Capítulo Doze
Leonardo
Voltei para o Rio, para minha rotina de antes, não vou negar que sinto falta da tranquilidade de São Paulo, mas é melhor se acostumar novamente com o que tenho que fazer.
Assim que voltei, os meninos já fizeram um baile para comemorar, fiquei feliz, porque precisava me distrair, bebi bastante, e curti com meus irmãos, mas depois de toda animação e felicidade, quando deitei na minha cama, ela invadiu meus pensamentos. Sei que vai ser difícil esquecer a Maya, mas eu vou tentar.
Já é sábado de novo e organizei outro baile, o morro tá voltando a ser o que era antes, e eu adoro isso, meu financeiro tá incrível e nada melhor que um baile para vender tudo e ganhar mais grana.
Decidi que preciso também dar um jeito no Peterson, se ele acha que vai vir de novo pra cima de mim, tá bem enganado, eu voltei e tô com sangue nos olhos.
Estou já em contato com uns caras novos, quero meter logo uma aliança com uma máfia mexicana, os caras querem se aliar a alguém no Brasil e já me apresentei.
Eles tem uma das melhores armas do mercado, e isso vai deixar meu armamento uma maravilha. Também tô pensando em mudar o treinamento dos muleque, quero aumentar a segurança da barreira.
Cansei de invasão, cansei de ser tirado de fraco, se aqueles milicianos filhos da puta, acham que vão voltar a me infernizar, vou mostrar para eles e qualquer outro que queira me derrubar, que o Satan, tá de volta e tá pior que antes
— Bom dia irmão, acordou cedo. — Fabio, meu irmão mais novo, entra na boca.
— Não consegui dormir e preciso organizar as coisas do baile de hoje. — Digo olhando para o notebook.
— Fala pra mim, o'que aconteceu em São Paulo, você voltou todo estranho, vivo vendo você andar pela casa de madrugada, parece que não consegue dormir. — ele cruza os braços e senta no sofá.
— Tô de boa irmão, é só muito estresse.
— E quem é Maya em? Te ouvi falar o nome dela, naquele dia do baile, se ficou bem bêbado e quando foi dormir, chamou por ela. — ele me olha.
Passei a mão pelo rosto e revirou os olhos. — Não é ninguém.
— Te conheço irmão, sabe que pode se abrir comigo, conheceu ela em São Paulo? — Ele levanta e senta na cadeira em frente a minha mesa.
Ele não vai parar de encher o saco, então é melhor já contar, pra não me aborrecer.
Conto tudo para ele e o mesmo fica até boquiabertos — Caraca, tô sem acreditar, sem nem oque te falar irmão, espero que você supere isso.
— Eu tô tentando irmão, mas vai passar. — Digo voltando a atenção a minhas coisas.
Meu irmão fica um tempo e logo sai, odeio ter que ficar relembrando tudo que aconteceu nas últimas semanas, isso só me faz lembrar dela e não quero lembrar dela, quero apagar tudo da minha cabeça.
Me levanto e pego uma garrafa de whisky, sirvo em um copo e bebo em uma golada, a bebida, desce queimando a minha garganta. Respiro fundo e sirvo mais um copo. Só preciso esquecer ela, esquecer tudo.
Esquecer nossas noites juntos, esquecer as conversas, as risadas, esquecer o quanto ela é linda, e o quanto sinto falta de sentir seu corpo no meu, o quanto sinto falta de ouvir sua voz.
Que merda! Sento na minha cadeira e desisto do meu copo, pego a garrafa e começo a beber no gargalo, abro meu celular e vou até nossas conversas, não deveria estar fazendo isso, mas só preciso ouvir a voz dela uma última vez. Clico em um dos últimos áudios que ela me mandou e quando a voz dela ecoou pela sala, sinto meu peito doer.
— Estou com saudades, se você vir dormir comigo hoje prometo que compro comida japonesa, e depois podemos ver um filme e até te faço uma massagem. — Ela dá risada e o áudio termina.
Vou ouvindo os áudios dela e vendo nossas fotos e quando vejo a garrafa terminou. Preciso de mais, preciso só esquecer tudo.
— Porra irmão, se ta bem ? — Escuto a voz do Fábio.
Levanto a cabeça e sinto ela girar e doer, olho para a janela e já é de noite.
— Porra três garrafas. — Fabio fala e meu cérebro chega balança.
— fala mais baixo. — Digo massageando as têmporas.
— Tô falando normal, você que bebeu demais e até dormir sentado. — Ele dá risada. — Vamos, vou te levar pra casa.
Não falo nada e aceito a ajuda dele, vamos para casa no seu carro e quando chego ele me ajuda a subir, ele me leva até o banheiro e sento na privada e fico pensando.
— Vai tomar um banho e descansar, sei que tá sendo difícil, ainda mais pelo que me contou, mas vai passar irmão, você tem eu e o Erick, pode conversar sempre que precisar, só não fica bebendo, sabe que isso não vai te levar a lugar nenhum — Ele fala.
Fabio sai e deixa a porta aberta, ouço meu celular tocando no quarto, mas não quero atender.
Fecho os olhos e respiro fundo. Ouça Fábio falar com alguém e sei que é o Dennis.
— Ele tá bêbado, trouxe ele para casa agora, o cara não tá bem. — Ele fala preocupado. — Relaxa irmão, vou ficar de olho nele, qualquer coisa te aviso.
Me levanto e fecho a porta, tiro a roupa e abro o chuveiro, deixo no gelado e entro, sinto meu corpo todo arrepiar e até desperto um pouco.
Droga Maya, essa merda vai ser mais difícil do que eu pensei.
…
Acordo com uma puta dor de cabeça, pego meu celular e é sete da manhã, levanto e vou me arrastando até o banheiro, faço minha higiene e tomo outro banho, saio e me troco, desço para a sala e meus irmão estão tomando café.
— Bom dia. — Digo e vou me sentar com eles. — Tá fazendo que aqui Erick, achei que estava morando com a futura esposa. — Abro um sorriso e cumprimento ele.
— Vim ver você, Fabio me conta o'que houve, nunca te vi assim irmão, nem quando a doida da Milena fez oque fez. — Ele fala e revirou os olhos.
— Fábio tem a boca grande demais. — Digo pegando café.
— Nós nos preocupamos com você irmão. — Ele fala.
— Eu tô bem, logo passa é só uma merda de fase ruim, agora mudando de assunto, como foi o baile ontem. — Digo dando um gole no café puro.
— Foi bom, vendemos bem pra caramba, só faltou você lá, mas como sua não diversão foi beber três garrafas de whisky sozinho, nem foi lá. — Fábio dá risada.
— Porra, tô quase sentando a porrada em você. — taco uma bolacha nele e todos damos risada.
— Nem começa, se fosse nós dois, você estaria zuando também. — Erick fala e tenho que concordar.
— Eu sei, obrigada por me apoiarem, essa merda não tá sendo fácil. — Digo, e os dois arqueia a sobrancelha e logo caem na gargalhada.
— Essa tal Maya, fudeu você realmente irmão, puta merda. — Eles dois começam a rir mais ainda.
— Vão se foder os dois. — Me levanto e vou pro escritório.
Esses dois são uns filhos da mãe, mas eu amo eles, pelo menos vou ter alguém aqui pra poder conversar.
Abro meu computador e vou ver o movimento que teve ontem de dinheiro. Vejo que já são quase duas horas e tô na maior fome, saio e pego a chave da minha moto, dou um alô nos vapor que tá na contenção da casa e desço pro restaurante do seu Guedes.
— Sumiu meu filho. — Ele fala.
Seu Guedes é um senhorzinho que faz a melhor comida do morro todo, conheço ele desde pequeno, é como uma avó pra mim
— Fiquei um tempo fora seu Guedes, mas tô de volta, desce aquele rango que eu gosto, to na maior fome. — Falo e sento no balcão.
— Que bom que voltou, esse morro sem você não é o mesmo. — Ele abre um sorriso e vai pra dentro.
Fico sentando um tempo e logo ele volta com uma cerveja gelada que sabe que eu gosto. Fico bebendo até a comida chegar e logo uma mina senta ao meu lado.
— Reapareceu Leozinho. — Ela fala com uma voz fina chata.
— Parece que sim, Ana. — Digo sem a maior vontade.
Ana é uma das marmitas do morro, fiquei com ela uma única vez e ela sempre que me vê fica se jogando, não tenho paciência.
— Parece estressado, se quiser posso te ajudar com isso. — Ela coloca a mão na minha coxa e vai subindo.
Pego a mão dela e aperto com força. — Não te dei essa liberdade, é melhor vazar daqui, não tô com paciência hoje. — Encaro ela, e a mesma, apenas balança a cabeça.
Solto sua mão e ela sai quase correndo. Odeio essas mina, vivem se jogando pros caras só por dinheiro, quer dar por dinheiro, tenho vaga nas minhas boates, lá vai dar pra caralho e ainda tem salário.
Nunca na minha vida vou ficar comendo essas mina, só pra ficar bancando elas, depois essas loucas ficam se achando fiel e só dá problema. E eu tô longe de problema, minha cabeça já tá cheia demais com meus demônios.
Minha comida chega e como rápido, pago seu Guedes e volto pra casa, entro e já vou pro escritório, pego meu celular e tem várias mensagens do Dennis perguntando se tô bem, só queria que parassem de se preocupar, eu não tô bem, mais vou ficar, porra!
Preciso beber, estou estressado…
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Atualizado até capítulo 76
Comments
Patricia Sousa
o coitado tá sofrendo o pão que o diabo amassou 😮😔
2025-01-27
1
Joselma Trajano
esse tá sofrendo viu🤭🤭🤭
2024-08-22
2
Tsuruko Takara Alexandre
Oh! Dó!
2024-07-21
1