...André ...
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♬♪♫
De repente me vejo com a música Neil Diamond - Sweet Caroline nos ouvidos e o suor escorrendo pela minha testa e costas, enquanto meus pés sofrem impactos fortes na pista.
Geralmente, quando corro, relaxo, atento apenas ao verde do lugar, grato por sentir o ar fresco, por ter nascido privilegiado e poder me cercar de coisas boas.
Mas hoje não. Levo meu corpo ao limite, mas dessa vez minha mente não está livre e sim focada na letra da música, enquanto minha mente é invadida pelas imagens de Natasha.
Doce Caroline
De onde começou
Eu não posso começar sabendo
Mas então eu sei
Está crescendo forte
Era a primavera
E primavera tornou-se o verão
Quem teria acreditado que
você viria junto
Mãos, tocando mãos
Alcançando
Me tocando
Tocando em você
Doce Caroline
Bons tempos nunca pareceram tão bons
Eu tenho sido inclinado a
acreditar que eles nunca seriam
Mas agora eu
Olho a noite
E isso não parece tão solitário
Nós satisfazemos somente a nós dois.
E quando eu machuco
Ferimento corre por meus ombros
Como posso me ferir quando eu te abraçando
A música acaba e entra Lupe Fiasco & Guy Sebastian - Battle Scars. A batida gostosa faz com que eu aperte mais meus passos, dando mais de mim na corrida.
Conheço bem essa música. Fala de um homem que cansou das cicatrizes do amor.
Passei muito tempo no mundo dos negócios para acreditar de primeira no que as pessoas me dizem. Infelizmente tive muitas experiências ruins. E isso me tornou ruim.
Aprendi cedo que por trás de bons gestos há muito interesse envolvido.
Hoje, se uma mulher me olhar com interesse real, eu não acreditaria.
Uma lembrança sombria invade minha mente. Os olhos de Rebeca outrora tão calorosos se tornaram frios para mim, sua língua afiada quando soltava seu verbo.
Dio! Até hoje eu me pergunto: como pude me enganar tanto? Solto um lamento triste, cheio de melancolia.
Meus pensamentos mudam e focam em Natasha.
Ela está conseguindo o impensável de mim, quando estou ao seu lado esqueço do meu passado, ocupado demais em viver o presente.
Um tremor me percorre.
Dio! Não quero pensar nas implicações disso. Preciso me preocupar com minha respiração ao invés de ficar questionando meus sentimentos. Isso só vai fazer com que eu me sinta drenado.
Desligo o Ipod.
Melhor sem música agora. Preciso focar na respiração. Expire.
Inspire.
Expire.
Inspire.
...Natasha...
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Entro no quarto de André. Ele é todo em cinza e branco.
Há uma enorme cama king size e em cada lado dela mesas de cabeceira.
Arrumo a cama da maneira que acho. Coloco os travesseiros sobressalentes para enfeitá-la.
Avisto a ampla porta do closet semiaberta, curiosa caminho até ela e me deparo com uma grande variedade de roupas nos cabides. Tudo organizado.
Ternos, camisas, roupas casuais. Fora a quantidade de sapatos em prateleiras inclinadas e as muitas gavetas, que devem se para guardar camisetas, shorts, gravatas, etc.
Vou até o luxuoso banheiro que é todo em mármore bege. Retiro o lixo e as roupas sujas de um lindo cesto. Carrego tudo até a área de serviço.
Pego outro saco de lixo e volto até o banheiro de André para a reposição.
Tudo arrumado, me dirijo para a sala. Abro a porta corrediça de vidro e saio na imensa área de lazer.
Ontem quando Lola me mostrou meu queixo caiu. O lugar é lindo. O verde espalhado por todos os lugares com seus grandes vasos abrigando folhagens exuberantes.
Uma grande churrasqueira.
A linda e imensa piscina.
Várias espreguiçadeiras e mesas brancas espalhadas em torno dela.
Os guarda-sóis da mesma cor estão em tudo quanto é lugar. Alguns fincados no centro das mesas e outros soltos.
Eu caminho até o parapeito e me debruço nele. Observo a linda vista do Central Park aos meus pés.
Respiro o ar fresco que vem das árvores lá embaixo e resolvo ficar por aqui. Sento-me em uma das cadeiras e deixo o tempo correr.
Ontem Lola me confidenciou que André não tem o costume de usar esse espaço. Somente a piscina para se exercitar.
Minutos depois ouço a porta da sala se abrir. Não me viro para saber quem é. Sei que é André voltando da corrida.
—Apreciando a vista?
Meu coração dá um salto. Minha boca chega a secar ao ouvir sua linda voz. Viro minha cabeça e o encaro séria, com firmeza.
Ele está ensopado de suor. As laterais dos cabelos castanho- escuros chegam a estar molhadas.
Como um homem pode ser tão bonito?
—Sim, você tem uma vista privilegiada. Fora este lugar, que é maravilhoso.
Ele sorri e seus singulares olhos cinzentos brilham nos meus.
—Verdade. Está com fome?
—Ainda não.
—Bene, eu estou morrendo. Só vou tomar um banho e faremos o almoço.
Aceno um sim para ele com calma fingida. Só de pensar em tê-lo ao meu lado é no mínimo estressante, já que tenho que ignorar o quanto ele me afeta o tempo todo.
Ele vai em direção ao banheiro e eu vou até a cozinha esperá- lo e para não me sentir ansiosa, já vou arrumando as coisas.
Separo uma panela para o macarrão. Demoro-me um tempo para achar o escorredor, ao encontrá-lo já deixo a mão. Pego a
carne moída que está na prateleira debaixo e está praticamente descongelada e coloco sobre a pia.
Agora é só aguardar André.
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Atualizado até capítulo 59
Comments
Anna Lucia Da Silva Pereira
ela vai ter ele aos pés dela
2025-03-26
1
Ana Lúcia De Oliveira
muito bom 😃😃
2025-03-30
0
Creuza De Jesus Oliveira Alves
ele não pode ser sacano com ela/ ela já sofreu de mais.
2024-09-22
3