O trajeto até o lar de idosos parecia mais longo do que nunca. Eu piloto ouvindo apenas o som do motor da Trovão. Cada semáforo vermelho parecia uma eternidade, cada curva era um obstáculo. Meu pai estava em estado vegetativo a muito, e eu sabia que ele não tinha consciência do mundo ao seu redor. Ou pelo menos, era o que os médicos diziam. Para mim, ele era apenas um corpo, uma presença física sem a mente e a personalidade do homem que eu conhecia e amava. O pai que eu cresci admirando havia desaparecido. Tudo o que restava era um corpo em uma cama.
Estacionei em frente ao lar de idosos, quase correndo para a entrada. A recepcionista me viu chegando e me deu um olhar de simpatia. Ela sabia quem eu era, a filha do Sr. Leopoldo.
Fui levada para a sala da diretora Rute. Ela me cumprimentou com uma voz suave, mas eu podia ver a preocupação em seu rosto.
- Emilly, obrigado por ter vindo tão rápido. Temos uma situação com seu pai. Ele teve uma convulsão, e estamos tentando estabilizá-lo. Precisamos que você esteja aqui para que autorize a transferência do Sr. Leopoldo para o hospital da cidade. Não temos suporte necessários, caso as coisas piorem.
"Caso as coisas piorem". Essas palavras eram como um soco no estômago. Eu sabia que era uma complicação comum em pacientes como meu pai, mas isso não tornava mais fácil de ouvir. Meu coração apertou, a sensação de pânico crescendo. Não estava preparada para isso. Não queria tomar decisões sobre vida e morte. Não queria ser a responsável por algo tão importante.
- Eu... o que eu devo fazer? Perguntei, tentando manter a calma, mas minha voz estava trêmula.
- Por enquanto, apenas assine a autorização, estamos monitorando a situação. Diz a Sra Rute, tentando me tranquilizar.
- O médico e a enfermeira estão com ele agora. Ele é novo aqui no lar e tem ótimas referências. Estamos fazendo o possível para que ele fique bem e não precise ser transferido. Ela concluí.
Eu assenti, tentando respirar fundo, mas o ar parecia mais pesado do que nunca. Eu sabia o que ir para um hospital significava...não teria mais nada a ser feito e provávelmente a sua morte está mais perto. E por mais que o meu coração doía por vê - lo nessa situação. Eu ainda não estou pronta para perde - lo
- A Srta quer vê - lo? Ela pergunta.
Eu estava pronta para responder que não e inventar mais alguma desculpa..Mas as palavras que saíram foi:
- Simm!
"Não, diga não! Eu pensei, mas já havia concordado"
- Me acompanhe! Ela diz e sai andando eu a sigo.
Ela vai para subir as escadas e eu ia seguindo reto. Fazendo o mesmo caminho da última vez.
- Srta Emilly, é por aqui! Ela diz.
- O quarto não era aqui? Eu pergunto.
- Tivemos uma reforma aqui e reformulamos todo o lar de maneira a ficar mais acessível. Ela diz.
- Subimos ao segundo andar e seguimos pelo corredor. Na última porta é o quarto de Pai.
- É aqui. Fique a vontade. Ela diz e retorna.
Eu paro por alguns segundos em frente a porta. Exitando em abrir.
Mas de repente a por se abre.
- Olá Srta. Diz a enfermeira.
- Pode entrar. Ela diz e abre espaço para que eu entre.
Minhas pernas pareciam ter toneladas, eu mal conseguia andar.
Eu entro no quarto, passo pelo banheiro e finalmente chego ao quarto.
Ao longe vejo a cama, um homem de costas que me impedia de ver o rosto de Papai.
Ao ver que eu estava ele diz.
- Ola! Você é familiar do Sr. Leopoldo?
- Oi! Sim, eu sou a filha dele. Eu digo e finalmente posso vê - lo. Meu coração estava acelerado, um misto de ansiedade e uma pontada de tristeza.
- Papai está mais magro do que eu lembrava, sua pele parecendo mais fina, e os cabelos, antes tão cheios e escuros, agora completamente brancos. Eu me aproximo da cama.
O quarto era simples, com uma única cama e algumas máquinas conectadas ao seu corpo. Havia uma janela que deixava entrar um pouco de luz natural.
O médico vestia um jaleco branco e tinha um ar sereno, enquanto fazia as anotações.
- Desculpe agora posso falar. Sou o Dr. Ruan, o novo médico responsável pelo seu pai. Ele diz sorrindo.
Eu tentei sorrir de volta, mas meu rosto estava tenso.
- Sim, acabei de receber a mensagem sobre a convulsão. O que aconteceu? Ele está bem?
O Dr. Ruan terminou de ajustar um dos monitores e se aproximou de mim, falando em um tom calmo e reconfortante.
- Seu pai teve uma convulsão mais cedo. Pode ser algo isolado, mas pode indicar outras complicações. Nós o estamos monitorando e faremos todos os exames necessários para determinar a causa. Por enquanto, ele está estável, mas precisamos mantê-lo em observação. Ele diz.
Eu assenti, tentando processar as informações. A imagem do meu pai ali, tão frágil e totalmente imóvel, era difícil de suportar.
- Ele vai ficar bem? Quero dizer, vocês têm uma ideia do que pode ter causado a convulsão? Eu digo.
O Dr. Ruan pareceu entender a minha ansiedade.
- É difícil dizer com certeza. Pode ser uma resposta do sistema nervoso, ou algo relacionado à medicação. Precisamos de mais tempo para investigar. Mas estamos fazendo tudo o que podemos para garantir que ele esteja confortável e seguro. Ele responde.
Eu olhei para o meu pai, deitado na cama, respirando com a ajuda das máquinas. Era tão estranho ver alguém que antes era tão cheio de vida reduzido àquele estado.
O Dr. Ruan percebeu minha expressão e deu um passo mais perto, mantendo um tom tranquilizador.
- Eu sei que é difícil, Emilly. Mas estamos aqui para ajudar. Se você tiver alguma pergunta ou preocupação, por favor, sinta-se à vontade para falar comigo. Estou aqui para apoiar você e sua família.
Havia algo reconfortante no modo como ele falava, como se realmente entendesse a dor que eu estava sentindo. Ele parecia genuinamente interessado em ajudar, não apenas cumprir um dever. E havia um toque de interesse pessoal, algo que não se via com frequência em médicos. Mas eu estava muito preocupada para pensar nisso agora.
- Obrigada, Dr. Ruan. Por favor, me avise se houver qualquer mudança. Respondi, tentando manter a calma.
- Claro, ficarei por perto. Ele diz e leva a mão ao bolso do jaleco e tira um cartão de visitas.
-Esse é meu número pessoal. Se tiver preocupada, ou quiser apenas saber como ele está pode me ligar a qualquer hora que terei o prazer em ajudar e tirar qualquer dúvida que possa surgir. Ele diz sorrindo.
- Eu agradeço, isso é muito bom. Eu digo e pego o cartão.
- Preciso ir. Mas fique a vontade. Ele diz e segue até a porta. Dá um leve aceno antes de sair do quarto, deixando-me sozinha com meu pai e os sons das máquinas. Sentei-me ao lado da cama, observando a lenta subida e descida do peito dele, tentando me manter forte.
Eu sabia que o futuro é incerto, mas agora pelo menos eu tinha alguém que parecia entender a seriedade da situação e que poderia me ajudar a enfrentar o que viesse a seguir.
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Atualizado até capítulo 84
Comments
Amanda
😢😢😢😢😢😢
2024-06-30
0
Vó Ném
Verdade é difícil ser forte nestas circunstâncias!!
2024-06-20
1
Gislaine Duarte
ela tenta ser forte mas com o pai nessas condições 😢😢
2024-06-13
1