...KATHERINE...
Com Marry desmaiada nos meus braços, atravesso a floresta com pressa, determinada a levá-la de volta ao castelo o mais rápido possível. Cada passo é cuidadosamente calculado para evitar trechos escorregadios e obstáculos no caminho.
Finalmente, avisto o cocheiro no ponto de encontro combinado. Ele parece surpreso ao me ver carregando Marry, mas não faz perguntas. Com um aceno rápido, indico que ele deve preparar a carruagem para o retorno ao castelo.
Acomodo Marry no banco da carruagem com cuidado, garantindo que ela esteja confortável. Sento-me ao lado dela, mantendo um olhar vigilante enquanto o cocheiro guia os cavalos de volta ao castelo.
Durante todo o trajeto, fico aliviada por não termos esbarrado com nenhum nobre no caminho. A última coisa que precisamos agora é de mais perguntas ou olhares curiosos. Estou determinada a garantir que Marry receba o cuidado de que precisa sem mais interrupções indesejadas.
Ao chegarmos ao castelo, Marry é prontamente atendida pelos médicos exclusivos da residência real. Eu continuo a carregando enquanto ela é levada com urgência para receber os cuidados necessários. Guiados pelos funcionários do castelo, chegamos ao quarto dela.
Com cuidado, deito Marry na cama, garantido que eu não vá machuca-la. Observo-a por um momento, antes de me afastar quando solicitado pelos médicos.
...****************...
Após deixar Marry nos cuidados dos médicos, fui convocada pelo rei para uma audiência na sala real. Antecipei-me, preparada para enfrentar possíveis reprimendas ou até mesmo um castigo pela falha na proteção de Marry.
No entanto, ao chegar na sala real, fui surpreendida pelo agradecimento do rei. Embora parte da culpa seja minha, decidi não contestar e aceitar seus agradecimentos.
Aproveitando o momento, pedi permissão ao rei para enviar uma carta a Rebecca e Thomas, informando-lhes que estou viva. Apesar de hesitante no início, o rei acabou concordando com minha solicitação.
Além disso, ele me instruiu a ficar mais próxima de Marry daqui em diante, dada a recente ameaça que enfrentamos. Aceitei prontamente, consciente de minha responsabilidade em sua segurança.
Ao encerrar a conversa com o rei, me senti aliviada por tê-lo convencido a permitir que eu use calças. Foi um pequeno triunfo pessoal, que quase me fez chorar.
De volta ao meu quarto, troquei meu vestido por minhas calças de couro, um conforto familiar em meio ao caos. Decidi aproveitar o restante do dia para treinar com a langseax, buscando aprimorar minhas habilidades e redimir-me pelo erro cometido com Marry.
Enquanto pratico no jardim, entre as estátuas silenciosas, deixo-me guiar pelos movimentos da langseax, concentrando-me em me tornar mais forte e mais preparada para enfrentar os desafios que ainda estão por vir. A falha de hoje serve como um lembrete constante de que preciso melhorar, e é isso que pretendo fazer.
Quando a noite se estende sobre o jardim, sinto-me completamente exausta após horas de treinamento intenso. Decidi até tirar minha camiseta, ficando apenas de top para ter mais liberdade de movimento.
Respiro fundo, permitindo-me um momento de descanso merecido. Apoio a langseax em minhas costas, ainda sentindo o peso dela em meus braços. Cada músculo do meu corpo está queimando devido ao esforço extra, mas isso não me impede de continuar.
Depois de recuperar o fôlego, volto à posição de ataque e lanço a langseax novamente no ar. Meus músculos gritam de dor, mas eu os ignoro, concentrando-me apenas na prática contínua. A noite é minha aliada, e eu me recuso a desistir até alcançar a excelência em minhas habilidades de combate.
O suor escorre pelo meu corpo, criando trilhas úmidas que só aumentam minha vontade de um banho refrescante.
Ao desferir mais um golpe, sinto como se algo estivesse me observando. Sem hesitar, viro-me rapidamente, posicionando a langseax defensivamente.
Minha surpresa é imensa ao perceber quem está ali, parada entre alguns arbustos.
Marry...
Abaixo a langseax quando percebo que a estou apontando para a Rainha.
Observo-a com curiosidade, questionando-me sobre o motivo de sua presença ali.
Notando as bandagens em sua testa e a pomada em seu pescoço, agora tingida com um tom mais intenso de vermelho, vejo que ela já foi bem tratada e o seu semblante também já está melhor.
O silêncio paira no jardim por um instante antes de ela finalmente quebrá-lo.
"Me desculpe... Eu... Não queria.. atrapalhar.. eu só.." Sua voz soa um pouco perdida.
"Não tem problema", respondo, virando-me para pegar uma das minhas lâminas que estavam jogadas no chão após o treino. "Você deveria voltar para dentro e descansar, Majestade", acrescento.
Vejo-a concordar levemente com a cabeça.
"Eu só, queria agradecer.. você sabe.. por hoje."
Ela está me agradecendo? Ela sabe que fui uma completa idiota, não é?
Desvio os olhos para as armas, concentrando-me em guardá-las em meu cinto.
"Não precisa agradecer", respondo, deixando minha voz soar um pouco fria demais.
"Mais você me salvou...." Volto meu olhar ao escutá-la falar. Salvei?
Cerrando os dedos, aproximo-me dela.
"Não... Eu só fiz o que tinha que fazer", digo, olhando em seus olhos cansados.
"Mesmo assim, obrigada", ela expressa sua gratidão com palavras sinceras. Não quero parecer desagradável, então apenas balanço a cabeça em aceitação de seus agradecimentos.
Quando finalmente a observo mais de perto, percebo seu pijama, o que a deixa com uma aparência mais simples do que estou acostumada a vê-la.
Mas isso não diminui a sua beleza. Desvio o olhar e volto a colocar minha camiseta.
"Melhor entrarmos", sugiro, passando por ela em direção à porta.
Quando começo a fazer o caminho de volta para o castelo, sinto-a seguir ao meu lado, o que é estranho, já que normalmente sou eu quem a acompanha, mas deixo para lá.
"Você está realmente bem?" Sua voz vem de trás de mim.
Não sou eu que estou com bandagens na testa, certo?
"Sim, não se preocupe", respondo sem rodeios, mantendo o olhar à frente.
"Ei...", ela para antes de completar, e eu me viro curiosa para finalmente olhá-la e tentar adivinhar o que ela está querendo dizer, "me desculpe por sair correndo... Eu sei que isso dificultou as coisas pra você e..."
Sério que a rainha está agora mesmo me pedindo desculpas por algo que eu devia estar preparada para enfrentar?
E que rainha costuma pedir desculpas? Isso só me deixa mais curiosa.
Nossos olhos se encontram, e ela nem percebe quando pisa em falso numa pedra do caminho.
Antes que ela possa bater a cara no chão, corro para segurá-la, dando-lhe apoio colocando minhas mãos em sua cintura para evitar que seu corpo tombasse.
Ao sentir seu corpo sendo sustentado pela minha mão, noto seu vestido levantar um pouco, revelando suas coxas ao vento travesso.
Não olhe, Katherine, não olhe...
Mesmo assim, dou uma rápida olhada disfarçada. O que eu sou, afinal? Uma pervertida agora?
Puxo seu corpo para perto, fazendo com que ela se choque suavemente contra mim. Seus olhos passam por mim, curiosos, o que me faz engolir em seco.
Por que ela está me olhando assim? Pelo amor de Deus...
"Parece que você me salvou pela segunda vez hoje", ela diz, capturando o seu sorriso. Desvio o olhar, encarando seus lábios por um breve momento.
Solto sua cintura ao perceber que já estava segurando por tempo demais.
"Eu devo dar trabalho, não é?" Diz ela dando risada de si mesma, curiosa, deixo meus olhos caírem mais uma vez sobre ela.
Caramba, pare de se desculpar... Eu não aguento mais ouvir isso.
"Sobre hoje, sinto muito por quase ter chegado tarde", solto sem notar que abaixei a cabeça.
Mesmo que eu tenha matado o desgraçado, me sinto horrível por ter sido burra o suficiente para quase ter deixado ela morrer.
" Não teria acontecido se eu não tivesseme me afastado como uma criança" mesmo que ela quisesse soar engraçada, capturo a tristeza e a culpa em sua voz.
Por que ela fica se culpando toda hora? Até eu faço isso mais... Ela parece tá se prendendo demais a isso.
"Em sua defesa, a festa estava realmente divertida", digo, tentando amenizar sua autocrítica. Sua risada espontânea me surpreende, e pela primeira vez consigo distinguir seu sorriso genuíno do habitual sorriso forçado.
Acho até que ouvir ela ri como pouquinho e isso é outra coisa que não se vê todo dia.
Quando ela cobre a boca para conter a risada, percebo que também estou sorrindo involuntariamente, sem conseguir evitar a contagiante leveza do momento.
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Atualizado até capítulo 128
Comments
Bruna ♥️🤞
ahhhh que fofo Milly 😍
2024-07-09
5