P.o.v -Dan
Tempos mais tarde, já estava quase na hora de sair. O sol já começava a se pôr quando avistei Gustavo do outro lado da rua. Algo dentro de mim me impulsionou a ir até ele, mesmo sabendo que ele não era exatamente o mais receptivo dos caras.
-Oi, senhor... É... eu queria saber como está a Malu? - perguntei, tentando manter um tom educado.
Gustavo me olhou com desprezo, como se eu fosse uma mosca incômoda.
-Por que quer saber? - respondeu, seco.
Eu respirei fundo, ignorando o jeito ríspido dele.
-É que ela não apareceu mais... - tentei explicar, com a esperança de que ele entendesse minha preocupação.
Mas ele não parecia interessado em ouvir.
-Não tô afim de conversa, cai fora! - disse, virando de costas, claramente dispensando a conversa.
-Ela está na sua casa? Ela atende se eu ligar? - insisti, sabendo que estava me arriscando.
Ele se virou novamente, agora com os olhos cheios de raiva.
-Não quero você perto dela! Sai fora! - rosnou, tentando me intimidar.
-Ué, eu sou amigo dela, um amigo não pode saber da amiga? - retruquei, sem entender o motivo de tanta hostilidade.
Gustavo parecia ainda mais irritado.
-Ela não é nada pra você! - disparou, com uma agressividade que me surpreendeu.
Senti meu sangue ferver, e não pude deixar de responder.
-Acho que ela é minha amiga há mais tempo do que sua, e por que está tão chateado com o fato de eu ser algo dela? Vocês dois nem namoram, você nem teve coragem de assumir ela, que eu saiba - provoquei, sabendo que estava pisando em terreno perigoso.
Foi então que Gustavo perdeu a cabeça.
-Seu moleque filho da puta! - gritou, partindo pra cima de mim com tudo.
Antes que eu pudesse reagir, senti o impacto do soco no meu rosto. Tudo girou por um instante e, quando me dei conta, estava no chão, com o rosto latejando de dor.
-Sai daqui, idiota! - ele gritou, olhando para mim de cima, como se eu fosse um nada.
Levantei-me com dificuldade, sem dizer mais nada. Minha cabeça ainda girava, e eu sabia que não adiantaria continuar aquela discussão. A dor no meu rosto era intensa, mas a dor na alma era ainda pior. Me afastei rapidamente dali e, ao avistar um táxi, entrei sem pensar duas vezes, dando ao motorista o endereço de casa.
Quando cheguei, a mãe de Marcos, Lúcia, me recebeu na porta. Ela imediatamente notou o hematoma no meu rosto e veio até mim, preocupada.
-Quem te bateu? Foi no trabalho? - perguntou, enquanto pegava um saco de gelo e começava a pressioná-lo contra meu rosto.
Eu tentei sorrir, apesar da dor, querendo evitar que ela se preocupasse mais do que o necessário.
-Não se preocupe, eu tô bem - menti, tentando confortá-la.
Lúcia continuou cuidando de mim, mas eu não conseguia parar de pensar no que tinha acontecido. A situação com Malu e Gustavo estava ficando cada vez mais complicada, e eu não sabia mais o que fazer.
P.o.v -Marcos
Quando saí da minha sala e me dirigi até a sala do Dan, notei que ele não estava lá. Aquilo me preocupou. Tentei ligar para ele, mas a chamada caiu direto na caixa postal. Desliguei, frustrado, e decidi perguntar aos seguranças.
-Quem de vocês viu o Daniel? - perguntei, olhando para os dois homens que estavam de plantão.
Um dos seguranças me respondeu com respeito.
-Olá, senhor Marcos. Vimos ele indo embora.
Aquilo só aumentou minha irritação. Como assim ele tinha ido embora?
-Por qual motivo? - perguntei, já com uma suspeita crescendo em minha mente.
-O senhor Gustavo mandou ele ir embora - explicou o segurança, como se aquilo fosse algo normal.
Senti o sangue subir à cabeça. Sem pensar duas vezes, saí andando em direção à sala de Gustavo. Entrei com tudo e bati a porta com força, deixando claro que não estava para brincadeiras.
-Cadê o meu funcionário? - perguntei, direto ao ponto, olhando Gustavo com uma fúria mal contida.
Ele me encarou com frieza, como se minha presença fosse um incômodo.
-Seu funcionário foi embora pra casa dele - respondeu ele, com uma calma irritante.
Minha paciência estava se esgotando rapidamente.
-Não deu o horário dele ainda. O que você aprontou? - exigi saber.
Gustavo me olhou com uma frieza ainda maior, como se estivesse falando de algo trivial.
-Ele falou merda, então dei o que ele merecia. Dei até menos... - disse ele, como se aquilo justificasse qualquer coisa.
Minha raiva se transformou em desprezo.
-O que ele falou? Não resolvemos as coisas assim, e você sabe muito bem disso. Primeiro, tem que entrar em consenso com outro líder - repliquei, tentando manter algum nível de profissionalismo.
-Eu sou um líder, e não quero ele perto da minha mulher! - Gustavo retrucou, sua voz carregada de possessividade.
Dei um sorriso debochado. Aquilo tudo era ridículo.
-Quem vai querer uma interesseira igual a ela? Desde que estou aqui, só vejo ela se vitimizando pra você. E você não teve nem o caráter de um homem, porque só engravidou ela e não assumiu - provoquei, sabendo que estava tocando numa ferida aberta.
Gustavo levantou, furioso, e me olhou como se quisesse me matar.
-Cai fora daqui, Marcos! - gritou ele, sua voz cheia de ódio.
Eu não recuei. Pelo contrário, o encarei e ri na cara dele.
-Se não o quê? A verdade é dura como uma pedra, né? Mas se a carapuça serviu...
Gustavo suspirou, tentando se controlar.
-Já acabou? Agora saia - disse ele, tentando manter a compostura.
Me sentei no sofá da sala dele, cruzando os braços, provocando ainda mais.
-Calma, você está muito alterado - disse, fingindo preocupação.
Gustavo revirou os olhos e me encarou, impaciente.
-O que você quer? Me irritar é? - perguntou, claramente perdendo a paciência.
-Quero saber o que você fez - insisti, não satisfeito com suas respostas anteriores.
-Eu já te falei - respondeu ele, impassível.
Eu o encarei, tentando ver através de sua fachada.
-Você está fazendo tudo isso para, no final, tomar a criança e se casar com outra - afirmei, jogando na cara dele a verdade que todos sabiam, mas ninguém tinha coragem de dizer.
Gustavo me olhou com um desprezo que ele mal conseguia disfarçar.
-Eu não sei por que você está assim, se nem gostava dele - retrucou, tentando me desarmar.
Eu não pude deixar de rir.
-Não gosto, mas ele ganhou meu respeito mostrando que é mais competente do que muita gente - respondi, sincero.
-Uhum, sei... - Gustavo murmurou, claramente não acreditando em mim.
Olhei para ele com desconfiança.
-Você está me escondendo algo - acusei, sentindo que havia mais por trás da história.
-Não, eu só dei uma surra nele... pra ele aprender a me respeitar - Gustavo finalmente admitiu, com um ar de superioridade que me enfureceu.
Levantei-me num salto, furioso, e dei um soco nele.
-Não encoste nos meus funcionários - rosnei, sentindo a adrenalina correr em minhas veias.
Gustavo, furioso, se lançou contra mim, revidando o soco.
-Tá maluco?! - gritou, enquanto nos atracávamos.
Dei outro soco nele e me afastei, tentando manter algum controle sobre a situação.
-Você acha que pode fazer tudo porque é líder - acusei, minha voz cheia de desprezo.
-Você é um merda!!! - gritou ele, e logo estávamos no chão, trocando socos e pontapés como dois adolescentes brigando no pátio da escola.
Thiago entrou na sala de Gustavo naquele exato momento e nos encontrou no meio da briga, surpreso.
-Que merda é essa?! Vocês estão virando crianças!! - gritou ele, enquanto tentava nos separar.
Finalmente, conseguimos nos afastar um do outro, ainda respirando pesadamente, e Thiago, furioso, nos deu um baita sermão.
-Dois líderes brigando por besteira, qual o motivo? Quem pegou a munição de quem? - exigiu saber, sem paciência para nossas explicações.
-Você que falou merda pra mim! - Gustavo acusou, apontando o dedo para mim.
-Não quero saber quem falou o quê, vocês podem resolver de outras formas — respondeu Thiago, impaciente.
**
Minutos depois, estávamos no bar, Gustavo e eu, encostados no balcão, cada um com um saco de gelo no rosto. Enquanto Thiago continuava com seu sermão, Gustavo me dirigiu a palavra, sua voz carregada de irritação.
-Só te bati porque você me bateu primeiro. Agora ele não vai parar de dar o sermão dele, culpa sua... - sussurrou ele, só para mim, enquanto Thiago ainda falava.
Revirei os olhos, exasperado.
-Não estava nos meus planos ele entrar - respondi, sem esconder meu aborrecimento.
-Ah, claro! - Gustavo murmurou, e ali ficamos, ouvindo Thiago nos lembrar de como tínhamos sido idiotas.
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Atualizado até capítulo 65
Comments
Tania Nunes
pela primeira vez vejo um mafioso babaca, não tem voz com seus subordinado, ave até o momento o livro nao tá prendendo muito atenção, até curtir mas já me arrependi.
2025-01-22
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