha para fora por um minuto. Quero falar com você.
–Você não acha que deveria ter falado isso antes de eu subir para o meu quarto?–Resmunguei.
–Não importa, só quero falar com você aqui–Exigiu ele novamente, eu apenas rolei os olhos até ele continuar–Eu não queria incomodar, já que você estava prestes a dormir.
–Tá...Estou indo ai–Eu fechei a janela, e desci da cama, Nina ainda dormindo tranquila, eu fui descalço lá para fora mesmo. Ao chegar lá embaixo, os meus pés encontraram a grama–Olá novamente. Decidiu ser mais sociável, o que foi?
–Venha aqui–Disse ele gesticulando para ficar mais perto, obedeci por um momento, porém não estava tão perto o suficiente, estávamos abaixo de uma árvore que tampava a luz da lua–Queria falar um pouco sobre nossa espécie.
–Claro...Oque tem?
–Eu sei que as divindades vêm alertando e tudo mais sobre a rivalidade entre raças. Que era proibido até relação de amizade por ai–Ele parou por um momento–Mas devo confessar que você é um anjo diferente daqueles que eu já conheci.
–Bem, desde que você me encontrou você se mostrou bem hostil... Mas agradeço pelo o que você falou–Falei com honestidade esperando a retribuição.
O ceifador ficou em silêncio por um minuto, sabendo que o que eu disse era verdade. A verdade que ele me tratou mal o tempo todo, com um tipo de ódio que ele parecia ter nutrido por todos os anjos. No entanto, apesar disso, havia algo em mim que o fazia desgostar cada vez menos. Ele ficou sem palavras no momento, percebendo um pouco da gravidade.
–Sinto muito...–Ele desvia o olhar para a casa atrás de mim.
–Está tudo bem, pelo menos você me deu uma casa e comida. Se não fosse por isso, acho que encontraria criaturas piores que você–Eu ri baixinho.
–Pelo menos eu sou melhor que os seus piores inimigos–Ele disse tão bruscamente quanto sempre, mas alguma sensação de alívio pôde ser ouvida no seu tom.
–Bom, já que deixamos algumas mágoas para trás, você nem me disse seu nome–Eu inclinei meu corpo para frente colocando as mãos na cintura, eu estou quebrando uma das regras do céu agora.
–Bem, isso é porque eu nunca pensei que você gostaria de saber–Disse ele rindo internamente–Mas se você realmente quer saber, o meu nome é Ethan...–Ele hesitou em dizer o seu sobrenome, mas não forcei a barra quanto a isso, de qualquer maneira. Saber o nome dele foi um grande avanço.
–Meu nome é Julietta–Eu estendi a mão para ele, a qual ele só olhou e bufou rindo, antes de estender a mão dele de volta, pegando a minha.
–Você está fazendo um caminho perigoso, princesa–Ele puxou a minha mão para perto dele, ele se inclinou para perto do meu rosto olhando direto pela brecha fina dos olhos da minha máscara.
–Eu sei muito bem, devo ter quebrado pelo ou menos umas 10 regras convivendo com você nesses dias–Eu soltei a mão dele, fitando um indício de um sorriso no seu rosto escondido abaixo da máscara.
–Regras estão ai para serem quebradas, se forem estúpidas demais–Nós dois rimos um pouco, eu nunca fui certa em questões de seguir padrões da minha terra, mesmo eu sendo princesa, pode ser quem for para me repreender, eu sempre fui sorrateira o bastante para fazer alguma besteira por ai. Mas desta vez, a besteira que eu estou me metendo é uma bem grande–Sabe quem você me lembra?
–Sim?
–Você me lembra vagamente, Lúcifer, quando éramos jovens–Disse ele contemplando um pouco enquanto eu olhava para ele surpresa.
–Lúcifer?!–Quantos anos Ethan deve ter para conhecer lúcifer pessoalmente.
–Ele era do mesmo jeito que você, quando ele ainda estava no céu, ele era despreocupado, impulsivo, gentil e um grande pé no saco para muitos. Mas a única coisa que ele tinha...Era uma mente aberta para pouca ideia, ele foi no caminho do poder, e foi nisso que resultou a sua queda, eu creio que nisso não seja o seu caso.
–Não! A minha queda foi totalmente diferente...–Eu me interrompe–Foi umas coisas que aconteceram lá no céu que me expulsaram, foi meio que uma espécie de rebelião que ocorreu, feita por outra pessoa–Contei uma meia verdade–Mas como assim você conheceu Lúcifer ainda no seu cargo de arcanjo?
–Ah...eu sabia que iria perguntar sobre isso–Ele se aproxima novamente–Se eu disser que eu já fui anjo como você querida, você não vai acreditar–A voz dele caiu em um rouco profundo.
–Impossivel, não acredito mesmo, como assim?–Uma idéia passou pela a minha cabeça–Oh não você não...–Se for oque eu to pensando, sobre o arcanjo da morte, estou literalmente lidando com uma autoridade a minha frente–Azrael?
–Sim...Azrael o meu nome, um deles para falar a verdade. Mas ainda prefiro o meu mesmo, Ethan–Confessou ele, como se ele estivesse desgosto por ter esse nome ou por ser quem ele é–Não um completo anjo, mas sim um arcanjo, agora sou príncipe quase rei do terceiro reino.
–Pelo os céus!–Falei incrédula, como pode ele ser um arcanjo, eu devo ter dormido e sonhado com ele devido à chacina da matilha dos lobos, isso é inacreditável–Você foi expulso do céu ou algo do tipo? Os anjos dizem que não sabia do seu paradeiro.
–Não me expulsaram, eu mesmo abdiquei do meu trono no céu. Quando o nosso superior soube disso, e dos motivos, ele decidiu criar um reino separado do inferno e do céu, que é o primeiro e segundo reino.
§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§
§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§§
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 98
Comments