Michelle…
Entramos na casa grande e faço sinal para que se sentem no sofá.
Peço para um dos peões, buscarem as malas da minha amiga.
Os dois observam cada detalhe do lugar, mas o que me incomoda são os olhares e superioridade da tal da Lilian. Entrou aqui, se sentindo melhor do que todos.
A mulher observa tudo com um nariz em pé, como se fosse a rainha da Inglaterra.
— Podem dizer o que os trazem até a minha fazenda? — pergunto sem perder a minha postura firme.
— Temos interesse em comprar as suas terras! A nossa construtora, está comprometida em desenvolver nessas terras um resort fazenda! De maneira sustentável, integrando práticas ecológicas que não apenas atendem as demandas atuais, mas também garantem um legado para as próximas gerações! O nosso projeto envolve o desenvolvimento da cidade, trazendo uma ampla gama de empregos…
— Desculpe senhor, mas essas terras não estão à venda! Essa fazenda é a minha casa e de todos que aqui vivem! — afirmo.
Confesso que o olhar daquele homem me deixou um pouco desnorteada, mas mantive a minha postura para não perceberem.
— Porque querem ficar nesse lugar? — inadaga a mulher, olhando tudo com desdenho. — Não vão conseguir levar essa propriedade em frente!
— E como sabe disso, senhorita? — indago impaciente, com aquela sua cara de nojo.
— Porque para isso é necessário muito dinheiro, coisa que a senhora não tem! Sei que tem uma dívida com o banco e ninguém lhe pagará uma quantia tão boa quanto a nós!
— Lilian! — repreende Anderson. — Senhorita Michelle, estamos lhe fazendo uma excelente proposta e acredito qua não irá se arrepender!
— Se vender essas terras, estarei vendendo a minha vida!
A mulher sorri com sarcasmo, me tirando do sério, essa mulher é muito arrogante.
— Como eu disse, a fazenda não está à venda! — digo entre os dentes.
— Pelo menos poderia pensar na nossa proposta? — pergunta ele, educadamente.
— Já disse que fazenda é a minha vida! — digo irritada.
— A nossa vida pode ser em qualquer lugar! E tenho certeza, que vão encontrar um lugar muito mais… aconchegante para viver! — comenta a mulher.
Me coloco de pé.
— Como já disseram o que queriam, o assunto acaba aqui! A minha fazenda não está a venda e nunca estará!
— Me deixe te mostrar… — dizia o homem, mas o interrompo.
— Não quero ver nada e peço que se retirem da minha propriedade imediatamente!
— Mas…
— Mas nada! Quero que saiam imediatamente das minhas terras e deixo claro, que as minhas terras não estão à venda!
A tal da Lilian tenta falar algo, mas irritado o homem a segura pelo braço e os dois saem da minha casa. Anderson foi educado e não pressionou, minha irritação se deve a postura de Lilian.
Assim que cruzam as portas, solto todo o ar de meus pulmões.
— Calma amiga! — diz Marta, pousando uma das mãos em meu ombro.
— Calma nada! Quem eles pensam que são?
Digo andando de um lado para outro, essa perua me tirou do sério e para completar a presença desse homem me intimida.
— Calma amiga, se não vai vender, não tem por que ficar assim! Ou isso se deve a outra coisa…
Arqueio uma das sobrancelhas...
Quando vou falar algo, meus padrinhos entram na sala.
— Minha filha… — diz madrinha, assim que vê minha amiga.
Os três se entreolham emocionados, Marta corre para os braços de seus pais e ela chora ao reencontrá-los.
— Que saudades, minha mãezinha querida! Papai… — diz os apertando mais no abraço.
Me emociono, pois sei o quanto eles sentiram falta de sua filha.
Deixo-os a sós na sala e vou até o meu escritório.
Ando de um lado para outro, tentando me acalmar. Não dá para explicar as reações do meu corpo perto desse homem e isso me deixou muito irritada. O pior é essa sensação de conhecê-lo de algum lugar, me parece tão familiar.
Aproveito que estou ali e ligo o computador, para estudar um pouco sobre a parte das terras onde vamos plantar tomate. Estou usando tudo o que aprendi na faculdade de agronomia para salvar as terras.
Estava distraída anotando alguns pontos importantes quando Yuri bate na porta e pergunta se pode entrar.
— Entra filho! — afirmo, fechando a página que estava.
Ele entra, pousa um beijo no meu rosto e eu o abraço fortemente.
— Precisa de algo? — indago acariciando o seu rosto.
— Eu e a Mariah estávamos voltando do galinheiro e vimos um carro chique saindo da propriedade…
— Não se preocupe, não era ninguém importante!
— Mas a Lurdinha disse serem pessoas interessadas em comprar a fazenda!
— A Lurdinha não sabe de nada! — digo irritada. — Não tem com o que se preocupar, meu filho! — digo me colocando de pé.
— Talvez a senhora devesse vender!
— Do que está falando, Yuri? Isso daqui é a nossa casa, a nossa vida…
— É a sua vida mãe! Porque eu nunca me senti em casa nesse lugar! Devia vender e assim podemos ir embora desse fim de mundo! Ir para outro estado, outro país… Estou cansado de te ver lutar, lutar e morrer na praia!
— Fugir não é a solução! Nunca foi e nem nunca será! Temos que enfrentar os nossos problemas de cabeça erguida…
— Eu respeito muito a senhora, mãe, mas devia pensar no que os seus filhos querem também! Só porque, o vovô te fez jurar que não venderia as terras, não significa que tem que manter essa promessa de pé, diante das circunstâncias difíceis…
— Não quebramos promessas, Yuri e me admira muito ouvir esse tipo de coisa de você, que sempre me apoiou em tudo!
Ele dá de ombros.
— Filho, fala comigo! Me diz o que realmente está acontecendo… desabafa, quem sabe eu possa te ajudar! Isso é porque aqueles garotos ficam zombando de você?
— A senhora não entende! Eu odeio esse lugar, odeio essa cidade e quando eu fizer dezoito anos, vou sumir daqui! — diz com a voz alterada e saí do escritório irritado.
— Yuri! — grito.
Ele saiu correndo do escritório.
… O que eu farei? Meu Deus, estou tão perdida!…
Retiro o meu chapéu, me aproximo da janela e olho para aquele lugar com meu coração apertado.
Vejo o meu paizinho brincando com Mariah e algumas lágrimas rolam por meu rosto.
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Yuri Martinez…
Sou Yuri Martinez, tenho 15 anos e moro na fazenda com a minha família no interior da Carolina do Norte, desde que nasci.
Eu nunca me senti em casa nesse lugar, minha mãe sempre me deu todo o amor que podia, mas sentia muita falta do meu pai. Ele nunca me deu muita atenção, ao contrário de Mariah, que sempre foi a sua filha preferida.
Eu nunca fui um filho ruim, sempre fui aplicado na escola, me destaco com as melhores notas e já ganhei até medalhas. Tudo isso nunca me deixou feliz, porque fazia isso para chamar a atenção do meu pai, mas ele parecia não se importar.
O tempo foi passando e me tornei um garoto extremamente tímido, de baixo autoestima e introvertido.
Todos no colégio zombam de mim, por eu ser o nerd e não ter boa aparência. As provocações aumentaram depois que uma garota linda chegou na escola.
Ela não se importou com a minha aparência, me tratava bem e ficamos amigos. Essa foi a primeira amiga que tive nessa vida, mas a afastei, porque os populares começaram a pegar mais pesado comigo. Suas ofensas passaram a ser mais agressivas e ameaçaram atormentar a minha irmã se eu não me afastasse de Ava Agustín.
Mesmo eu me afastando dela, ela ainda tenta se aproximar, mas a distrato e como sempre fico sozinho. Não conto para a minha mãe, porque ela brigaria e seria mais um motivo para me atormentarem. Já não basta eles fazerem comentários maliciosos, por ela ser linda e jovem.
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Atualizado até capítulo 103
Comments
Josigg Gomes Galdino
Precisa cortar o cabelo,usar lentes,se arrumar melhor, e aí sim , vai melhorar rsrsrsrs, não parece com o Anderson, mais se fizer algumas melhorias , vai ficar bonito, essa montagem está estranha, ele não parece ter 15 anos
2025-03-25
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Josigg Gomes Galdino
Essa Ava é a filha de Angélica(filha de Ayla e Guilherme)e William Augustin, da história (recomeços: A nossa vez)
2025-03-25
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Josigg Gomes Galdino
Eu acho que o Jimmy sabia,que Yuri não era filho dele
2025-03-25
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