Capítulo Dezesseis
Maya
As coisas estão melhorando, tô conseguindo ficar bem no meu trabalho, o John já teve duas apresentações e ele tá cada dia melhor. Minha mãe abriu a própria floricultura e agora tá empresária.
Estou orgulhosa demais dela e ajudo ela em tudo, ela fez isso comigo quando era mais nova, agora é minha vez de retribuir.
Hoje decidimos ficar em casa, pedimos comida e estamos vendo filme, já está quase anoitecendo e ouço meu celular tocando e vejo que é um número desconhecido. Me levanto e vou para a sacada atender.
Ligação On
— Alô.
— Boa Noite, gostaria de falar com Maya Belmonte Buarque.
— Sou eu mesma, quem gostaria?
— Meu nome é Diego e sou detetive da Delegacia de Crimes Especiais. Estou ligando porque precisamos do seu depoimento em relação ao caso do Dr. Roberto Marcelo de Souza.
Na mesma hora sinto meu coração acelerar, o que está acontecendo?
— Me desculpe, senhor, mas não estou entendendo.
— Recebemos informações de que o Dr. Souza estava envolvido em práticas médicas ilegais e experimentos não autorizados em pacientes. Como você foi uma das pacientes dele, gostaríamos de ouvir sua versão dos fatos. Poderia comparecer à delegacia ?
— Eu… eu não estou no Brasil. — Digo tremendo.
— Me informe onde a senhora está, e vou pedir para que coloque você no primeiro vôo para o Brasil. Precisamos do seu depoimento, é muito importante para as investigações.
— Tudo bem, vou me arrumar e aguardo as informações do vôo, estou em Nápoles, na Itália.
— Ótimo, assim que tivermos a passagem, entraremos em contato.
— Tá bom.
Ligação Off
Desligo o telefone e minhas pernas chegam a ficar fracas, tento andar até o sofá mas não consigo, caio de joelhos no chão. Minha mãe e meu filho correm até onde estou e falam comigo, mas não consigo ouvir nada e nem responder.
Sinto lágrimas escorrerem pelo meu rosto, sinto uma vontade enorme de vomitar, minhas mãos não param de tremer, minha cabeça está girando.
Minha mãe me dá água e me leva junto com John para o sofá, me sento e tento respirar. — Filha, fala comigo, pelo amor de Deus. — Minha mãe está chorando.
— Era… era a polícia. — Digo.
— Como assim Maya? O'Que aconteceu? — Ela me olha preocupada.
Conto tudo para ela e a mesma começa a chorar junto comigo. O'Que esse homem fez comigo? Como assim experimentos? Eu só quero entender o que está acontecendo, e o porquê isso tá acontecendo comigo?
— Vai ficar tudo bem, minha menina. — Minha mãe chora junto comigo.
Depois de um tempo, consigo me acalmar junto com minha mãe, arrumo uma mala pequena e fico aguardando eles entrarem em contato.
Uma hora depois o mesmo homem me liga e pede para eu ir para o aeroporto, pego meus documentos e peço um Uber. Decidi deixar minha mãe e meu filho aqui, não sei o que realmente está acontecendo e nem quero envolver eles nisso.
Chego no aeroporto e assim que falo com a recepcionista, dois policiais aparecem para me acompanhar, sou levada até a primeira classe do avião e junto comigo vai uma mulher e um homem brasileiros, ambos trabalham na embaixada brasileira que tem aqui na Itália.
A mulher conversou comigo e me explicou oque aconteceu, ainda não tá caindo a ficha, ela disse que quando eu chegar lá, vão fazer alguns exames e vão logo em seguida colher meu depoimento. Ela comentou também que vou precisar ficar no Brasil por um tempo.
Eu apenas concordo com tudo e tento manter a calma, eu tô tentando respirar, porque tudo tá acontecendo rápido demais, e tudo que se passa na minha cabeça é o'que esse homem realmente fez comigo ?
Horas depois chegamos no Brasil, não consegui dormir, minha cabeça está uma verdadeira tormenta. Fui trazida a um hotel e pediram para que eu falasse com alguém de confiança, para me acompanhar.
Eu precisava da Elo agora, mas minha amiga tá grávida, e não quero que ela passe mal. Ela se importa demais comigo e junto com a minha mãe foi uma das pessoas que ficou comigo desde o dia do diagnóstico do câncer.
Está quase dando meio dia, deixo meu celular de lado e deitei um pouco na cama, estou cansada, o voo foi bem difícil, e não dormi nada. Eles avisaram que meu depoimento é ainda hoje, já vieram coletar meu sangue, é um exame de urina, daqui duas horas alguém vai vir me buscar para fazer um ultrassom, e outros exames que nem me lembro mais.
Ouço meu celular tocar e vejo o nome da Elo, ela já deve ter visto a notícia. Respiro fundo e atendo ela.
Ligação On
— Maya ?
— Oi amiga
— Você está bem? — Ela parece preocupada.
— Estou amiga, não se preocupe.
— Você já viu né? A notícia?
— Eu vi sim, mas por favor amiga, não fica preocupada, você está grávida e não pode se expressar.
— Eu sei Maya, eu tô bem, quer que eu vá para Itália?
— Não amiga, eu tô aqui no Brasil, cheguei a algumas horas, eles me ligaram ontem, ia até te ligar, preciso de duas pessoas para me acompanhar no depoimento, teria como você e o Dennis ir comigo?
— Aí meu Deus, claro, me passa o endereço agora.
— O depoimento é só as 18h.
— Não quero saber, vou ir agora.
— Tudo bem amiga, mas fique calma, por favor.
— Eu tô calma, Maya, agora me manda o endereço por mensagem.
— Tá bom amiga.
Ligação Off.
Ela desliga e eu já mando o endereço, tô tentando de verdade me manter calma, mas tá difícil, sei que quando Elo chegar aqui, vou desabar.
Deito na cama e sei que eles vão demorar um pouco. Estou mais para o centro da cidade. Fecho meus olhos e respiro fundo e acabo cochilando.
…
Acordo com alguém batendo na porta do quarto e me levanto rápido, abro e dou de cara com a Elo e o Dennis. Nem falo nada e ela já pula em cima de mim.
— Que saudades, eu fiquei tão preocupada, eles já te falaram alguma coisa? Você tá bem? Já fez algum exame? — Ela fala de uma vez e Dennis dá risada.
— Amor, deixa ela respirar, vamos sentar e aí você com calma pergunta as coisas. — Ele fala tranquilamente.
— Parem de me mandar ter calma. — Ela me solta e entra bufando.
— Obrigada por virem Dennis. — Digo e ele me abraça.
— Você é nossa família , sempre estaremos aqui pra você. — Ele fala e vai até Elo, que está impaciente sentada na beirada da cama.
— Respondendo suas perguntas amiga, eles me falaram só o'que está nas notícias, referente ao meu caso, até agora não sei de nada. Eles já fizeram exames de sangue e de urina, e acho que daqui a pouco, vão me levar para o hospital agora fazer outros exames, de lá vou para delegacia prestar meu depoimento. — Digo, e noto que ela está preocupada. — Eu tô bem Elo, só quero saber oque aconteceu, e se sou uma das… vítimas, quero só entender o'que realmente aquele homem fez comigo.
— Você está tão calma, isso me assusta Maya. — Vejo lágrimas em seus olhos.
— Amiga, eu não tô calma, eu tô tentando ser forte, tá difícil pra caramba, eu não tô entendendo nada, foi tudo tão rápido, e só de pensar que fui experimento pra alguém… eu nem sei oque falar. — respiro fundo e seguro as lágrimas.
Elo não fala nada e só levanta e me abraça, não controlei e chorei junto com ela. Dennis trouxe água para nós duas e acalmou ela.
— Eu vi a notícia no jornal, fiquei tão assustada, se não fosse o Dennis e o Léo… — Ela para na hora e vejo Dennis encarar ela. — eu até passei mal, foi bem na hora que te liguei.
Paro e fico olhando para ela. — Ele voltou? — Pergunto baixinho.
— Sim Maya, ele foi em casa pra almoçar conosco. — Dennis fala.
— Ele ficou super preocupado, e pediu pra mandar mensagem pra ele a cada uma hora pra ele saber se você está bem. — Elo fala e Dennis dá um cutucão nela. — Ai amor.
Dou risada dos dois. — Ele tá melhor Dennis?
— Tá sim, graças a Deus. — ele abre um sorriso e vejo um alívio em seus olhos.
Quando ia perguntar mais alguma coisa, alguém bate na porta. Me levanto e quando abro e a mesma moça que veio comigo no avião.
— Boa tarde Maya, vamos para o hospital? Seu depoimento foi adiantado, por isso precisamos ir logo para fazer os exames. — Ela fala e eu concordo.
Saímos do apartamento e fomos direto para o hospital, fiz os exames todos sozinhos e de novo ninguém me falou nada.
Elo e Dennis me acompanharam até a delegacia e fiquei aguardando me chamarem. Eu estava nervosa, minhas mãos suavam sem parar, eu estava tremendo, meu estômago revirava, só queria saber a verdade, só isso.
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Atualizado até capítulo 76
Comments
Luana Guimarães
acho q está c o ultero, ela disse q a equipe q cuidou do "câncer" são bem prestativo estão sempre em contato e dando receita pra ela tomar remédio deve ser abortivo e anticoncepcional....
2024-11-21
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Maria Sena
Minha nossa, que capítulo afltivo foi esse, muito tenso.Chega dar vontade de entrar na história e resolver logo tudo e acabar com essa agonia.
2024-11-28
1
Heloísa Garbin
acho que os exames dela vai dar que ela está grávida kkk
2025-02-01
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