Aproximação

Capítulo dezoito

Não sei para onde ir, mas certa que nesta casa não queria estar e ficar, e quando dou por mim estava chegando na cozinha.

— Senhora! — Cátia estava na pia e quando percebe minha presença se vira. Estava tão mau que nem me importei em como ela me chamou.

— Deseja alguma coisa?

Queria responder ir embora, mas agora realmente sei que Sérgio é perigoso e não quero que nada de ruim aconteça ao meu irmão.

— Uma água! — sento na cadeira da mesa da cozinha e espero Cátia me servir.

Ela me observa quando me entrega o copo, estudando minha fisionomia abatida. Porém não diz nada.

Bebo a água numa golada só, não tinha percebido o quão minha boca estava seca até agora.

Entrego o copo a ela agradecendo e forçando um sorriso.

— Obrigada!

— A senhora precisa de ajuda?

Olho através da janela e percebo que já escureceu faz tempo, porém a uma extremidades de luz.

— Onde ficam aquelas luzes? — pergunto curiosa pois sei que não se trata dos postes da rua ou muito menos das casas vizinhas.

Cátia olha para trás e abre a boca puxando o ar meio entusiasmada.

— E meu lugar preferido de toda casa é o jardim do senhor Gabriel. Onde realiza jantares de negócios, e onde fazem o encontro… —Ela se cala aproximando de mim e cochicha rindo colocando os dedos nos lábios sutilmente. — O senhor Gabriel faz parte de uma sociedade secreta chamada Clube dos Coroas Bilionários. É tipo uma reunião semestral, onde os homens maduros mais ricos e solteiros trazem acompanhantes que as leiloam para uma noite divertida.

— Uouu! — eu fico tão surpresa que mantenho a boca aberta esquecendo meus problemas.

— Agora deixa eu acabar de lavar as louças se não sou esfolada pela Fernanda por ser esfolada pela Sirlene. — Ela dá uma risada muito divertida e acaba me contagiando.

— Você trabalha a muito tempo para o Gabriel? — ela volta para pia, apoia as mãos nela e vira só um pouquinho o corpo em minha direção.

— Sim, sim uns cinco anos quando ele se mudou para cá.

Me levanto da cadeira e vou em direção a porta da cozinha a abro.

— Eu posso ir lá ver?

Ela consente.

— Só não pode aparecer por lá quando estiver tendo um evento.

Eu concordo e saio da cozinha e caminho rumo às lanternas.

Uau sou surpreendida pela beleza do local com diversidade de plantas e flores, bem aparadas e o que mais me encanta e um gazebo* mais ao canto, seu caminho inicia com um piso de madeira. A construção do gazebo é feito de alumínio com teto duplo, malha e tecido com proteção de privacidade e estacas de solo para manter o gazebo firmemente no chão, bem lustrada rodeada de cortinas, com uma implantação de dois jogos de sofás brancos no interior dando espaço para movimentação até a mesa onde provavelmente é servido o jantar. Assim será necessária apenas a procura pelos estofados ao querer se sentar e apreciar a vista. Uma rede e outro recurso que compõem o ambiente, pois além de proporcionar um visual final harmonioso à decoração do espaço, ela oferecer conforto, relaxamento, frescor e momentos de descanso únicos. Cadeiras de balanço são outros artigos presentes, mas estes ficam aqui sobre o piso de fora fora do gazebo ao lado da piscina que é sensacional.

Eu retiro minha roupa ficando só de calcinha e sutiã e me jogo na água mergulhando sem pensar duas vezes. Eu não poderia perder essa oportunidade sentindo me flutuar com essa água morna e aconchegante.

Assim que eu emergi da água, uma voz masculina grave reverberou:

—Gostou daqui?— o vejo com sua presença marcante. Suas sobrancelhas franzidas em uma expressão de incompreensão. Então percebi que eu estava a metade do corpo fora d'água e volto para dentro dela.

— Sérgio ousou te bater? — Gabriel se agacha para ficar mais rente que possível aos nossos olhos.

Eu me viro de costas, com os olhos já cheios de lágrimas, esfrego os meus olhos com os punhos fechados tomada pela dor e raiva. O que eu poderia dizer a ele?

Balanço minha cabeça negando.

— Cristal, conte-me, posso te ajudar, confie em mim! — A voz dele também parece carregada de dor melancólica.

Ainda me mantenho calada, escuto passos e logo ele está em minha frente novamente, ele começa a tirar seu casaco.

— O que está fazendo?

— A água parece boa.

Eu vou até a beirada da piscina e coloco as mãos sobre a borda para poder sair. Porém Gabriel me estende a sua mão direita, eu aceito e aquele toque faz meu corpo e coração estremecer, escuto minhas veias pularem. Ele joga seu casaco sobre meus ombros e me dá um sorriso terno.

— Pode confiar em mim, deixa eu cuidar de você! — Ele segura no meu queixo com as pontas dos seus dedos um arrepio percorre a minha espinha, gentilmente ele vira a minha cabeça na sua direção. Eu olho nos seus olhos e consigo sentir paz e conforto e automaticamente o beijo me sentindo protegida.

* gazebo

Melhor do que palavras e uma imagem de que significa gazebo para quem não sabe 😉

Mais populares

Comments

Andreia Cristina

Andreia Cristina

muito lindo esse gazebo ❤️❤️❤️

2024-08-26

1

Andreia Cristina

Andreia Cristina

eu acho que ela deveria contar toda a verdade por trás desse casamento

2024-08-26

0

Ver todos

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!