O ceifador se aproxima, ele está tão perto que eu pude sentir a sua respiração tocar meu rosto, eu tentei me afastar mas era impossível com uma árvore atrás de mim.
–É verdade... Eu posso facilmente te matar aqui–Disse sua voz amarga e debochada enquanto ele contempla pela a possibilidade de me matar–Mas eu não vou... Você tem minha palavra, princesa. Seria uma pena consumir a alma de alguém tão bonito com apenas um simples toque.
Eu o vejo colocar a mão na máscara e levantar um pouco, me permitindo ver os seus lábios e mandíbulas.
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O ceifador sorriu de forma travessa e sombria gostando de ver a minha expressão assustada e surpresa. Ele poderia me massacrar aqui, ele poderia fazer tantas coisas comigo, por que ele está sendo tão racional? E principalmente comigo, porém ele desafia, ele me desafia tocar nele sem querer de uma forma bem besta.
–Por que tão surpreso? Você nunca viu o rosto de um ceifador antes?–Eu pude ver os seus dentes quando ele falava, por algum acaso eram brancos, mas seu hálito era a pura podridão de carne podre e decomposição. Uma grande controvérsia, ou será apenas ilusão? Poderia ao menos disfarçar o hálito também.
–Ah... você é o primeiro que eu observo a metade do rosto.–Eu disse a desviar o olhar da sua boca.
Baixinho, mas não alto o suficiente, ele recita alguma feitiçaria antiga, eu entendo algumas palavras pois minha mãe me fez praticar um pouco de magia e feitiços antigos. Eu vejo também a pele dele ser coberta por runas de proteção, era algo como inibição e selamento temporário. Olhei para ele surpreso, ele pode reverter a própria maldição para um selamento temporário? Todos os seres nunca encontram esse tipo de magia, ele deve ser muito velho para saber algo assim. Ele também estava focado em estudar meu corpo, examinando cada detalhe sob minhas roupas. Era como se ele estivesse me analisando como uma presa a ser devorada enquanto ele termina o feitiço.
–Você é mais especial do que eu pensava, princesa... Estou surpreso que você tenha chegado tão perto de mim.–Ele disse em um tom zombeteiro e rude.
–Quem é você para dizer isso?–Eu resmunguei, ele se mexeu um pouco na minha frente inclinando a cabeça.
–Acima de mim? Eu sou uma princesa! Você é um mero ceifador–Resmunguei vendo o sorriso dele ficar mais sombrio.
–Você é uma princesa... uma princesa ferida que nem consegue voar por causa de sua asa quebrada. Não se esqueça disso, passarinho.–Ele fez uma pausa enquanto olhava para a minha asas.
Ele inclinou seu rosto ainda mais perto do meu, nossos narizes quase se tocando. Fiquei surpresa com sua proximidade, embora eu não pudesse ver seu rosto por causa da máscara e ele também não pudesse ver o meu. Era impressionante que seus olhos profundos e o contraste das pupilas roxas de seus olhos brilhassem como fogo intenso.
–Eu sei que não sou nada mais do que um mortal agora sem minhas asas e meu poder–Cruzei meus braços na frente do peito, ainda bravo com ele.
–Sim... Você não é nada mais que uma mortal agora... e ainda assim, passarinho, você está preso em uma armadilha–Ele disse sua voz distorcendo para uma horripilante, causando arrepios na minha espinha–E ainda... apesar de todas essas circunstâncias... você tem sorte que algo dentro de você me interessou–Ele tira a mão da árvore e aproximou ela da minha bochecha, eu imediatamente dou um tapa forte contra a mão dele. Não vou temer seu toque agora, já que ele está com um selamento temporário da sua maldição.
–Você é um ser desprezível e oportunista, agora eu entendo toda a rivalidade entre nossas raças–Retruquei ouvindo um assovio rouco vindo do peito dele.
–Eu nunca me aleguei ser um santo, princesa. Eu sou um ceifador. Nós não somos exatamente conhecidos por sermos bons ou gentis–Ainda mantendo a voz distorcida e rude, sua aura avassaladora emana me deixando sem ar e com um pouco de ansiedade–E não pense que são só os anjos crítica... todas as outras raças, e até mesmo os humanos, desprezam os ceifadores. Eles nos chamam de nomes e nos tratam como lixo–Ele fez uma pausa, olhando em meus olhos enquanto cuspia as palavras–Embora eu tenha que admitir, você é o primeiro a realmente chegar tão perto de mim sem tentar me matar toda hora–Ele riu em um gesto de querer me humilhar–Tirando a parte do tronco que você tentou transferir em uma tentativa falha e inútil.
–Idiota, você mesmo vê que eu nem tenho essência para usar contra você.
–É verdade, você é fraco, vulnerável e indefeso... Você é um alvo fácil para eu aproveitar. Mas mesmo assim, eu não te matei–Ele levou a mão até minha bochecha novamente, lentamente, e gentilmente traçou minha pele com seus dedos frios na borda da minha máscara e transfiro outro tapa forte em sua mão novamente para afastar. Até parecia que eu era um bichinho de estimação para ele, de me humilhar, repreender e dar carinho a hora que ele quer.
–Pare!
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Atualizado até capítulo 98
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