P.o.v- Marcos
Dois dias depois, Dan não apareceu no clube. Estava ocupado com um trabalho importante na faculdade. Eu, como de costume, estava no meu escritório, resolvendo assuntos pendentes. Era um dia comum, até que Carlos apareceu por lá.
Os seguranças do clube o conduziram até minha sala. Assim que entrou, sem muita cerimônia, ele me cumprimentou:
-Bom dia, Marcos.
Levantei o olhar e o encarei, sério. Não era comum ele aparecer por ali.
-Bom dia, Carlos. O que faz aqui?
Ele não perdeu tempo e logo colocou sobre a mesa algumas fotos. Reconheci de imediato: eram de mim e Dan, no carro, nos beijando. Senti o sangue ferver por dentro, mas mantive a compostura. "Vou matar esse filho da puta", pensei. Mas externamente, soltei um comentário ácido:
-O que tem? Ninguém resiste a um gostoso como eu, né?
Carlos me olhou com um misto de desespero e raiva. Sua voz saiu firme, mas dava para perceber a dor por trás das palavras:
-Você podia ter qualquer pessoa que quisesse. Por que meu filho?? Você está confundindo ele. Ele não deveria ficar com alguém como você - continuou, enquanto eu me levantava e me aproximava dele.
-Eu não sou um monstro como vocês pensam, mas posso me tornar se quiserem tentar alguma gracinha. Até onde eu sei, ele é maior de idade e já sabe tomar decisões sozinho. Não precisa do papai vindo ao meu escritório falar algo.
Carlos me encarou, firme:
-Eu não criei uma filha, e sim um filho... Eu não vou aceitar que ele seja isso. Sei que você o confundiu... Não quero mais que fique com ele, pois, se não tiverem nada, ele não corre o risco de gostar de algo que não seja normal. Ele gostava da Manu, que era a namorada dele. Eles super combinavam e logo podem voltar... Por favor, não atrapalhe a vida do meu filho.
Permaneci em silêncio por um momento, deixando que as palavras dele ecoassem na sala. Então, disparei:
-É, ele não te contou, né? A Manu, que você tanto fala que combinava com ele, o traiu e ainda mandou o irmão bater nele... Sou eu ou ela que atrapalha a vida do seu filho? E você ainda quer que eles voltem!
Carlos hesitou, mas respondeu com firmeza:
-Não importa. Ele não nasceu para viver uma vida dessas... Agora, preciso ir... Pensa no que eu te falei. É o bem dele. Licença.
Carlos saiu, deixando a sala carregada com uma tensão insuportável. Meus pensamentos se desordenaram por um instante. "Vou garantir um lugar especial para esses dois", decidi. Peguei o celular e mandei uma mensagem para Dan:
📩 Você está aonde?
Minutos depois, ele respondeu:
📩 Oiii, eu tô saindo da faculdade e indo para o clube.
Respondi rapidamente:
📩 Precisamos conversar.
Puxei a localização do celular dele no meu computador e fiquei acompanhando sua chegada. Era só questão de tempo. Não demorou muito até ele bater na porta do escritório.
-Entra! - disse, já sabendo quem era.
Dan entrou, visivelmente curioso e talvez um pouco apreensivo.
-Oi... O que queria falar comigo? - perguntou, aproximando-se.
Olhei para ele e dei um sorriso malicioso.
-O seu pai já sabe sobre nós dois.
-O quê? - Ele me olhou, espantado.
-Fica calmo, ele não vai fazer nada. Mas eu vou ver oque vou fazer com o Leon.
-Com o Leon? Por quê?
-Porque foi ele que tirou a foto e mandou para o seu pai. Mas eu gosto do proibido e não ligo para o que vai acontecer.
-Entendi... - Ele parecia preocupado, o que não passou despercebido.
Me aproximei mais, puxei Dan e lhe dei um selinho, que ele retribuiu com um sorriso. Logo, o beijo se intensificou, e eu o coloquei sentado na mesa. Ele passou a mão pelos meus cabelos enquanto nos beijávamos.
Foi então que a porta se abriu de repente, e o barulho nos fez interromper. Dan desceu da mesa rapidamente, e ambos viramos para ver quem tinha entrado. Era Malu a mulher grávida de Gustavo.
Ela sorriu, sem parecer surpresa.
-Não vou criticar, fico feliz!
Me virei para ela, irritado:
-O que faz aqui?!
Dan permaneceu calado, visivelmente envergonhado e sem ação. Malu explicou-se:
-Vim ver o pai do meu filho pegar uma sobremesa, e aí eu ia achar um canto para descansar e acabei entrando aqui. Só não me expulsa daqui, por favor.
Soltei uma risada debochada.
-Sai daqui, garota! O seu querido homem deve estar na sala dele. Aproveita e pede para ele fazer um mapa pra você não se perder de novo.
Nesse momento, Gustavo entrou na sala, preocupado.
-O que houve, Marcos?
Antes que eu pudesse responder, Malu se adiantou:
-Entrei aqui sem querer, só isso. Eu tava buscando um canto afastado pra descansar e acabei me perdendo.
Não deixei barato:
-Ele perguntou para mim. - Minha resposta foi áspera. -Você pode ajudar a sua mulherzinha a andar no clube, porque eu estava tendo uma reunião e ela atrapalhou.
Malu rebateu, me corrigindo:
-Não sou a mulher dele!
Gustavo, desconcertado, pediu desculpas e, junto com Malu, deixou a sala, fechando a porta. O silêncio caiu novamente.
Dan, ainda nervoso, quebrou o silêncio:
-E agora?
Olhei para ele, tentando não demonstrar a irritação que ainda fervia dentro de mim.
-E agora o que? Ela não vai contar pra ninguém.
-E se contar? Que droga! — Ele parecia prestes a surtar.
-Se contar, não vai acontecer nada. O seu pai já sabe. Está com medo do quê?
-Nada... É que...
-Ou você está com medo da Manu descobrir? Isso vai estragar o seu plano de voltar com ela porque você ainda gosta dela?
Dan me olhou com espanto, negando:
-Nada a ver... É mais sobre como as pessoas vão olhar para nós.
Dei um sorriso sarcástico.
-Vão olhar normal, mas com medo, porque sabem que, se mexerem com você, eu vou matar.
-Não precisa matar ninguém, não... — Ele tentou suavizar, mas a tensão era evidente.
Percebi seu medo, mas mantive a postura.
-Fica calmo, eu sou uma pessoa tranquila.
Dan soltou um "uhum" meio duvidoso, mas logo nos dirigimos para o sofá, onde ele se deitou com a cabeça em meu colo. Enquanto ele olhava algo no celular, eu fiquei meio sem reação, nunca tinha vivido algo assim.
-Ela não vai ser doida o suficiente para contar — falei, ligando a TV e o PS5 para jogar um pouco, tentando relaxar.
Dan, de repente, fez uma pergunta:
-Você nunca namorou com alguém?
Respondi sem rodeios:
-Não, apenas fiquei com algumas mulheres para o meu prazer próprio.
Ele sorriu.
-Eu imaginei.
-Quando sua mãe falou que eu tava bonito naquele dia que você foi visitá-la, você não concordou. Mas você me achou bonito?
-Talvez... Mas naquele dia, eu não ia muito com a sua cara.
Dan insistiu:
-É sim ou não?
-Por que você quer saber? Isso vai mudar alguma coisa?
Ele ficou em silêncio, mas era claro que estava curioso. Parei de jogar e o encarei.
-O que você achava de mim?
-O mesmo que você achava de mim. - ele me respondeu.
-E eu só quero saber o que você acha de mim agora.
-Ah... Eu não sei...
Soltei uma provocação:
-Quem tem muita dúvida é porque não gosta da pessoa.
Dan pareceu incomodado.
-Por que está falando isso?
Dei de ombros.
-Talvez seja porque você ame outra pessoa, como seu pai falou.
Ele se sentou e me olhou, irritado.
-Eu não amo!
Sorri, satisfeito.
-Tá bom, eu já entendi.
Dan, então, virou o jogo:
-E você? Por que está falando tanto de amor? Você me ama já?
-Por que quer saber?
-Porque você falou de amor, ué.
-Mas eu não falei sobre mim.
Ele sorriu timidamente, tentando se impor:
-Você pode até ser assim, mas vai me amar logo logo.
Ri da sua confiança.
-Não seja convencido.
-É você que me quis aqui, até fala que eu sou seu.
-Mas isso é verdade, você é meu e não importa a situação.
-Como assim?
-Você é meu, independente do que eu sinto.
Dan ficou em silêncio, pensativo. Era evidente que estava tentando entender onde se metera. Decidi ser mais claro:
-Agora que você é, a minha propriedade, vai ter que tomar mais cuidado com certas companhias.
-Tipo mulheres?
-Mulheres ou homens.
-Mas em que sentido?
-Em todos os sentidos. Não quero que você fique muito próximo, sem muita intimidade.
Dan aceitou, meio sem escolha.
-Tá bom.
Ele sabia que, com ou sem consentimento, as coisas seriam assim. Era o preço de estar comigo.
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Atualizado até capítulo 65
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