Segredos

Capítulo Oito

Eu acabo de colocar meu uniforme e saio do vestiário.

— Boa noite! — digo com a voz desanimada para as meninas. Mas elas não me respondem.

Elas estão mais estranhas do que de costume.

Vou para a recepção recepcionar os clientes, na esperança de ver aquele homem misterioso que eu transei chegar e me salvar. Dou risada forçada de mim mesma. O que eu queria, que ele chegasse no seu cavalo branco e me raptasse resgatando do bruxo malvado? Sinceramente era que eu queria. Doce ilusão.

Porém horas já passaram eu indo de lá para cá, nada dele, mas também se alguém aqui o drogou, ele não voltaria. Eu não voltaria.

Queria contar para Elza que havia acontecido, porém parecia que ela estava me evitando. Aliás, todas pareciam me evitar até os barmans.

Olho para o homem no encontro às cegas, com Rangel ele era de meia-idade, careca, mas não barrigudo quase nos quarenta.

Alucinando vendo ela dançar particularmente para ele, lhe colocando um monte de notas na mini calcinha fio dental.

Cansada de ficar olhando para isso, pois o homem não parece querer fazer mais nenhum pedido, vou atrás da Elza.

— Elza

— Tá satisfeita?! — ela colocou o indicador no meio do meu peito.

Eu recuei por precaução.

— Do que está falando?

— Não se faça desentendida, você tinha que se intrometer no que não era da sua conta, e eu pensei que você fosse legal. — ela vira as costas e eu rápido pego no braço dela.

— Eu não entendo!

— Não entende quê?! — ela vira o corpo ficando de frente a mim de novo. — Marcela foi expulsa porque você contou para o Sérgio que ela ainda estava aqui.

Eu fico surpresa.

— Mas não fui eu!

Ela me empurra.

— Não se faça de santa. Já estamos sabendo do seu casamento.

— Elza…

— Só nos deixa em paz, sua vadia.

Eu fico pasma. E por isso que todas estavam mais estranhas do que o normal. Eles me culpavam pela amiga.

 Decido tirar satisfação com Sérgio. Esse mal entendido tem que ser resolvido.

Entro no escritório dele sem bater.

— Sérgio — o flagro com uma das meninas aos amassos e usando pó, ele cheira em cima da mesa. Ela continua beijando o peito dele e ele me observa.

— Por que não casa com ela!?

— Porque tem que ser você.

A mulher para de beijar ele e o empurra, porém ele segura os pulsos dela.

Ela faz cara de dor.

Sergio segura ela pelo pescoço e puxa a boca dela até a dele.

Ele a beija com olhos abertos observando para ver se eu olhava para ele.

— Aqui tem lugar para isso, sabia né! — viro as costas. — perdi meu tempo aqui!

— Saia Micaela! Fique Cristal!

Me viro, Micaela sai bufando de raiva. Eu a ignoro.

— O que você quer?

— Quero saber quem foi que te falou da Marcela, que todos pensam que foi eu?

— Esse assunto não é de seu interesse…

— Como não?! Elas pensam que fui eu e…

— Não importo o que elas pensam. Quero que não se intrometa. Faça seu trabalho, aliás hoje é seu último dia está dispensada das suas tarefas.

— Sérg…

— Você se casará comigo, será minha esposa.

— Eu não vou me casar com…

Ele vem em minha direção rápido e pega em meu pescoço apertando forte.

— Você não tem como fugir assinou um contrato, já paguei a dívida da sua família, o tratamento do seu irmão. Se você fugir, eles morrem, tá me entendendo.

Eu estava ficando sem ar, sentindo uma dor muito aguda no peito e ele me solta.

Eu puxo o ar com força e coloco minha mão sobre meu pescoço, meio curvada eu olho para ele.

Eu poderia ajoelhar em seus pés mas seria inútil, com certeza seria mais humilhada ainda. Evito chorar, forçando uma força em meu ser, encontrar em minha última esperança até no dia deste bendito casamento.

— E vai ser quando?

Ele encosta em sua mesa, cruza os braços.

— Amanhã…

— Mas..mas…

— Você não tem que se preocupar com nada, eu mandarei profissionais até sua casa para te preparar e te vestir.

— Eu ainda morarei com minha mãe, certo?

— Não seja tola! Você queria morar aqui para fugir de lá. Vai morar comigo na casa de meu pai. Ele tem que acreditar que nós nos amamos. Ele dá meia volta à mesa e se senta.

— Agora pode ir!

 Que ódio desse lixo de homem.

Que piada!

Saio de lá com a esperança agora zero, e as lágrimas me escapam.

— Desgraçado! — eu grito.

Os seguranças me olham, mas não fazem nada. Eu fui em direção ao salão, as meninas dançavam, eu sentei na banqueta do balcão e pedi uma dose de tequila.

O barman me encara, mas me coloca a dose e me entrega o copo.

— É proibido beber enquanto trabalha!

Olhei para voz era Elza atrás de mim.

Acho que ela percebe meus olhos cheios de lágrimas e puxa um banco para perto de mim.

— Ele está te obrigando casar?

Concordei com a cabeça.

O homem de meia-idade que estava apreciando Rangel dançar particularmente lá no segundo andar se aproxima de nós e vem em minha direção. E você que quero agora.

Ele aponta para mim.

Elza levanta e fica de frente a ele.

— Senhor Thompson, ela não faz parte do pacote.

O homem de meia-idade franziu as sobrancelhas em descontentamento.

— Mas quero ela. Ela que combina comigo.

— Mas já falei que ela não faz parte do pacote.

— E dinheiro, eu pago…

— Escuta aqui seu velho asqueroso. Nunca em minha vida eu quero…

— Cristal deixa que eu resolvo. — Elza segura em meu peito me impedindo de ir para cima dar uns tapas naquele velho.

— Algum problema por aqui? — um dos seguranças se aproxima da gente. O homem de meia-idade, envergonhado e furioso, apontou para mim.

— Tadeu, o senhor Thompson não entendeu que Cristal não é uma das dançarinas que se envolvem com os clientes. — Elza explica.

— Senhor, tenha a gentileza de me acompanhar.

Ele fica inicialmente insatisfeito com a abordagem do segurança.

— Tadeu, deixe que eu cuido dele.

Eduarda chega pegando no braço do cliente, ao ver o corpo esbelto e boa postura da ruiva, ele deve pensar que ela deveria ser muito atraente sem roupa e serviria e a acompanha

— Venha comigo Cristal! — Elza me chama, porém Tadeu a segura no ombro.

— Ela ainda está no expediente.

— Ah que isso Tadeu, eu preciso falar com ela é…

— Senhor Sérgio, não permite. — com sua maquiagem esfumaçada, Elza revira os olhos

Entediada, mexi no meu copo e falei um número baixo "16".

Ela fica satisfeita ao ouvir isso e consente.

— Então vá trabalhar Cristal em vez de ficar ai sentada. — Elza comanda. concordei com a cabeça e me levantei indo atender algumas mesas.

 Meia hora depois, subo para o terceiro andar fingindo que estava acompanhando um cliente.

E logo que eu chego lá, Elza já está me esperando com a chave do quarto.

— Venha aqui! — um segurança chega perto dela e a pega pelo braço.

— Achou que não íamos notar.

— Mas por que não posso falar com ela? — pergunto tentando entender.

— Ordens do senhor Sérgio.

— Me solta, eu posso andar sozinha! — Elza puxa seu braço e vai para o elevador.

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Comments

Andreia Cristina

Andreia Cristina

eita nois so mistério

2024-08-22

1

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