P.o.v -Gustavo
Gustavo
Malu
Dias depois, eu ainda sentia o gosto amargo da ressaca que me dominou na noite passada. Bebi demais e acabei dormindo com a Malu. Quando acordei, a cabeça latejava e o estômago parecia uma revolta. Ela me ajudou a levantar, a fazer minha higiene, pois eu mal conseguia andar. Tomei um remédio para aliviar a ressaca e voltei para a cama, exausto. Malu deitou ao meu lado me abraçou e começamos a conversar.
Ela me olhava, com uma mistura de preocupação e dúvida nos olhos, e finalmente perguntou:
-Fiz errado em te abraçar?
Eu olhei para ela, sem vontade de entrar em discussões.
-Relaxa... - murmurei, tentando encerrar o assunto ali.
Mas não consegui me calar. Estava cansado de guardar para mim.
-Eu sei o segredo do Marcos e do Daniel.
Os olhos de Malu se arregalaram de surpresa.
-Como? - Ela perguntou, incrédula.
-O que você não quis me contar - eu respondi, me sentindo um pouco vingativo.
-Como você descobriu? - insistiu ela.
-Já faz tempo - expliquei, virando de lado na cama. - Eu recebi a foto no meu celular.
Malu ficou em silêncio por um momento, processando a informação. Finalmente, perguntou:
-E por que não me contou nada?
Eu dei de ombros, a amargura ainda presente na minha voz.
-Porque como você não confiou em me falar, eu também não confiei em te falar.
Ela suspirou, parecendo entender.
-Entendi...
Malu ficou em silêncio por um momento antes de perguntar, hesitante:
-Posso te perguntar uma coisa?
-O quê? — Eu perguntei, já sem paciência.
-Por que você não me quer longe de você - A pergunta dela veio como uma surpresa.
-Como assim? - questionei, tentando entender o que ela queria dizer.
-Uma das vezes que você estava bêbado, e eu ainda frequentava o clube, você me pediu para não me afastar de você. Até hoje, não sei o porquê - ela explicou, olhando fixamente para mim, esperando uma resposta.
Eu respirei fundo, sentindo o peso daquilo.
-Eu preciso de uma esposa - admiti, finalmente. -Todos os líderes de máfia precisam.
-E você resolveu me escolher - ela disse, como se tudo estivesse começando a fazer sentido.
-Sim, por que não? - respondi, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
-Porque tecnicamente todo mundo à sua volta me odeia. Até achei que você me odiasse - ela disse, com um toque de tristeza na voz.
Eu balancei a cabeça, ciente da verdade em suas palavras, mas sabendo que aquilo não importava no final das contas.
-Vocês, mulheres de líderes, não precisam ser pedidas em nada. Só assumem seus lugares - expliquei, tentando ser prático. -O Thiago não pediu a Anabela; ela assumiu o lugar dela de esposa sozinha.
-Eu não sei o que fazer nem como agir - confessou Malu, com uma vulnerabilidade que raramente mostrava. -E pensei que você não me assumiria como sua mulher ou namorada.
Eu a olhei com seriedade.
-Só seja normal - respondi, querendo manter as coisas simples. - Não precisamos disso.
Ela suspirou novamente.
-E quanto à sua família e seus amigos que me odeiam? Afinal, só a Mia filhinha da Sara gosta de mim.
Eu não pude deixar de rir daquilo.
-Você precisa deles para respirar? - perguntei, já conhecendo a resposta. -Acredito que não.
Ela riu de leve, mas ainda parecia preocupada.
-Depois de mim, agora só precisamos que o Marcos arranje sua esposa ideal.
-Mas vão cair em cima de você - ela avisou, como se fosse algo que eu já não soubesse. - E se no caso dele for um esposo ideal?
Eu balancei a cabeça, descrente.
-Acho que não existe isso. Ele vai só usar o moleque - afirmei, sem qualquer dúvida.
-E outra pergunta... Eu vou poder frequentar alguns lugares com você? - ela perguntou, mudando de assunto.
-Se for permitido, sim - respondi, tentando ser razoável.
-Não fala assim do Dan. Você sente ciúme de mim e dele? - Ela perguntou, testando os limites da minha paciência.
Eu suspirei, cansado desse assunto.
-Eu não acho que ele é digno de algumas coisas - respondi, sem querer entrar em detalhes.
-Tipo? - Ela insistiu.
-Do que temos. A máfia é uma família. Ele não pode fazer parte da nossa família - eu disse, firmemente.
-Entendi... - murmurou ela, resignada.
Eu sabia que ela não estava convencida, então continuei:
-Eu acredito que o Marcos não gosta daquele moleque. Está só o usando... E isso logo vai acabar. Nós, líderes, precisamos de mulheres, não de outro homem.
-Posso continuar vendo meu amigo? - ela perguntou, num tom de desafio.
-Vai, ué... Não te proibi - respondi, tentando soar indiferente.
-Da última vez que falei que ia ver ele, tu ficou puto - ela lembrou, sem esconder a irritação.
Eu suspirei, cansado daquela discussão sem fim.
-Porque você queria levar o meu filho.
-Nosso filho - ela corrigiu, insistindo.
-É... Tanto faz - murmurei, encerrando a conversa.
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Atualizado até capítulo 65
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