...MARRY...
Depois da conversa que tive com Catarina ontem, percebi que a julguei muito mal deis do começo. Ela não só me salvou, como também me trouxe de volta para o castelo.
Como eu fui idiota...
Caramba Marry, você fugiu da tarefa que William te pediu pra fazer... o que você fez? não é novidade ouvir fofocas como aquelas... você sabe.. E já deveria ter superado isso.....
se não fosse ela... eu.... não sei se.
Enguli em seco.
É difícil apagar da memória aquela sensação terrível de estar lutando para respirar, com as mãos frias me prendendo pelo pescoço e me empurrando para baixo. O medo estava tão presente naquele momento... Eu só queria poder esquecer tudo isso, mas parece que essas lembranças estão gravadas..
Balanço a cabeça tentando afastar a lembrança.
O bom é que como eu ainda estou de repouso, as aulas de piano foram canceladas, graças a Deus, tenho certeza que o professor também está pulando de alegria agora.
Faltam poucos meses para o baile do castelo e quanto mais ele se aproxima menos aulas quero ter, não quero tocar aquela música ridicula.. muito menos em público...
"Tudo bem Marry?" Pergunta William sentado a minha frente.
Saio dos pensamentos percebendo que estou segurando um pedaço de pão parado no ar.
"Está sim, só pensando no baile" falo finalmente levando o pão a boca.
"Está preocupada com as aulas que foram canceladas?" O QUE!? NEM FERRANDO.."
"Não, para falar a verdade, eu nem preciso de aulas", digo, tentando capturar a expressão em seu rosto.
Eu sei o quanto ele insistiu para eu fazer essas aulas... Mas... ele nunca me ouviu tocar... Como eu toco... Na verdade, ninguém ouviu.
Ele apenas ouviu o que quis desde que nos casamos.
Já tentei tocar para ele, mas... nunca tivemos esse tempo, mesmo casados... afinal, ele é o rei... e o reino precisa dele...
"Por que ele é ruim? Se quiser, eu posso contratar outro professor." Nem morta!
"Não precisa, eu só acho que sou capaz de tocar sozinha", solto, desviandoo olhar para pegar um pedaço de torta fatiada à minha frente.
"Marry, eu acredito nisso, sério... mas aulas não são tão ruins assim... e você pode aprender e melhorar suas habilidades com a ajuda de outra pessoa.."
Eu sei... Só queria que confiasse em mim... mas isso não vai acontecer.
Sorrio e deixo sua mão alcançar a minha.
...****************...
Depois do café, William voltou para sua sala, e eu decidi não abrir mais a boca para falar sobre as aulas de piano. Não importa o que eu fale, ele ainda vai votar nas aulas inúteis...
Mas tudo bem... Eu não me importo... Eu só quero tocar.. mesmo que seja uma música ridícula e sem graça.. num baile cheio de nobres estúpidos fofoqueiros que concerteza iram me olhar e falar as mesmas coisas que ouvi ontem..
Volto-me para o livro em minhas mãos, tentando distrair minha mente com suas páginas, mas os pensamentos persistentes continuam a me perturbar. Suspiro frustrada, fechando o livro por um momento.
Sem ter para onde ir, meu olhar vagueia até Catarina, que parece imersa na contemplação do jardim ao redor.
Suas costas estavam apoiadas em uma das árvores, enquanto eu estava sentada em um dos bancos próximos.
"Gosta do jardim?", solto a pergunta antes mesmo de pensar. Catarina se vira para me encarar, um leve espanto refletido em seus olhos.
Ela me lança um olhar curioso me fazendo desviar na mesma hora de volta para a capa do livro fechado, ela não é mesmo de falar não é? por que eu ainda pergunto, tá na cara que ela gosta de ficar em silêncio...
"Na verdade, sim", diz com a mesma voz calma e direta que ouvi ontem.
Fico surpresa ao ouvir a sua resposta, mais e agora? eu acabei de começar uma conversa com ela.... o que eu devo falar?
"É bom pra treinar, não é?" Falo, tentando encontrar um assunto para manter a conversa. "E mais uma vez, me desculpe por ontem... você parecia bem ocupada." Termino minha frase, ainda com os olhos presos no título do livro Caminhos da Esperança. Só espero encontrar a esperança para essa conversa continuar.
" Sem problemas eu já estava terminando ", ela responde, voltando a se concentrar ao seu redor. Isso me faz encará-la novamente, tentando descobrir mais sobre o que ela deve estar pesando enquanto olha ao redor.
Derrepente me vejo lembrando de quando a encontrei treinando sob os fundos do jardim.
Sua postura era impressionante, como se cada movimento fosse cuidadosamente calculado para executar seus ataques com precisão. Mesmo de costas, ela irradiava determinação e força, e seus músculos tensos sob o vestido não passavam despercebidos. Eu me peguei observando cada detalhe, tentando decifrar os contornos de sua figura através do tecido. Mas por que esses pensamentos estavam ocupando minha mente agora? Sacudi a cabeça, tentando afastar essas ideias, mas ainda assim, a imagem de seu corpo persistia.
Eu devo mesmo ter batido a testa com força ontem..
Sem ter mais o que falar, tento encontrar os seus pensamentos também olhando ao redor, mas percebo que ela não estava apreciando as flores ou as árvores, mas sim fixando o olhar no grande muro ao longe.
Será que ela está planejando sair? Talvez encontrar alguém?
Com aquele físico e beleza, duvido que esteja solteira. Talvez ela esteja desejando uma fuga do castelo, como eu. Entendo perfeitamente, a vida aqui dentro pode parecer sufocante às vezes, com todas as regras, etiquetas, e corpetes apertados.
Agora, até eu me pego imaginando como seria a vida lá fora.
" Gosta de livros?" Levo um susto ao ouvir a sua voz. Rapidamente viro meu rosto em sua direção, encontrando seus olhos fixos em mim.
Ela acabou de fazer uma pergunta? Isso é novo...
Seguro o livro mais forte, olhando para a capa como se buscasse refúgio ali.
" Sim," respondo um pouco envergonhada, sentindo o peso de seu olhar sobre mim. " Acredito que os livros são a porta para outros mundos," continuo, evitando seus olhos, mas sentindo sua presença ao meu lado.
"Mais e você, gosta de livros ou só gosta de ficar de pé e observar?" Arrisco olhar para ela e a pego me olhando parecendo um pouco pensativa pela minha pergunta.
" Nunca fui de ler, então prefiro só observar," diz sem rodeios, passando os olhos no livro em minha mão antes de voltar para mim, evitando o contato visual.
Então ela é do tipo mais músculos e menos cérebro? Não, ela não parece nem um pouco burra ou idiota.
" Então observar é apenas um trabalho pra você?" Pergunto, já não me importando com o contato de seus olhos.
" Não só isso, mas também a minha vida," responde, voltando seu olhar para o muro ao longe do jardim.
O que ela quis dizer com isso? Sinto-me intrigada pela resposta dela, mas hesito em perguntar mais.
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Atualizado até capítulo 128
Comments
Ana Faneco
continua tá muito boom 😜
2024-07-16
4